Como melhorar o desempenho do seu filho

Por Luzinete R. C. Carvalho – 03 Novembro 2015 – Visão Clara


– Boa tarde, estou telefonando para dar um retorno sobre a vaga para a qual se candidatou.

– Boa tarde, que bom, estava esperando seu retorno.

– Analisamos seu currículo com muita atenção, realmente você tem ótimas qualificações, um profissional completo, que demonstra muitas habilidades, mas lamento informar que a vaga de gerente de TI será entregue a outro candidato.

– Puxa… Que pena! Mas será que pode me dizer as razões de terem optado pelo outro candidato? Seria bom saber, isso me servirá para futuras entrevistas.

– Bom, analisamos aqui o seu currículo e vimos que você começou a dar “tchau” com 9 meses?

– Sim, foi isso mesmo, com 9 meses eu já acenava para as pessoas! Posso provar! Tenho os relatórios do berçário que eu frequentava, com tudo documentado, datas e até fotos!

– Não! Não é necessário, não estamos duvidando da informação!

– Mas então…

– É que o outro candidato, com esta mesma idade, já dava tchau, enviava beijinhos e dizia “tau”…

– Mas, mas, po-pode me dizer com que idade o outro candidato andou sozinho pela primeira vez?

– Humm… Deixe-me ver… Aqui está, com 14 meses.

– Pois então, reveja meu currículo, eu andei sozinho pela primeira vez, sem ajuda e sem apoios, com apenas 11 meses! Com 14 meses eu já até corria!!

– Lamento, mas a habilidade prioritária para a vaga é o “tchau”, e neste quesito o outro candidato foi bem mais precoce e completo… Nossa empresa manterá o seu currículo para futuras avaliações, desejo um melhor desempenho da próxima vez! Até mais.

– Tchau… Quero dizer, boa tarde!

Surreal pensar neste diálogo?

Mas só algo assim poderia justificar, ou explicar, a ânsia que nossa sociedade tem em mostrar que os bebês e as crianças conseguem fazer coisas cada vez mais precocemente.

Só algo assim para justificar, ou explicar, a procura incansável por escolas que propiciem uma grade acadêmica cada vez mais intensa e completa, para crianças cada vez mais novas.

Só se, realmente, fosse constar no currículo da pessoa, já adulta, todos os cursos feitos e habilidades adquiridas antes mesmo de completarem 7 anos.

Sempre falo que, em se tratando de desenvolvimento infantil, o mais importante é não pular fases, não apressar etapas.

Precisamos respeitar o tempo dos bebês e das crianças!

É importante não rotular (não anda ainda porque é preguiçoso), não fazer comparações (o seu priminho já sabe colocar os sapatos sozinhos), não pressionar de forma negativa (se não se sair bem ficarei muito triste com você).

Podemos, e devemos, propiciar para eles um ambiente seguro e estimulante, para que possam explorar com segurança, para que se sintam naturalmente impelidos a seguir sua incrível sede de descobrir o mundo e a vida.

Não são os brinquedos caros, os apetrechos cada vez mais incrementados, os vídeos ou jogos, que realmente fazem a diferença.

O que faz a diferença é o vínculo, é o contato humano, as brincadeiras com muito toque, olho no olho, no chão, na grama, no colo, com colo, com as mãos, com sorriso, com carinho e afeto, sem pressa, sem pressão…

O próprio ambiente do lar, juntamente com o contato íntimo e interessado dos pais e cuidadores, com a família, é suficiente para oferecer, na medida certa, os estímulos que um bebê precisa para seguir com seu desenvolvimento natural.

Não precisamos, nem devemos, transferir para nossos filhos as nossas angústias e ansiedades.

Sofremos muitas pressões externas que encontram as nossas próprias cobranças internas.

Sofremos, como pais, as comparações, e muitas vezes sentimos, que o comportamento e o desenvolvimento dos nossos filhos nos descreverá, como fracassados ou vencedores, na difícil tarefa de guiar e cuidar de uma criança.

Quando agimos assim, quando sentimos assim, perdemos todos.

Perdemos a oportunidade de exercer uma maternidade e paternidade de forma mais leve e divertida, perdemos de, em vez de competir, apoiar uns aos outros, e sentir a alegria que é ver a compreensão nos olhos de outros pais e mães.

Perdem os bebês e as crianças, inseridas em uma sociedade engolida pelo tempo, sem tempo para parar, e, simplesmente observar como é lindo um bebê se desenvolvendo no seu tempo, no seu ritmo único e belo.

E como sempre digo: no fim, não vai importar com quantos meses o seu bebê deu tchau, ou com quanto tempo andou, com qual idade aprendeu a escrever o próprio nome com letra cursiva.

Isso não serve, de nenhum modo, para um currículo.

Isso não serve, de forma positiva, para a vida.

Deixemos as crianças serem crianças enquanto são crianças.

Aproveitemos para aprender com as crianças enquanto é tempo, porque no fim, não são elas que precisam ir mais rápido, e sim, nós, que precisamos aprender a ir mais devagar, encontrando um ritmo pessoal que permita desfrutar da alegria de acompanhar uma criança.

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