Na verdade sempre fui mãe solo

Juliana, 1 filha, professora de inglês desempregada, 29 anos.

Desabafo Anônimo: A gente nunca acha que vai acontecer com a gente. Mas acontece, no mundo de hoje, nenhuma mulher está imune a um relacionamento abusivo. Esse texto além de um desabafo, é um livramento. Tem 6 meses que a minha filha nasceu. Até o nascimento dela eu tinha um companheiro: o pai. O pai que prometia céus e mares para ela e para mim. O pai que se mostrava carinhoso e preocupado… Até a página dois.
Minha filha nasceu de uma cesariana vinda do que desconfio ter sido violência obstétrica (Mas esse é outro relato). Fomos liberadas do hospital após 3 dias do parto… Chegamos em uma casa suja, desarrumada e nada de acordo com o combinado. Eu tinha que cuidar da bebê, da recuperação da cesariana, do puerpério, baby blues (ou depressão, não sei. Seis meses e ele ainda não foi embora?!) e mais um turbilhão de coisas que a maternidade traz… Ah, mas e o pai? O pai tava jogando no computador, saindo pra caçar Pokemón e ser assaltado, fazendo bagunça na cozinha e no resto da casa. Estava fazendo qualquer coisa que não fosse cuidar de mim ou da filha que ele dizia tanto amar.

Aguentei essa barra até o terceiro mês de vida dela, mas ficou insuportável. Ele não me ouvia, não conversava comigo e tudo o que eu falava era considerado “mimimi”. Botei ele pra fora de casa e tudo o que ele fazia era perguntar se a bebê estava bem e toda vez que tentávamos falar sobre aquilo que a gente chamava de relacionamento, dava briga. Ele nunca estava interessado em conversar, entender… Ele sempre tentava apenas provar que o ponto de vista dele tava certo e sequer se importava em ouvir o meu.

Ainda havia amor, havia dependência psicológica, havia o pensamento de “vamos ser uma família, minha filha não merece isso”. Três meses depois tentamos de novo. Não durou uma semana… Ele estava pior. Jogava, se achava o melhor pai do mundo por ficar 15 minutos com a menina no colo para eu fazer café para NÓS… O ápice foi quando ele foi pra casa do pai dele passar a noite (que durou uma semana), no dia em que eu estava apresentando reação alérgica ao produto de limpeza que usei pra lavar o banheiro que ele nunca se dignou a limpar. Olhos lacrimejando, espirros contínuos, mão queimada… Nada despertou a empatia dele. Não importou se eu tinha condições de cuidar da nossa filha, se eu tive febre ou não, se eu tinha condições de comer ou não. No outro dia a reação piorou, e ainda se agravou mais quando uma das mamas empedrou. Foram os três piores dias da minha vida. Mas ele estava mais preocupado em postar no Facebook como eu “adorava acordar ele grosseiramente pra brigar”. Ele não se importou comigo e nem com a filha que ele dizia tanto amar.

Agora veio entregar presentes de natal da filha e aproveitou pra falar que eu sou louca, retardada e que a culpa de todo fracasso do relacionamento é minha… Ele que era o senhor desconstruído, melhor homem do milênio… Não passava de mais um machista nosso de cada dia. Agora sigo aqui, aceitando que na verdade sempre fui mãe solo e que mãe solo sempre vou ser, pois já diz o ditado: “Antes só do que mal acompanhada”.
Agradeço ao universo por me permitir enxergar isso e peço força para lutar contra a depressão. Preciso dar o segundo passo, o primeiro já é esse aqui.

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