Apenas respeito me bastaria

Desabafo Anônimo: Acabei de ler um texto em que dizia que a maternidade tem que ser leve, “deixe a bagunça pra lá e busque a paz.” Queria não ficar chateada ao ler isso por ver que não consigo aplicar.
Tenho duas filhas, gêmeas, de dois meses e meio, as coisas entre nós estão melhorando, não estão chorando tanto quanto antes, estão mamando bem gostosinho, golfavam muito que até engasgavam, agora já é mais difícil.

Sou mãe solo, moro com meus pais e um irmão, que me ajudam muito, me sinto até ingrata, mas estou cansada e minha mãe faz tudo parecer mais pesado, pois cuidou de três filhos, da casa e da comida sozinha e joga na minha cara que não consigo limpar a casa e nem dar conta dos trabalhos da faculdade. Ontem uma das minhas filhas chorou muito antes de dormir e acabei chorando junto. Minha mãe chega, pega ela e pergunta por que eu chorava. Respondi “tô cansada”. Ela bufou. Não quero nem citar as coisas que me incomodam pra não ficar mais chateada.

Não tenho o direito nem de opinar na criação delas, pois meus pais querem tudo do jeito deles. Fazem planos a longo prazo pras meninas como se elas fossem morar o resto da vida com eles, aliás, até já falaram nisso, se eu arrumar alguém e casar, será uma verdadeira guerra levá-las comigo e não duvido que será uma novela, mesmo que eu arrume um cantinho só pra mim e elas. Fim de semana passado, visitamos uma amiga da família que contou que a neta quis continuar morando com ela depois que a mãe saiu de casa, minha mãe ficou cheia e até fazendo piada sobre. Tenho medo, quero minha casa o quanto antes…

No primeiro mês pensei seriamente em sumir e deixar as meninas com eles, mas me sinto mais forte e empoderada; não vou abrir mão das pessoas que estão me fazendo evoluir tanto. Ao mesmo tempo me sinto impotente, muito impotente, pois preciso de ajuda e minha mãe é do tipo rancorosa, a única vez que tentei conversar sobre algo que não me agradava, ela surtou, me falou um monte e não me ajudou mais em nada e foi bem na época do ápice do choro das meninas.

Não quero que minhas filhas cresçam como eu, sou uma rebelde obediente, quase uma hipócrita. Procuro me manter informada, busco fugir do sistema, mas não consigo aplicar na minha vida, minha mãe sempre me podou. Depois que engravidei tomei consciência que nunca tive voz, tanto que meus dois únicos namorados me dominavam. Mesmo já consciente sobre relacionamentos abusivos, meu segundo namorado me forçava a transar com ele e eu nunca conseguia me impor (hoje tenho nojo dele e de mim por permitir), até que engravidei e dei um basta; digo porque sou desrespeitada, pois aprendi a ser assim. Falam muito sobre apoio às mães, mas não peço isso, apenas respeito me bastaria.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Debora disse:

    Querida, me sinto muito identificada com a sua história. Pra mim, me deu forças pra continuar sabendo que não sou a única que sofro assim! Não é frescura! Mesmo que as pessoas tentam menosprezar o que você está sentindo, vc está fazendo um bom trabalho com as suas filhas! Como eu sei disso? Porque sei que vc está fazendo o melhor que pode e isso mostra seu amor por elas 🙂 e gêmeas??? Meu Deus, eh bastante trabalho e vc está dando conta! Parabéns! O que me ajudou muito é fazer terapia, tem muitos lugares que atendem grátis procura na Internet e escolha um psicólogo que vc se identifica!

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