O desabafo de uma mãe negligenciada

Lidiane Braga Fidelis Vieira

Do luto à luta. O desabafo de uma mãe negligenciada. Através de um grito sofrido, muitas lágrimas inconsoláveis e algumas palavras escritas vocês conheceram o Benjamin, um bebezinho alegre, doce, cheio de sorrisos… o meu eterno vermelhinho que por descaso sofreu durante 40 dias num leito de hospital. Conheceram a mim, uma jovem de 29 anos, casada, anônima, mãe de primeira viagem, hoje marcada pela dor crônica de alguém que perde um filho vítima do erro e negligencia dos “bancos” da saúde, instituições preocupadas com economias burras, com profissionais despreparados, incompetentes. Um sistema de saúde que não preza pela humanização.

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Meu filho foi entregue para morrer nos meus braços no dia 10 de setembro, desde então, do luto à luta, sigo meus dias tentando provar minhas denúncias contra a instituição que negligenciou a mim e ao meu bebezinho, que aos três meses entrou num hospital para ser cuidado e que pela falta de preparo da instituição e dos profissionais foi entregue à morte, mas que lutou durante 40 dias para viver. Ele se foi, mas me deixou a missão de continuar sua luta pela vida. Passados quase dois meses do seu falecimento, e após tantos relatos de outras famílias que na época não tiveram forças para gritar, vejo que as histórias se repetem, trocando apenas as vítimas. Deixo aqui a minha tragédia como alerta para outras mães, sigam o seu sentido materno. No dia que levei meu filho ao hospital pela segunda vez, saí de lá com um diagnóstico errado e com uma bronca da médica: “mãe, não traga seu filho aqui por qualquer dorzinha…”. Mães, sejam vistas, reclamem, evidenciem o seu sentido materno. Deixo aqui também o meu alerta aos profissionais da saúde que são responsáveis e dignos em seus cargos: lutem por um sistema de saúde humanizado, vocês são mães, pais, filhos. Não enxerguem aquela mãe que chora em desespero com descaso, enxerguem como alguém que luta pela vida e acredita até o último minuto que enquanto há vida há esperança. Poderia ser seu filho, sua mãe… seu familiar!

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Olhem para o outro com mais humanidade. Estamos entregando a vocês o que temos de mais precioso. A vida tem valor. Quem perde não esquece, e a dor é irreparável. Lutem por instituições hospitalares justas, humanizadas. Não aceitem que a roleta russa da saúde continue tirando a vida de inocentes iguais ao meu filho. Destruíram uma família, acabaram com sonhos. Apagaram o sorriso de uma criança e deixaram mais uma mãe órfã. Enquanto eu viver as lembranças do meu Benjamin serão eternas. Eu vivi ao seu lado os dias mais felizes da minha vida! Acordávamos e dormíamos juntos. Ele foi e sempre será minha maior prova de amor genuíno. Sigo minha luta. Esse é meu alerta, a minha história e a minha dor. Lidiane

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