O olhar da sociedade

Por Luzinete R. C. Carvalho (Psicanalista) – 16 Outubro 2015 – Visão Clara


Há algum tempo, em uma mesma semana, vi várias postagens no Facebook sobre pais e mães que tinham tido dias difíceis com seus filhos.

Relatos trazendo um lado que faz parte da exigente tarefa de cuidar dos filhos.

Nesses relatos sempre fica evidente o lado cansativo e desagradável.

O lado que se sobressai, justamente, quando as coisas saem do suposto controle, quando estamos mais apressados, ou mais preocupados, ou mais cansados.

Quando podemos estar desconectados, não apenas dos filhos, mas principalmente de nós mesmos.

Eram relatos de situações comuns, simples até, de crianças sendo crianças e pais tentando ser pais.

Crianças não aceitando facilmente algo que lhes foi proposto, crianças testando a si mesmas e desenvolvendo a persistência.

E pais precisando manter o que foi proposto, sem poder ceder por diversos motivos, e desenvolvendo a capacidade de orientar corretamente a persistência dos pequenos.

E até aí tudo bem.

Tudo parte da relação entre pais e filhos pequenos, parte do processo de ajuda na construção de uma relação respeitosa e saudável.

O que me entristeceu nos relatos, foi como os pais e mães descreveram as situações como extremamente estressantes, não por causa da situação em si, não por causa dos bebês ou crianças, mas por causa das críticas que receberam das pessoas ao redor, conhecidas e desconhecidas.

Críticas que foram feitas com frases e olhares.

Que as crianças também tenham seus dias de humor ruim, de desagrados, de estresses que simplesmente ainda não sabem nomear, eu entendo e aceito bem.

Que pais e mães, as vezes, precisem lidar com isso de forma mais incisiva do que gostariam, é natural, e absolutamente compreensível.

O que me é difícil aceitar, ou entender, é que a sociedade olhe com olhos tão cruéis para uma mãe ou pai que está ajudando o filho pequeno a lidar com suas emoções conflitantes e naturais para a idade!

São esses olhares cheios de julgamentos e cobranças que tornam tudo muito mais difícil.

São esses olhares cruéis que nos deixam nervosos além da conta, sem saber o que fazer, sem conseguir encontrar um ponto de paz e equilíbrio interior, para então podermos lidar com a situação de forma positiva!

Dias mais difíceis existem, sempre existirão, e a gente realmente aprende a lidar com eles cada vez melhor e mais rápido.

Difícil mesmo é aprender a lidar com esses olhares cheios de julgamento e crítica severa, vazios de empatia…

Esses olhares de gente que está vendo apenas 5 minutos da vida daquela mãe ou pai.

Esses olhares de quem que não conhece a mãe nem o pai, não sabe das suas lutas nem das suas dores, não conhece seus esforços nem sua dedicação para com os filhos, e ainda assim, JULGA duramente.

Julga um momento ou uma situação como se aquilo definisse toda a vida daquele pai e daquela mãe.

Como se aquele único instante que presenciou definisse o sucesso ou o fracasso daquela mulher como mãe e daquele homem como pai.

Para quem, certamente, já se viu em situações assim, sob olhares sem empatia, preciso dizer que lamento muito, mas que isso ainda vai acontecer outras vezes.

E que pouco, ou nada, podemos fazer quanto aos olhares.

Não podemos controlar como nos olham.

Mas podemos escolher como receberemos esses olhares…

Para esses pais e mães, digo que sigam em frente, acreditando na educação e nos cuidados que escolheram dedicar aos seus filhos.

Digo que seus filhos são maravilhosos, e são HUMANOS, vez ou outra terão dias de mau humor, como qualquer humano mais velho.

E que isso não significa que toda a educação e cuidados que dedicaram a eles está errado ou inválido.

Isso significa apenas que crianças também são seres humanos, e também ficam de mau humor, também tem dias em que estão mais estressados ou agitados, também tem momentos de maiores conflitos e menos diálogo.

A sociedade cobra das crianças aquilo que nem os adultos são capazes.

Sigam em frente porque seus filhos são maravilhosos, e assim são, porque tem como exemplo pais maravilhosos!

Precisamos desenvolver a serenidade, e nem tanto para lidar com nossos filhos, isso, uma relação saudável e autêntica, dá conta.

A serenidade precisamos desenvolver para poder lidar com a sociedade.

Serenos, aprendemos a não permitir que as cobranças de gente que não caminhou nossos passos, que não conhece nossas batalhas, nos tire o equilíbrio, a vontade, a Fé…

Sigamos em frente.

E através de filhos bem cuidados e bem criados, logo este olhar cruel da sociedade não mais existirá.

Este olhar será transformado.

Pois a sociedade será formada pelos pequenos que vemos crescer dentro de nossas casas, e eles certamente saberão olhar tudo, e todos, com mais empatia e Amor!

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