O Apego

Por María Bilbao – 06 Abril 2016 – Fundación Eduardo Punset


O apego é o vínculo afetivo que se estabelece quando somos bebês e através deste vamos implantando todos os sistemas do nosso psiquismo. O apego é fundamental para nossa saúde mental e configura a forma como nos relacionamos com outras pessoas. Uma figura de apego é aquela em que a pessoa vai se refugiar em situações difíceis. Para o bebê normalmente corresponde com a pessoa que exerce os seus cuidados. O apego é essencial para o desenvolvimento do bebê, nascemos completamente dependentes e não só o nosso corpo está se ajustando à medida que crescemos, mas nossa psique (mente, emoções, sentimentos, pensamentos) também vai sendo construída.

O apego está relacionado com os processos de desenvolvimento de dependência-autonomia e toma forma de um pêndulo, ou seja, conforme o bebê ou a criança vai adquirindo mais habilidades, também se dá um balanço entre dependência e autonomia. Então, às vezes há pais que acreditam que seu filho sofreu um retrocesso quando antes era muito autônomo e estava feliz na escola maternal e agora parece ter “mamitis” (expressão em espanhol, quando a criança só quer a mãe o tempo todo). Na maioria dos casos não é que tenha regredido, possivelmente, alcançou outro estágio evolutivo no qual vai adquirindo um outro grau de autonomia e às vezes é preciso voltar um pouco atrás para dar um salto. É importante respeitar os processos e ritmos da criança, pensando que cada indivíduo é único e que o que é válido para um não é necessariamente para as outras. Por esta razão, a independência excessiva de uma criança nem sempre é sinônimo de boa saúde ou um indicador de que é muito inteligente, pode ser um indicador patológico.

Apego seguro

É aquele que indica que a criança tem vínculo adequado com as suas figuras de referência. Estas podem ser um ou mais de um: mãe, pai, avós, cuidadores. Tem a ver com as pessoas próximas provedoras de cuidados. São diferentes uma figura afetiva de uma figura de apego, já que pode haver uma relação afetiva mas sem relação de apego. A presença da figura de apego acalma a criança, a ela irá acudir quando tenha angústia.

O apego seguro é medido pela reação do bebê quando não vê a mãe. De uma criança com apego seguro é esperado que chore ou se inquiete quando não está presente a sua figura de apego: mãe / pai. A intensidade do choro tem a ver com o próprio temperamento do bebê. Uma criança saudável é gradualmente capaz de retomar o seu jogo, curiosidade, etc e quando a figura de apego reaparece retomar os beijos, o sorriso.

Para que haja um bom apego o mais importante é a qualidade do tempo gasto com a criança e o temperamento dos pais. Não é obrigatória a realização de práticas de cuidado, instrução e educação naturais, especialmente se os pais não se sentem confortáveis com isso, no entanto, manter um bom relacionamento de calma ajuda para uma boa vinculação. Embora o bom apego não garanta uma boa saúde mental, isso dá à criança recursos para relacionar-se, para regular-se e oferece um bom prognóstico para sua saúde mental.

Existem diferentes tipos de apego que irá influenciar a personalidade da criança:

Apego desorganizado

Quando uma criança tem apego desorganizado significa que não existe um vínculo adequado porque os cuidadores têm respostas que não seguem um padrão previsível ou são assustadores. Também dá este tipo de apego quando o adulto teme frequentemente frente à criança e apresenta inconsistências em suas respostas.

Estas crianças dão uma resposta contraditória frente à figura de apego, por um lado correm procurando a mãe ou o pai quando não a veem e, em seguida, afastam-se ou chorar quando ela sai, mas rejeitam ou ignoram quando entra. As crianças com este tipo de apego podem ser consideradas TDAH, psicóticas, etc., porque muitas vezes têm problemas de comportamento e ansiedade intensa. Quando se tornam adultos são pessoas instáveis e, possivelmente, com dificuldade de confiar nas pessoas e de se relacionar com as pessoas.

Apego evitativo

Este tipo de apego está presente em crianças cujos cuidadores lhes dá uma resposta de indisponibilidade com demasiada frequência, isto é, como um padrão de resposta habitual. Deixar chorar até que a criança se acalme quando é muito pequena, ignorar comportamentos de demanda ou não conter birras, etc., podem gerar uma resposta do sistema nervoso, em forma de ansiedade e hiper excitabilidade e um tipo de apego esquivo, o que é conhecido como desamparo aprendido. A criança não gera uma demanda porque ela aprende a não esperar uma resposta dos seus cuidadores. Em seguida, começam a mostrar um desinteresse evidente, não que se torne mais forte, é que se defende desse sentimento de abandono.

As crianças com este tipo de apego quando não veem seu cuidador aparentam indolência, apatia e quando o veem novamente não demonstram afeto. São crianças aparentemente muito independentes, elas tendem a ser aproblemáticas para um ambiente insensível, embora sejam um pouco irritáveis, tal qual as crianças com apego desorganizado, não choram quando deixadas com outros adultos, dessa forma elas normalmente não são consideradas problemáticas até que aparecem problemas de comportamento. Podem ser excessivamente tímidos ou extrovertidos porém com relações superficiais.

Quando crescem podem ser adultos desconfiados, aparentemente, muito independentes, podem ser pessoas excessivamente tímidas ou extrovertidas, mas relacionamentos superficiais com grande dificuldade para aprofundar o vínculo ou para se envolver pessoalmente com outra pessoa pela angústia que a proximidade lhe causa.


Traduzido livremente do espanhol por Thais Cimino, equipe Temos que falar sobre isso.

Fonte – https://apolpunset.fundacionmapfre.org/el-apego

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