Procurei ajuda mas não me sinto ajudada

Anônima, 3 filhos, dentista.

Desabafo Anônimo: Tenho 3 filhos, um no céu e dois na terra. Eu tinha um relacionamento estável há 4 anos quando engravidei do primeiro bebê – que perdi – e um ano depois engravidei da minha Pequena. Aos 3 meses de gestação descobri que o meu marido me traía.  Terminei e segui sozinha com a ajuda dos meus pais e amigos. Foi muito triste na época: emagreci durante a gestação, tive uma depressão séria, mas quando a Pequena nasceu eu renasci.

Foi uma época muito difícil mas eu consegui superar o abandono dele como pessoa, homem e pai. O fato de ele desaparecer machucava, mas era bom. Eu tinha a Pequena só para mim.

Quando ela tinha 8 meses eu me envolvi com um colega de escola, com quem nunca tinha perdido amizade e o relacionamento deu certo. Ele “adotou” a Pequena de todo o coração, assim como toda a familia dele, e entre eles existe uma linda história de amor entre pai e filha que me emociona muito. Temos mais um filho, o Pequeno, e a diferença de idade entre os dois é de apenas dois anos. Não existe qualquer diferença de tratamento ou de amor entre meu marido e meus filhos.

Tudo ia muito bem em nossas vidas até o início do ano, quando o pai biológico da Pequena resolveu aparecer. Resolveu mesmo, do nada. Me mandou um e-mail dizendo que agora ele queria ter mais contato com ela. Eu e meu marido ainda comentamos: “muito fácil agora, seis anos depois”. Respondi que tudo bem, que ele podia pegá-la em seu tempo de convivência e assim foi feito.

Optamos por fazer tudo pela Justiça, porque logicamente os problemas começaram a aparecer. A Pequena chama meu marido de pai. O pai biológico deu faniquito e começou a exigir que ela chamasse a esposa dele de mãe. E ela chama, porque pra ela, se ele é o pai, ela é a mãe, assim como eu sou a mãe e meu marido é o pai. Na minha cabeça isso é muito complexo, porque meu marido tem tempo de convívio e AMOR para formar esse vínculo, enquanto a esposa do pai biológico não, mas tudo bem. É o que faz sentido para ela e a psicóloga que acompanha o nosso caso no Ministério Público solicitou que a gente deixasse as coisas caminharem do jeito dela.

Enfim. Como se não bastasse a relação extremamente hostil com o pai biológico da Pequena, os afazeres da vida – mãe, esposa, do lar, trabalhar fora, correria, pressões da sociedade etc – o processo na Justiça, as humilhações no trabalho, entre tantas outras coisas, a Pequena chega um dia e fala: “Eu fiz um bolo de fubá com queijo com a minha mãe”. Eu arregalei os olhos totalmente sem reação. “Eu quero dizer a minha outra mãe”, ela tentou completar, mas nisso eu já estava sem fôlego e sem ar. E tive minha primeira crise de pânico. Na frente das crianças, sozinha em casa numa quarta-feira às 19 horas.

Depois disso foi ladeira abaixo. Crise de pânico, automutilação, rolando na cama o tempo todo, dormindo 12, 13 horas por noite. Meu marido chega do trabalho e eu vou para a cama. As vezes não são nem 20 horas. Choro o tempo todo. Não quero tomar banho. Não quero comer. Procurei ajuda, mas não me sinto ajudada. Os médicos me passaram remédios – que me renderam 14kg a mais em 2 meses – mas eu não me sinto melhor.

Eu me sinto traída pela Pequena. E me sinto um monstro por isso. Me sinto péssima por não querer que ela goste da outra família. Tenho raiva porque eles mexeram completamente com a estrutura da minha vida, do meu núcleo familiar. Com ela ou perto dela, sempre falo bem deles. Pergunto como foi o final de semana, faço elogios aos programas que eles fazem, mas por dentro eu me sinto corroída. Quando falo bem dele, sinto que traio a mim mesma porque não é o que realmente penso, entende?

Eu não sei mais o que fazer. Ás vezes eu acordo e não sinto nada. Ás vezes acordo e sinto toda a tristeza do mundo. Ás vezes acordo e não queria ter acordado. Estou completamente perdida.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s