Sobre dormir (ou a falta que faz)

Por Elisama Santos – 23 Agosto 2016 – Tudo Eu


Assunto recorrente aqui. Assunto recorrente na vida de mãe. A gente ouve que vai dormir pouco e acha que vai dar conta. Ou pior, acredita na nossa mãe (Mãe, eu acho que você esqueceu, tá?) que jura que nunca perdeu uma noite sequer por conta do bebê. E se ilude. Miga, cê não dá conta não. É coisa de doido. Na realidade, doida define bem a nossa confusão mental. Porque a gente esquece o próprio nome e como escrever palavras simples como “carro”. Depois de noites terríveis o raciocínio vira uma piada e a memória um quebra cabeça difícil de montar. Pra saber se escovei os dentes eu aperto a escova pra ver se está molhada. E visto roupa pelo avesso. Ah, o humor pós noite picotada. Te desafio a acordar (sem dormir, como?) feliz, sorridente e amando a maternidade depois de uma noite em que seu filho acordou quatro vezes. Ou DE-HORA-EM-HORA. Sim, tem dia que rola dessas. Ou depois de ser acordada por uma criança gritando loucamente por conta de um pesadelo – demora uns minutos até você lembrar que não está em uma cena de Pânico, com um mascarado te seguindo com uma faca na mão. Eu já chorei de sono. Sim, chorei – e choro quando ainda rola. Sério, sentei na cama e chorei mais que os meninos. Nunca nessa vida eu imaginei que adulto chora de sono. Mais uma surpresa da vida de mãe. O sono deixa a gente irracional. Essa noite eu gritei um cala a boca pra minha filha de dois anos, como se o medo fosse canção de ninar. Filha, mamãe te ama. Mas com o sono apertando a mente eu não lembro nem quem eu sou, imagine do resto… Depois de recuperar a sanidade mental, nos limites em que a madrugada permite, a gente pede perdão e se sente uma mãe de merda por ser hostil em vez de acolher. É assim, a falta de sono aflora uma personalidade macabra que a gente nem sabe que existe. Eu já gritei com um recém nascido, chorando, louca e descabelada – se duvidar babando também – perguntando o que ele queria pra dormir. Não, não compara com as noites perdidas na farra. O negócio aqui é muito diferente. Já disse e repito, é coisa de doido, miga. Mas a gente segue, razoavelmente funcional, e sonhando com a noite em que vamos dormir até acordar – e não sermos acordadas.

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