Olhei pela janela e pensei: vou pular!

Clarissa.

Desabafo Anônimo: Faz quatro anos que venho tentando engravidar. Já fiz de tudo: diagnósticos confusos, remédios caríssimos, benzedura, reza, promessa, floral, reiki, aquele exame desumano chamado de histerossalpingografia realizado sem anestesia e nada deu certo. Não tenho plano de saúde e apoio do marido, já que ele não quer ter filhos.

Estávamos viajando, meu marido, os pais dele e eu. Subimos uma construção enorme e eu olhei pela janela e pensei: vou pular! Aquela dor que me apertava o peito iria acabar e eu não ia precisar me esconder para chorar. Olhei bem: era fácil subir naquela janela e dar um passo a caminho do alívio. Mas aí eu vi meus sogros lá embaixo onde eu havia planejado cair e lembrei que eles não saberiam lidar com morte, liberação do corpo, traslado internacional, documentação e afins. Desisti.

Voltamos pra casa, seguiu a vida e eu pensava: não preciso pular, basta eu jogar o carro num poste ou numa árvore e pronto. Fiquei desempregada no início do ano e até hoje continuo sem trabalho. Não recebi nenhuma verba rescisória do empregador e a tristeza só aumenta. Consultei uma médica que me disse que somente através da fertilização in vitro eu teria 25% de chance de ter um filho e o valor desse tratamento é astronômico para mim.
Meu marido foi a apenas uma consulta na clínica, isso porque ele deveria coletar o material biológico para análise. Foi contrariado. Mesmo desempregada, paguei o exame dele.

Fiz o tratamento de indução de ovulação. Ele nunca perguntou sobre como estavam as consultas, paguei todas as medicações e ia na clínica a cada dois dias fazer a medicação intravenosa. Sempre sozinha. Nos dias que deveríamos transar, ele saia com os amigos. Logicamente não funcionou.
Hoje recebi a resposta de uma seleção de trabalho. Não sou o perfil. Fui lá na sacada e pensei: está chegando a hora de eu ver o mundo do lado de lá. Não vejo futuro para mim.
Obrigada por me deixarem compartilhar a minha dor.

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3 comentários Adicione o seu

  1. Sa disse:

    Clarissa, por tudo o que é mais sagrado: não queira ter um filho com alguém que não deseje MUITO. Desculpe pelo o que eu vou falar, sei que vou parecer grossa e crítica, nem te conheço mas te desejo o bem de coração e vou lhe dizer o que eu diria para uma irmã: você está brincando com a sorte. Eu sou filha de pais separados e tive um pai absolutamente ausente que não vi durante 9 anos, e olha que a gravidez da minha mãe foi bem-vinda! E por mais que a mulher se torne uma excelente mãe, a criança terá sempre sofrerá com o estigma de ter sido negligenciada pelo pai.
    Pense bem no seu caso: desempregada, com um homem que assumidamente não quer criar uma criança. E se vocês se separam, já imaginou como vai ficar a sua situação? Pelo seu relato, parece que você está deprimida (por favor, procure uma terapia). Como poderia lidar com um divórcio e um filho para cuidar sem estar mentalmente saudável para isso? Não seja otimista de pensar que um bebê de carne e osso fará com que o seu marido embarque no SEU SONHO. Não tente forçar a barra, apenas assuma que vocês tem vontades distintas e que cada um deve seguir sua vida. Filho é coisa seríssima, e neste caso não vale a pena fazer o outro abrir mão de sua (falta de) vontade. Procure um psicólogo para conversar sobre essa sua vontade de morrer. E se for realmente seu desejo criar um outro ser humano, pense na adoção. Uma criança não será mais ou menos amada porque não saiu de você.

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  2. Walquiria disse:

    Não fique assim, o desespero bate em nossa porta todos os dias e sei bem como é isso, mas lembre-se que no final tudo da certo. As vezes Deus está te livrando e livrando o seu bebê de uma vida infeliz com este homem, tenha fé. Tudo dará certo.

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  3. gabi disse:

    Querida, larga desse marido. Seu sonho é ser mãe então vá atras desse sonho. Já pensou em adoção? É o ato mais lindo que o ser humano pode fazer, o mais lindo de todos. Você irá amar a criança e irá se realizar como tantas familias que eu conheço. Não perca a chance de amar uma criança, você ainda será feliz e será uma ótima mãe.

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