Tudo o que eu quero é que respeitem meu luto!

Juliana, 1 filho, desempregada, 19 anos.

Desabafo Anônimo: É o meu segundo relato. Perdi meu filho faz 17 dias, às 21s1d.
Cheguei à conclusão de que minha dor é só minha. Minha mãe, por mais incrível que tenha sido ao ficar do meu lado no hospital, acha que eu tenho que seguir em frente e não chorar. Mas faz só 17 dias. Meus amigos tentam não tocar no assunto e ficam constrangidos quando eu toco. Mas faz só 17 dias. Eu não sei como vai ser daqui 1 ano, se eu vou realmente seguir em frente e fingir que nada aconteceu. Mas agora, são só 17 dias e tudo o que eu quero é que respeitem meu luto, minha dor. Não quero que me digam “Deus sabe o que faz”, “você é nova e vai ter outros” “foi melhor assim”. Melhor pra quem? Porque pra mim não foi. E daí que eu vou ter outros? Meu filho existiu e outro filho não irá substituí-lo. Alguém diria “você vai ter outros” pra uma mãe que perdeu seu filho de 40 anos? Não, né? Então porque dizer pra mim? Eu sou menos mãe porque não tive a oportunidade de cuidar do meu filho? Sou menos mãe porque ele morreu durante a gestação?

As pessoas precisam respeitar mais o luto de uma perda gestacional. Precisam respeitar mais uma mãe que acabou de perder seu filho, independente do quanto tempo teve com ele. Mãe é mãe, nos respeitem.

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3 comentários Adicione o seu

  1. Texto muito emocionante, compreendo a sua dor pois faz uns anos que também perdi o meu primeiro filho ele tinha três meses e uma semana infelizmente faleceu dentro de mim ainda hoje e apesar de a médica me ter dito que a culpa não era minha e que estas situações infelizmente aconteciam sem aviso sinto que posso ter feito alguma coisa de errado durante a gravidez para ele não sobreviver…

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  2. Renata disse:

    Estou vivendo a mesma situação, só que minha perda ocorreu entre 30/31 semanas.
    Embora eu tenha buscado o isolamento para me preservar, há sempre uma mensagem de “conforto” sobre a vontade de Deus, os propósitos da vida, os próximos filhos que infelizmente não ajudam e pelo contrário, aumentam a revolta e a nossa aceitação quanto a perda.
    É uma dor insistente, sempre pronta a atacar seja ao ver uma grávida, lembrar da perda, ver um bebê, etc.
    Desejo muita força para que possamos superar e seguir a vida, mas enquanto isso, que doa, vamos sofrer, viver o luto que temos direito!

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  3. Amanda disse:

    Olá,
    Sou estudante de Psicologia e estou fazendo um trabalho sobre luto fetal e o por que não falamos sobre isso. Li diversos depoimento, mas o seu em especial acho que descreve exatamente a angústia que é passar por processo. Sinto muito pela sua perda, e espero que a partir da exposição dos seus sentimentos, mais mães possam ter espaço para ter sua dor respeitada. Pode acreditar que estarei compartilhando as suas palavras para mais mulheres que precisam ouvi-las.

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