Meu coração ainda está partido, uma dor que não tem explicação!

Priscila

Desabafo Anônimo: Oi.Sou mãe de uma linda princesa de 10 anos, sou professora de educação infantil e uma mulher incompleta.

Após 10 anos usando anticoncepcional, eu e meu marido decidimos ter outro bebê. Fomos ao médico, realizamos exames e, liberados, tudo certo, em outubro de 2015 parei com o anticoncepcional. No mês seguinte menstruei e depois parou. Fiquei assustada, mas a médica me falou que demoraria a sair o remédio do organismo e assim, uma gestação seria pra depois de uns 3 meses. Fui à médica, fiz exames e tinha um folículo no ovário esquerdo. Ela disse que era normal e por causa de muitos anos usando remédio, esperei até sair naturalmente e voltar a menstruar.

Em maio apareceu uma bolinha embaixo do meu braço esquerdo e uma dor insuportável. Fiquei com muito medo de um câncer de mama, marquei consulta com outra médica, pois a minha não poderia me atender. A médica me ouviu e foi digitando no computador. Não me examinou nem me olhou direito e quando perguntei o que era, ela disse que poderia ser muita coisa. Eu perguntei se poderia ser uma gestação e ela foi ríspida,  disse que esse não era um sinal de gestação e que se eu quisesse engravidar deveria parar de falar e achar que estava grávida.

Cheguei em casa e comecei a pensar na dor nos meus seios e logo veio a certeza dentro de mim: estou grávida! Falei pro meu marido, que ficou empolgado. No outro dia fiz um exame de farmácia, positivo, e na sequência um exame de sangue, positivo!
Felizes, empolgados, minha filha estava radiante! Começamos a fazer planos, escolher nomes a comprar roupas…
Fui à minha médica que me deu uma ecografia de rotina. Fui fazer o exame e outra surpresa: uma gestação gemelar, gêmeos univitelinos. Foi um susto muito grande, meu marido quase passou mal! Passado o susto, a alegria de ser mãe de dois! Iniciamos os preparativos, eram dois, um parto possivelmente prematuro…e a vontade de ver se eram meninos ou meninas!

Minha médica me deu a segunda ecografia. Fomos empolgados: eu, meu marido e minha filha. Queríamos ver o sexo deles e ver como estavam. O médico iniciou o exame, olhou e começou a perguntar se eu tive sangramento, dores. E eu: “Claro que não!” Ele, muito delicado, explicou que eles não tinham batimentos, não tinham mais vida! Meu mundo caiu.  Naquele momento eu me tornei outra pessoa.
Meu marido triste, minha filha chorando, saímos da clínica arrasados. Contamos aos familiares e eu fui dormir com aquele aborto retido. Chorei a noite toda! Chorei, confesso, até dormindo. Muita tristeza…

Me preparei para a curetagem, fui para a Emergência do hospital. A médica examinou e disse que precisava fazer a curetagem e que antes eu teria que dilatar o colo do útero. Me internei, não deixaram meu marido me ver e nem entrar. Fiquei só, chorei o dia todo, de dores físicas e psicológicas! Fiz a curetagem,fui muito bem, meu corpo ainda está voltando ao normal, tentando entender que não tem mais bebês. E após 15 dias, meu coração ainda está partido, uma dor que não tem explicação! Uma dor silenciosa, que me deixa incompleta, acho que nunca vou esquecer isso! Todo mundo fala: “logo você tem outro”. E quem disse que eu quero outro? Eu queria esse, esse tinha que ter dado certo! Eram esses meus filhos e meus bebês! Acho que a dor nunca vai passar, mas já estou me acostumando com ela.

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