O caçula chegou. E agora?

Por Teresa Ruas – 31 Agosto 2016


A chegada de um novo membro causam mudanças efetivas na estrutura familiar. Isto é uma realidade.

Dentre as grandes mudanças que os pais enfrentarão, certamente, o ciúme do filho primogênito será uma delas.

Se pararmos para refletir, verificaremos que o ciúme pode ser um sentimento que surge em diversos momentos e fases de nossas vidas, seja no ambiente familiar, seja no ambiente escolar e/ou nas relações de trabalho no mundo adulto.

Imaginem então uma criança que ainda está em pleno desenvolvimento emocional, social e totalmente dependente da atenção/afeto parental, ter que dividir a relação afetiva com seus pais diante da chegada de um irmão mais novo.

Evidentemente, que esta situação de divisão da atenção e de afeto causará ciúmes no primogênito, pois até então, ele nem tinha o papel social e familiar de filho mais velho. Ele era único e reinava diante dos olhos da mamãe e do papai.

Várias pesquisas sobre o desenvolvimento afetivo apontam uma relação direta entre a idade e a expressão do ciúme. Ou seja, quanto mais nova for a criança, maior será a frequência e a qualidade dos comportamentos que expressam o ciúme.

Sabe-se que a fase entre o segundo ano até o quarto ano e meio, quase cinco anos é o período mais difícil para a criança compreender e assumir esta nova realidade de não ser mais o filho único. Certamente, o ciúme aparecerá nas outras idades. Porém, como a criança, a partir dos cinco anos, consegue manter melhores relações sociais e afetivas fora do ambiente familiar, como na escola, por exemplo, a expressão do ciúme pode ter outra qualidade e frequência.

Alguns sinais e comportamentos devem ter muita atenção e uma dose extra de paciência e de aceitação por parte dos pais.

Crianças menores, frequentemente, demonstram alguma “regressão”, como, por exemplo, voltar a fazer xixi na cama, desejar a chupeta novamente, retornar ao berço para dormir, aumentar a birra e o choro diante de situações banais.

A agressividade com o irmão mais novo e com os próprios pais também pode ocorrer. Puxar os cabelos do pequeno, morder mãos e pés, apertar o irmão e até mesmo bater nos pais pode ser um cenário frequente nos primeiros meses após a chegada do caçula.

O isolamento e a quietude do mais velho não devem ser vistos como aspectos positivos pelos pais, pois apesar do primogênito estar quietinho e nem dando tanto trabalho assim, estes comportamentos também expressam ciúme e uma dificuldade em lidar com a sua nova função familiar.

Sabe-se que toda esta nova realidade com o mais velho pode gerar estresse nos pais. Porém, os castigos e as repreensões devem dar lugar a muitas conversas, abraços acolhedores e demonstrações de afeto que validem o quanto aquele filho é amado pelos pais. Só não devemos confundir os castigos com os limites necessários a cada situação.

Não alterar a rotina de atividades diárias que tinha com o primogênito é um excelente caminho. Se os pais estavam acostumados a dar banho, a contar histórias antes de dormir e/ou brincar após o jantar, tentem manter. Isto demonstrará à criança o quanto ela é amada e importante para os pais.

Portanto, mudanças radicais na vida da criança devem acontecer antes da chegada do caçula. A entrada para a escola, por exemplo, não pode ser associada com esta nova realidade.

Além disso, os pais devem realizar brincadeiras e atividades em que os dois filhos, mesmo que em idades diferentes, consigam se relacionar e compartilhar o mesmo momento prazeroso com os mesmos.

Por último, devemos tomar cuidado com as “responsabilidades” que damos ao filho mais velho. Com certeza é bem interessante que ele participe das atividades do caçula, ajudando a mãe no banho, na troca de fraldas e etc., mas não podemos nos esquecer que, em vários momentos, ele não quer ajudar e, sim ser cuidado também.

Tarefa fácil? Não. Extremamente difícil. Portanto, a preparação para a chegada do caçula deve envolver todos os membros da família, não apenas o primogênito.

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