Meu filho sabe que tem duas mães e ama as duas da mesma forma

Juliana, 1 filho, 21 anos

Desabafo Anônimo: Aos 15 anos me assumi lésbica para toda a família e como sentia não ser muito aceita pelos parentes, me forcei a transar com homens e fingir que gostava daquilo. Arrumei um ficante que não era da cidade e um mês depois estava grávida. Mesmo tomando anticoncepcional e me cuidando, engravidei!

Não sofri muito, pois meu sonho sempre foi ser mãe. Meus pais aceitaram normalmente, porém queriam que o pai assumisse. Quando contei para o meu parceiro, ele simplesmente disse que era estéril e o filho não era dele! Eu sabia que era porque nem de homens eu gostava e ele era o único que eu ficava só para minha família se acalmar. Resolvi, mesmo assim, seguir com a gravidez não pensei em aborto pois eu estava feliz. Meu filho nasceu saudável e fomos nos sustentando da forma que podíamos.

Aprendi que ser mãe não é um mar de rosas, que maternidade é muito mais que amor, principalmente quando se é mãe solo! Tive depressão pós-parto e só pensava em me livrar do bebê. Só não fiz besteira graças à minha mãe, que largou o emprego pra ficar comigo. Não tive acompanhamento psicológico, porque não tinha dinheiro muito menos plano de saúde, tive que me reerguer sozinha. Com 17 anos aprendi a tirar forças de onde não tinha, aprendi a me amar mais e a amar um filho!

Me recuperei da depressão quando já estava definhando e tentei suicídio. Quando minha mãe sentou comigo e me mostrou que não era a melhor saída, meu filho estava com 6 meses e foi quando comecei a ser mãe de verdade! Eu me culpava todos os dias por não dar um pai a ele, por faltar coisas para ele e pelo pai ter sumido sem nem registrar… mas mesmo assim levantei! Quando meu filho estava com 7 meses recebi a notícia de que o pai havia falecido (ele depositava uma pequena quantia todos os meses e nesse mês não tinha depositado resolvi ligar..). Descobri também que ele era casado há 10 anos e meu mundo caiu novamente. Não sabia que ele era casado e fiquei me culpando novamente por ser uma idiota e por meu filho não ter pai.

Três meses depois consegui um emprego que não era lá muita coisa, afinal eu era menor de idade ainda! Um dia, quando voltei do emprego, meu irmão tinha levado uma amiga para nossa casa, me apaixonei por ela de cara. Eu já estava sem me relacionar com ninguém desde a gravidez… Ela tinha ido passar uns dias na nossa casa. Eu tinha 17 e ela 16 anos, foi tiro certeiro! Nos apaixonamos e passamos a criar meu filho que tinha 10 meses juntas!

Os dias que ela foi passar na minha casa se estenderam e viraram semanas, meses, anos e ficamos juntas desde aquele dia morando na mesma casa até hoje! Hoje nosso filho está com 4 anos, nós duas trabalhamos sem precisar da ajuda de ninguém e enfim hoje eu posso dizer que nós somos felizes, eu e meu filho. Eu descobri com ele que um pai não faz a mínima diferença na vida de uma criança. Hoje ele sabe que tem duas mães e ama as duas da mesma forma, sabe que o pai faleceu e sabe de toda nossa história. Hoje somos uma família que luta todos os dias pelo nosso amor…

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