Elisa (Lisa) Pagliari

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A Vida tem caminhos engraçados!

Há quase um ano, no dia 15 de novembro de 2015, morria a Elisa que até então eu conhecia. E Nascia João Pedro, meu primeiro filho. Minha gravidez foi planejada, minha gestação tranquila. Esperei pelo parto normal, mas sem muita convicção e implorei pela cesárea no meio do caminho. Acho que fui a única mulher do mundo que não chorou quando viu o filho nas mãos do médico. Aquilo parecia tão surreal, tão absurdo, era como se não fosse eu. Era como se eu estivesse vendo as cenas da vida de outra pessoa.

Nos dias que se seguiram, a mãe Elisa foi nascendo, e uma parte de mim, morrendo. Que dor! Assim como eu fugi da dor física do parto, passei a tentar desesperadamente fugir da dor emocional que eu sentia. Foram dias sombrios. Ninguém jamais havia me dito que um puerpério podia ser tão sofrido. Eu estava pronta para o cansaço, eu estava pronta para a dor dos pontos, para as fraldas sujas, para as cólicas, mas nem nos meus piores pesadelos, eu imaginei que sentiria tanta tristeza, angústia, desespero. E doía tanto que era quase físico. Essa experiência me marcou profundamente, mais do que o nascimento do meu próprio filho, a morte da velha Elisa.

Tive problemas para amamentar. Problemas que não consegui superar. Meu filho foi desmamado aos 15 dias. Passei 3 meses ordenhando leite, dando na mamadeira, me sentindo o fracasso em forma de mãe. Dei muita mamadeira chorando, pedindo perdão pro João Pedro, ainda por meses a fio. Tudo que eu lia a respeito do “ser mãe”, do “amor de mãe”, não se encaixava em mim. Me sentia indigna do filho que carregava nos braços.

Até que, lendo a respeito do que eu estava passando, encontrei o Temos que Falar sobre Isso. Quem diria! Meu encontro com o TQFSI foi como “desabafante”. E a partir dos desabafos, pude olhar de frente para os meus sentimentos e começou o processo de ressignificação de tudo que vivi. Me apaixonei pelo projeto da Thais. Aprendi uma palavra nova que não conhecia: sororidade. E me senti desejosa de apoiar outras mulheres em seus desafios na maternidade.

Hoje, tenho o prazer de estar entrando para essa equipe. E espero contribuir, ainda que indiretamente, para que mais mulheres se fortaleçam em suas dificuldades. Se empoderem. Se sintam livres e seguras para crescerem como mães e como seres humanos. E que essa experiência também me faça crescer. Que me faça uma mãe melhor para o João Pedro e uma mulher mais forte para o mundo.

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