Camila Santoro Rosa

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Prezadas,

Meu nome é Camila Santoro Rosa Corrêa, tenho 33 anos, sou casada e tenho um filho de 3 anos e meio. Sou Psicóloga de formação e atualmente trabalho em consultório particular, mas não foi sempre assim, anteriomente, eu trabalhei por um bom tempo com RH. Vou tentar contar por aqui um pouquinho da minha história.

Costumo brincar que na minha infância, diferente de todas as meninas que tinham como sonho casar de véu e grinalda na igreja, meu sonho era parir, eu achava que tinha vocação pra ser mãe, e assim fui, dentro do possível, amadurecendo essa idéia.

Em 2010, eu conheci meu marido, e reforçando a idéia de amor a primeira vista, fomos morar juntos no período de 3 meses. Bem cedo, começamos a sonhar em ter uma família. Eu vinha de uma família muito pequena e ele de uma bem grande, confesesso que a idéia de fazer parte de uma família volumosa, me deixava com ainda mais vontade de fazer ela aumentar, e a partir daí começamos a sonhar e planejar. Um dos sonhos, era termos muitos filhos, preferencialmente, vindos ao mundo através de parto domiciliar, o que na época ainda estava começando a ser falado.

Como tudo com a gente era muito rápido, março do ano seguinte fomos morar juntos, decidimos casar e após um mês, por um “descuido”, eu engravidei. Com certeza, foi uma das sensações mais maravilhosas que senti na vida, ao descobrir, fomos correndo anunciar aos familiares e amigos, pois a família ia mesmo crescer. Poucas semanas depois (Acredito que por volta da décima segunda semana de gestação), tive um sangramento muito forte, e pra minha surpresa, perdi o bebê. Digo pra minha surpresa, porque nunca imaginei que isso fosse acontecer comigo, pois sempre achava que minha vida, do jeito que estava, era quase perfeita. Não imaginava, que alguém como eu, que nutria um completo “desejo” de ser mãe, passaria por uma situação assim. Na ocasião, o médico que me acompanhava, estava na família há muito tempo, e ele me explicou que perdas como essa eram extremamente comuns. Orientou que continuássemos as nossas vidas, que éramos “jovens e saudáveis”, e que muito em breve, engravidaríamos de novo. É claro que para mim e para o meu marido, foi como um soco no estômago, pois quando tivemos a notícia do “positivo” fomos tomados por uma felicidade e ansiedade tão grandes, que acabamos fazendo o exame de sexagem, o que fez com que, saber o sexo do bebê antecipadamente, desse ainda mais contorno pra essa dor.

Família e amigos comunicados da perda e logo em seguida tentaríamos de novo, dessa vez, não tinha porquê dar errado.

Depois de 3 meses eu engravidei de novo, e desta vez, estávamos certos de que daria tudo certo. Continuei me consultando com o mesmo médico e ele foi nos acompanhando conforme o natural, fizemos os primeriros exames e tudo ok. A gravidez corria naturalmente, fizemos a primeira ultra e logo após, descobrimos o sexo do bebê, uma tão esperada menina, em uma família que só nascia homens. Acho válido um parênteses aqui, pois este bebê, seria o primeiro neto de ambas as partes das famílias. Como a gestação já beirava a décima oitava semana, todos os parentes próximos e amigos já sabiam da novidade, já havia presentinhos e coisas do tipo. Um dia comum, a tarde, senti uma forte dor de barriga, daquelas que a gente tem que correr pro banheiro, quando me dei conta, já havia muito sangue. Corri para o hospital, e a consequência foi uma curetagem, alguns dias em casa de repouso e um vazio imensurável no coração.

Após estas duas perdas, foram mais 4, em períodos gestacionais diversos, mas com a mesma dor. Em meio a tudo isso, muito desespero, descrença e falta de confiança em mim mesma. Minha vida perdeu o sentido, mesmo fazendo análise, em muitos momentos eu era tomada por uma solidão sem tamanho. Não havia nada, nem ninguém que pudesse me confortar! Na época, meu marido começou a pesquisar loucamente sobre o assunto, até que em um desses sites (tipo e-family e baby center), lendo cometários de pessoas com situações parecidas a nossa, encontramos a Thaisa Infurna. Muito provavelmente ela não tem nem noção de quanto nos ajudou com comentários e indicações.

Seguimos e finalmente, descobrimos a Trombofilia e podemos assim, iniciar as tentativas, já cientes de que deveríamos seguir a risca o tratamento. Duas semanas depois, engravidei! Foi uma gestação tensa, cheia de medos, dúvidas, ansiedade e “picadinhas de amor”. É claro, que depois de

toda essa saga, eu já havia encontrado uma médica que fizesse um acompanhamento mais específico pro meu caso, e na ocasião isso me deixava mais segura. Mas, ainda com todo cuidado, Bernardo, meu filho, nasceu com 34 semanas de gestação, o que nos rendeu 15 dias de UTI e algumas pequenas complicações.

Para ser mais sucinta; todo este processo foi uma batalha externa e principalmente interna, aprendi (na porrada mesmo), a ver a vida e principalmente as pessoas com outro olhar. Tudo isso foi muito transformador pra mim. Depois que meu filho nasceu, saí numa busca desenfreada por informação. Informações de vários tipos, que iam desde a Trombofilia em si, perda gestacional, prematuridade, poś parto até depressão puerperal. Eis que quando olhei pra mim, já estava completamnete envolvida e tomada por este mundo que permeia estes e outros tantos temas. Percebi que, na época, as pessoas já me procuravam para contar suas experiências e tirar algumas dúvidas, foi aí que decidi plenamente, que era sobre isso que eu queria falar. Esta era a minha grande paixão, e onde eu me sentia confortável para atuar e entrar em contato com as pessoas, de todos os tipos.

Fui aos poucos buscando grupos, pessoas, referências, veio o CineMaterna, outras ONGs, e hoje me encontro em formação. O que me motiva a estar nesse mundo é que descobri que o acolhimento que eu não tive, muito também porque não busquei, é o que de mais valioso eu tenho hoje para oferecer. Sigo nessa busca, leio muito, procuro emprestar integralmente a minha escuta para dar algum suporte e acolhimento a quem procura. Sou apaixonada pelo tema, e percebo que ainda há muito a compartilhar, e principalmente a aprender, porque no final das contas, tem muita gente por esse mundão aí precisando falar sobre isso.

Tentei ser breve, e com isso posso não ter me expressado da melhor forma possível. Gostaria imensamente de agradecer a oportunidade de dividir minha experiência com vocẽs e principalmente agradecer a oportunidade de fazer parte de um projeto tão bonito e sensível. Estou aqui, inteira, pro que precisarem!

Um grande beijo no coração de todas!

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