Quando eu não escolhi ser mãe…

L., 25 anos, 2 filhas, universitária.

Desabafo Anônimo: Quando eu não escolhi ser mãe…

Acho a maternidade uma das coisas mais lindas do mundo. Me perco na poesia de gerar a pessoa que será o VERDADEIRO amor da sua vida. Eu achava que comigo seria planejado…Que ilusão! Eu tive o meu direito de escolher “quando eu queria ser mãe” tirado aos dezoito anos, quando meu então namorado insistentemente me coagiu a ter relações sem proteção, mesmo sabendo que eu não tomava anticoncepcional. O argumento dele às minhas negativas: “relaxa, sou estéril”. Ah, mas você acreditou? Que tola! Siiiiiim, eu acreditei! Siiiiim, eu o amava e confiava nele! Engravidei aos dezoito anos, contra minha vontade. Era pra ter sido uma descoberta feliz, mas chorei litros. Tantos sonhos seriam adiados. Mas enxuguei as lágrimas, encarei os fatos e, em momento algum, pensei em desistir da gravidez. Ela nasceu, linda, enorme, uma princesa que encheu minha vida de amor. Fiquei com o pai dela três anos, mas o relacionamento não sobreviveu à rede de mentiras que ele criou.

Segui minha vida com minha princesinha. Lutando para criá-la praticamente sozinha, afinal, 300 reais de pensão, dá pra nada. O tempo passou. Decidi que era hora de recomeçar, conheci outra pessoa, gostava da minha filha, da minha família, parecia ser um cara legal. Só parecia. Alguns meses juntos e ele começou a insistir pra ficarmos sem camisinha. Eu achava que não devíamos. Até que um dia, após uma festa que fomos juntos, ele me estuprou. Eu não quis mais olhar na cara dele. Pouco depois, descobri que estava grávida. Tive que engolir o orgulho e tentar falar com ele.

Uma semana após eu dizer a ele que estava grávida, ele foi embora para o Rio Grande do Sul (moro no Tocantins), nunca mais atendeu minhas ligações, me bloqueou no Whatsapp e não me responde no Facebook. E eu? Eu estou com uma bebê de 10 meses que nunca irá conhecer o pai e uma menina de 4 anos que o pai quase não dá assistência.

Amo infinitamente minhas filhas, mas me roubaram o direito de decidir quando tê-las. E isso dói. Ninguém mais do que eu se recrimina por ter confiado em homens não confiáveis. Me pergunto todos os dias como pude ser tão boba? Como pude ser ingênua? Fui enganada, estuprada, não tive direito sobre minhas vontades e meu corpo. E as consequências? Arco sozinha com elas, afinal, no Brasil é cultura, quem pariu que embale. Não é assim que dizem? Ah, mas e a Defensoria Pública? E a campanha Pai Presente? A Defensoria quer que a mãe localize os sujeitos. Pai presente aqui só existe no papel e em letras minúsculas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s