Sinto que não sou boa o bastante

1 filho, dona de casa, 28 anos.

Desabafo Anônimo: Nunca me senti no direito de reclamar aqui, vejo depoimentos que cortam meu coração ao meio e me sinto obrigada a pensar que sou egoísta ao me sentir assim, mas isso acaba sendo inevitável.
Tenho um marido ótimo, uma casa própria, meu carro quitado, moto, cachorro, fico com a cria sem precisar me preocupar (tanto) com a nossa situação financeira, enfim o pacote todo.
Acho que meu problema vem lá de trás, obesidade, ansiedade, falta de amor próprio me trouxeram até aqui.
Minha sogra se intromete em todos os assuntos relacionados a meu filho, inclusive não consegui fazer meu tão esperado parto natural porque fui levada a acreditar que sou louca, feministinha e na onda dessa “modinha” de dar tanta liberdade e autonomia pro natural. Optei pela cesária porque fiquei com medo de insistir e matar meu filho, mesmo sabendo que com o controle ideal isso era bem improvável.
Choro todos os dias em casa com meu filho, porque sinto que não sou boa o bastante, porque segundo a família do meu marido meu filho só se parece com o pai física e emocionalmente, de mim só puxou a birra, a teimosia. Isso praticamente me faz sentir a intrusa nessa relação. Quando tento falar com algumas pessoas próximas sobre o assunto, meu sentimento é minimizado e falam que é bobagem, que isso é coisa de vó coruja ou falam que eu não tenho que pensar só chegar e falar e pronto, goste ela ou não, mas não acredito que seja bem assim. A solidão aumenta, porque meus pais são separados e moram longe, assim como minhas irmãs.
Agora recebi uma proposta de trabalho ótima, meio período, o ideal pra completar nossa renda e me deixar próxima do meu filho, mas pra isso minha sogra ficaria com ele (aqui escolas são muito caras e não valeria a pena porque trabalharia só pra pagar a escola) e tudo que eu penso são as coisas que eu não gostaria que ele absorvesse já que ele tem apenas 1 ano, justamente a idade de formação de personalidade e caráter. Tenho ideais pra criação dele, quero criar um menino feminista, com respeito e amor ao próximo com noção de política e sociedade. Cheguei a pensar em não aceitar mas fico me sentindo um peso, uma dondoca que fica em casa esperando o maridinho chegar, mesmo sabendo que tenho o trabalho mais difícil do mundo: cuidar da cria e da casa.
Me sinto presa, sufocada e triste e ao mesmo tempo me sinto egoísta por me sentir assim, uma ingrata já que estou na melhor época do meu filho e tenho todo o apoio e amor do pai dele pra seguir o que eu achar melhor. Simplesmente não consigo me decidir o que me deixa empacada e cada vez mais no fundo do poço. Mas como diminuem tanto isso, parei de compartilhar com os outros e decidir desabafar pra manas que podem não estar passando por algo parecido, mas com certeza não irão me julgar.

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1 comentário Adicione o seu

  1. luma disse:

    Prezada, sou leitora assídua de blogs sobre conflitos familiares, incluindo com sogras. Posso te dizer que o seu sofrimento é mais comum do que parece, tem muitas mulheres sofrendo pelo mesmo. Eu, no seu lugar, protegeria minha família de tanta influência externa e jamais deixaria meu filho com parente. Você já abriu mão dos seus planos de parto, não abra mão de mais nada e não deixe brecha para interferirem na criação do seu filho. Você e o pai dele são os responsáveis pela formação da criança, os outros são parentes. E se for importante para você voltar ao trabalho agora, qual o problema de ser o suficiente para apenas pagar a escola do seu filho? Pelo menos você está fazendo contatos, desenvolvendo suas outras habilidades além da maternidade e aumentando a chance de aparecerem outras oportunidades melhores. Com ele na escola vc tem poder de cliente e deve reclamar quando algo não for do seu agrado. Com parentes, e principalmente com sogra, vc vai engolir muito sapo com a desculpa de ‘evitar brigas na família”. Te desejo força, assertividade e confiança. Você é mãe agora, precisa fazer valer o título. Não importa a decisão que vc tomar, alguém sempre vai criticar e ficar chateado. Por que esse alguém tem que ser você? Não deixe que seja você! E nada de JADE: não Justifique, não Argumente, não Defenda e não Explique. Tome a decisão com seu marido e se insistirem apenas diga: isso é assunto de família, converso apenas com Marido sobre isso. Tem funcionado para mim 🙂

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