Além do simples ato de comer: o alimento constrói e une

Por – julho 2012

A alimentação é fonte de vida, é momento primordial de restauração física, emocional e social. Através dela, crianças se fortalecem de afeto, de segurança e confiança; ficam satisfeitas não apenas física, mas também emocionalmente.

Leite materno, leite na mamadeira: crianças se alimentam das trocas afetivas (positivas e negativas) estabelecidas durante o ato de alimentar-se e tem a possibilidade de construir vínculos, seja com os alimentos ou com quem as alimenta. Mães abastecem bebês de sentimentos e crianças são capazes de percebê-los, principalmente quando amamentadas. Tudo isso porque, junto com o leite, a mãe acolhe, acaricia, olha e conversa com bebês e, estes, por sua vez, percebem as mães e seu estado de animo (se estão ansiosas, irritadas, dedicadas, tranquilas, serenas, etc.), alimentando-se destas sensações.

Em seguida, leite no copo, papinhas e alimentos sólidos. A cada sabor e textura introduzidos na alimentação da criança, oferecemos a ela um momento de novas descobertas de si e do mundo que a cerca. Aos poucos, de acordo com sua fase de desenvolvimento, a criança se depara com novas possibilidades e novas habilidades como, por exemplo, sentar-se para comer, mastigar, engolir, usar as mãos para comer com colher e depois garfo. Ensiná-las a comer e deixá-las explorar o alimento, através do paladar, toque e cheiro, permite a criança se interessar pelo novo e diferente. Através deste prisma, entendemos que, alimentar é experimentar em todos os sentidos (biopsicossocial).

Portanto, crianças se alimentam todos os dias de experiências diversas, dentro e fora da família, que marcam e constroem sua história pessoal.

As refeições em família servem, também, como reforço do vínculo e convívio familiar. A alimentação é um dos momentos em que pais se tornam referência, colocam regras e disciplina; ensinam a criança a cuidar de si mesmo, identificar e valorizar o que é bom e ruim para ela, reforçando, ainda, comportamentos (alimentares e sociais saudáveis), que a criança levará para sempre consigo.

Hoje em dia, em função da vida com tantos compromissos diários, os desencontros familiares acontecem frequentemente. Pais trabalham fora de casa e, na maioria das vezes, não realizam as refeições com os filhos. Vemos crianças fazendo suas refeições sozinhas, sem regras e em lugares inadequados, comendo na frente da televisão ou computador, sem prestar atenção no como e do que estão se alimentando.

A vida atribulada e a falta de tempo no cotidiano das pessoas, não pode ser desculpa para as refeições em família deixarem de existir. Pais devem aproveitar estes momentos para aproximar a família, construir e compartilhar valores. As refeições em conjunto marcam e registram a unicidade familiar, fazendo valer o sentido de família. Portanto, são momentos que devem ocorrer de forma harmoniosa, sem grandes interferências externas (interrupções e discussões, por exemplo) difíceis de serem digeridas, onde mãe/pai devem escutar seus filhos, conversar sobre temas agradáveis e incontroversos; dar e receber afeto, retroalimentando a saúde familiar.

E aqui, ficam as perguntas:

Como usar atividades cotidianas, como as refeições, para dedicar-se à família, sentir as pessoas e compartilhar, alimentando-se diariamente dessa convivência?

Será que não dá para eleger uma refeição diária para fazerem todos juntos?

Fonte: http://www.ninguemcrescesozinho.com.br

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