As pessoas não sabem lidar com o luto alheio

Anastácia, 36 anos, advogada e mãe de anjo.

Gente! Muito sério! Precisamos falar sobre isso!

Sou viciada em grupos no Whatsapp, quem me conhece sabe. Descobri este recurso logo que soube da minha gravidez, e sempre me ajudou e ajuda demais! Quando soube do exame da Translucência Nucal alterada do meu bebê, logo entrei em um grupo. Quando a Síndrome de Down se confirmou, entrei em 11 grupos. Quando virei mãe de UTI, entrei em um grupo e quando virei mãe de anjo entrei em 3 grupos. Ah, e agora que sou tentante, entrei em mais 2 grupos. Também tenho 5 grupos da igreja e alguns da família, e alguns de amigas.

O que me chamou a atenção, em todas essas experiências, foram os relatos nos grupos de mães de anjo. Elas constantemente relatam o tamanho da dor que sentem por serem excluídas, rejeitadas ou negligenciadas pelas pessoas que tanto estimam após a perda de seus filhos. Nunca entendi… Sempre achei estranho… Dizem que na saída da escola do outro filho, as mães passaram a evitá-las, pessoas as excluíram de seu Facebook, bloquearam no Whatsapp e coisas assim. Eu não entendia essas atitudes. Até que elas começaram a acontecer comigo! O que eu percebi é que as pessoas NÃO SABEM LIDAR COM O LUTO ALHEIO.

Então vamos por partes.

Há as pessoas que não sabem como lidar com o meu luto e preferem fingir que nada aconteceu. Não tocam no assunto. NÃO GOSTO. Aconteceu e a boa educação, que se deveria receber em casa, dita que o mínimo que você tem a fazer é prestar solidariedade. Sabe por que existe a expressão “meus pêsames / meus sentimentos”? Para ser usada. Mostre que você é um ser senciente e por isso faz parte do meu rol de amizades.

Passado isso, vem a questão do “tocar no assunto”. Isso não me incomoda. Cada um reage de uma forma, pessoas muito próximas ou mais distantes, cada um lida da forma como pode. Não me incomoda. Eu não tenho problema algum em falar sobre absolutamente nada do que vivi até hoje, desde o dia que nasci. Nada. Portanto, sinta-se à vontade para falar, perguntar, enfim, o que quiser.

Agora, aonde eu queria chegar. As exclusões… Está acontecendo comigo, e agora entendo o que tantas mães estão passando. Eu continuo sendo a mesma, um ser humano, que vive, anda, toma banho, come, sai de casa, encontra pessoas, conversa, sorri, chora, se irrita, tem família, tem amigos, TEM WHATSAPP. Vocês que estão lendo sabem que eu tenho Facebook e Instagram, embora no nome da minha cachorra, já até coloquei foto minha. Tenho Twitter e Snapchat também, mas não sei usar.

Eu passei por uma experiência, cresci, amadureci, evoluí, resgatei, me traumatizei… MAS CONTINUO SENDO A MESMA PESSOA. Muito embora pessoas que conversavam comigo semanalmente, agora simplesmente finjam que eu não existo…

Engraçado que, quando eu soube que meu filho era sindrômico, isso não aconteceu. Então, qual é o problema? Porque algumas pessoas estiveram ao meu lado quando eu sofria horrores pelo “fruto longe da árvore” e agora não se importam mais comigo, mesmo sabendo que eu NÃO estou sofrendo? Assim, não é nada preocupante, é apenas um sofrimento meu, que não externo para ninguém, não fico chorando no ombro de ninguém. Tenho quase certeza que só me viram chorar os médicos e meu marido.

Esse post não é indireta para vocês, meus amigos, afinal, só está aqui quem se importa comigo, manda um oi no Whatsapp ou Messenger, ou se mostra como antes. Isto é um post público, para o público, pois como sabem, participo de muitos grupos e este post tem um alcance incrível. Então, minha gente, vamos aprender a lidar com o luto alheio, pois um dia quem vai estar em luto é você!! Pense nisso, pois precisamos falar sobre isso.

#ficaadica #julguemenosapoiemais #maisamorporfavor #maisamormenosdor

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1 comentário Adicione o seu

  1. Camila disse:

    Não existe mais empatia, ninguém coloca mais no lugar do outro. Estou passando por uma situação diferente, mas que tem o mesmo questionamento que o seu. Estou me divorciando, temos uma filha, éramos uma família….e ninguém pergunta, fazem que nada aconteceu, parece que não faz diferença.
    Conceitos como carinho, caridade, amizade e empatia não fazem parte da conduta da maioria. Mas ai se fosse com eles!
    Um beijo e fique bem!

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