Meu coração está partido em mil pedaços

Ana Paula, 25 anos.

Desabafo Anônimo: Hoje resolvi desabafar.

Bom, meu nome é Ana Paula, desde que me casei em 2014 resolvi parar com a pílula anticoncepcional, e a cada mês que passava eu ficava na expectativa de estar grávida. Até que em dezembro de 2015 minha menstruação não veio como de costume, porém eu decidi esperar, e no dia 04 de janeiro resolvi fazer um teste. Ao sair do trabalho passei na farmácia e assim que cheguei em casa fui fazer. Ao ver os dois risquinhos, nossa, foi uma emoção, sem explicação, chorei e agradeci muito a Deus. Meu marido me levou até o laboratório para fazer o teste sanguíneo. É claro que foi só para ter ainda mais certeza de que um coraçãozinho estava batendo aqui dentro de mim. A cada dia que  passava era uma descoberta nova, mudei parte da minha alimentação, nos mudamos de casa para dar um pouco mais de conforto para nosso filhinho. Em abril descobrimos que seria um menino, e escolhemos o nome: Murilo, o nosso Murilo, nosso presente divino.
O tempo passou e o Murilo sempre bem se desenvolvendo bem. No dia 07/06 em uma consulta de pré natal, o médico disse que minha pressão estava um pouco alta 13X9 e decidiu entrar com medicação, comecei a tomar no mesmo dia.
No dia 15/06 tive um mal estar no trabalho e decidi ir para o hospital, chegando lá o médico viu que minha pressão estava alta 16X10 então ele achou melhor que eu ficasse em observação para fazer alguns exames, porque mesmo tomando remédio minha pressão estava alta. No dia seguinte logo pela manhã fui fazer um ultrassom, e então vimos que nosso Murilo estava recebendo pouco sangue pelo cordão umbilical, e que eu estava com pouco líquido, tudo isso devido a minha pressão ter subido muito rápido, e que ele poderia nascer antes do tempo. Quando ela me falou isso cai em lágrimas, chorei muito, mas muito. Chegando no quarto, a médica veio conversar comigo, e também me acalmou, me disse que eu iria tomar uma injeção para amadurecer o pulmão do meu filho, e que no dia seguinte eu iria fazer outro ultrassom, e caso eu estivesse com menos líquido teria que fazer uma cesárea, eu fiquei um pouco mais calma. Às 16:40 a enfermeira passou ouvindo o coraçãozinho que estava normal. Durante a noite por volta das 19:20 comecei a sentir uma dor parecida com cólica, chamei o enfermeiro que logo veio para ouvir o coraçãozinho, porém não conseguiu ouvir os batimentos e a dor só aumentava, o enfermeiro me levou para sala de pré parto, assim que cheguei o médico me examinou e me disse que teria que fazer uma cesárea de urgência, pois minha placenta estava descolada. Eu tremia e chorava tanto, tanto, que eu nem me lembrava da dor. Fui para sala de parto, foi tudo muito rápido, o anestesista me aplicou a anestesia e durante todo o procedimento eu ouvia choros de bebês que estavam nascendo, até que vi quando a pediatra passou com meu filho e tentou reanimá-lo. Meu filho já nasceu sem respirar, ele nasceu às 20:08. Quando a médica pediatra se aproximou de mim, me disse ”seu filho já nasceu sem respirar, fizemos todos os procedimentos, mas não tem mais o que fazer, sinto muito”. Essas foram as palavras dela, e eu naquele instante fiquei sem reação, e ela me perguntou seu queria vê-lo eu disse que sim, naquele momento um buraco sem fundo se abriu pra mim, eu queria muito trocar de lugar com o Murilo, meu marido e minha mãe entraram na sala tentando me acalmar, tentando esconder as lágrimas,  os dois sempre ao meu lado me dizendo para ser forte, minha mãe pegou o neto, o primeiro neto dela no colo. Olha, dói muito e eu não me perdôo por não ter pego ele no colo, mas eu estava lá anestesiada, tremendo muito devido o efeito da anestesia, e não o peguei no colo.
Eu não consigo entender, não consigo aceitar o porquê isso foi acontecer comigo, com o meu filho.
A missão do Murilo foi muito curta aqui na terra, e eu o amo muito, eu sei que irei carregar uma cicatriz que jamais irá se fechar, meu coração está partido em mil pedaços, eu pareço estar oca por dentro, um vazio aqui em meus braços. Eu acordo assustada com a mão na barriga, tive que tomar remédio para secar o leite, tive que passar pelo pior momento de minha vida, ter que sair daquela maternidade sem o meu filho, ter que enterrar meu filho, eu sei que minhas lágrimas serão eternas, porém eu vou amar meu Murilo até o fim dos meus dias.
Não existem palavras humanas para amenizar essa dor que sinto, mais tenho fé  que Deus vai me ajudar, e com o tempo essa dor irá amenizar.

Obrigado pela página, pela oportunidades que temos de  desabafar.

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