Suicídio Materno

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Por Rafaela Schiavo – 30 Setembro 2016


No mês de setembro é realizada uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, conhecido como Setembro Amarelo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) 9 em cada 10 casos de suicídio poderiam ter sido prevenidos.
Não há dados de prevalência de ideação suicida no período gravídico puerperal no Brasil, mas uma pesquisa realizada com 358 gestantes indicou que 7,8% dessas apresentaram ideação suicida (Fonseca-Machado et al., 2015). Alguns dos fatores de risco para a ideação suicida no período gravídico-puerperal são: gravidez na adolescência, gravidez não desejada, ter passado por violência física e sexual na infância, sofrer violência doméstica e aborto legalmente restrito, além de transtornos mentais agudos nesse período.

Para todos os casos citados é possível o oferecer ajuda profissional e social, mas para isso é importante discutir o assunto, é importante que as pessoas possam mudar seu olhar sobre a grávida e puérpera, é necessário entender que esse é um momento potencial de crise, que pode acarretar em riscos graves para a mulher como para a criança. No geral os sujeitos demonstram sim que algo não está indo bem, há mudanças no seu comportamento, às vezes muito sutil, mas há mudanças.

Muitas vezes a pessoa com pensamento suicida fala com seus familiares, amigos e até com profissionais sobre o seu pensamento, quando levada a sério essa fala e esse sentimento pode-se iniciar então um cuidado maior com essa pessoa, recebendo apoio familiar e profissional. Também pode ocorrer descaso por parte desses, fazendo com que o sujeito com a ideia suicida sinta que não tem mesmo com quem contar, não tem apoio, e não encontra soluções para conseguir encarar as dificuldades vivenciadas podendo então recorrer ao suicídio como atitude extrema.

Em uma pesquisa realizada por Reis et al. (2015) com gestantes com sintomas psiquiátricos não psicóticos identificou que 61% delas apresentavam alta ansiedade e ideação suicida. Dentre os sintomas psiquiátricos a depressão e a psicose são os que apresentam maior frequência entre os seus sintomas, a co-morbidade de pensamento suicida, no período gravídico puerperal. A psicose puerperal é um transtorno raro e com uma prevalência de 1 caso a cada 1000 partos, já os sintomas de depressão são mais frequentes com prevalência de 20% na população de mulheres que estão vivenciando o período gravídico puerperal.

A gestação e o pós-parto são momentos de muita alegria para uma boa parcela das pessoas, entretanto, há também um elevado número de ansiedade, preocupação e estresse em decorrência desses fatos, por isso, é indispensável um olhar responsável dos profissionais da saúde que atendem essa população. Os profissionais não podem ser negligentes idealizando o fenômeno da maternidade. A gestação e pós-parto são sim um fator de risco para alterações emocionais importantes no ciclo de desenvolvimento feminino que não pode continuar a ser ignorado pelos profissionais.

Quanto aos familiares e demais redes sociais é preciso oferecer apoio as gestantes e puérperas, acolher suas emoções sem julgamentos, oferecendo suporte para que a mulher consiga sentir–se amada, amparada e protegida, superando os pensamentos suicidas decorridos das dificuldades sentidas e vividas. Criar espaços nas comunidades onde possa haver discussões e reflexões a cerca das questões da maternidade pode ser uma iniciativa para o início de um contexto de prevenção.

Referencias
FONSECA-MACHADO, M. O et al. Sob a sombra da maternidade: gravidez, ideação suicida e violência por parceiro intimo. Rev. Panam. Salud Publica., v.37, n.4/5, 2015. In: http://www.scielosp.org/pdf/rpsp/v37n4-5/v37n4-5a11.pdf

REIS, L. T et al. Rastreamento de sintomas psiquiátricos não psicóticos entre gestantes de um município do estado de Mato Grosso. J. Nurs. Health., v.5, n.2, p. 141-152, 2015. In:
https://www.periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/enfermagem/article/view/5327/4552

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