Fui traída e sofro de depressão pós-parto

Sarah, 1 filha, estudante, 17 anos

Desabafo Anônimo: Lógico que eu já tinha pensado em ter filhos, mas não, eu não fiquei feliz!
Era manhã quando ele me ligou e sussurrou baixinho no telefone: “Positivo…”, eu apenas desliguei e se passou um filme pela minha cabeça: faculdade, ensino médio, amigos, era fim, eu tinha feito 16 anos não tinha nem 1 semana e agora essa, eu estava grávida.
Eu não queria! Abortar seria melhor forma de seguir em frente, eu já havia ouvido falar de remédios, procuramos e nada.
Até que decidimos que seria muito arriscado, juntamos nossas famílias. Ele contou, eu não tive coragem. Meu pai, que nunca havia me dado assistência havia vindo de outra cidade apenas para isso. Minha mãe gritou, brigou, chorou, fez questão de repetir milhões de vezes o quanto estava decepcionada, até que uma semana depois ela ligou para minha sogra, juntou todas minhas coisas dentro de sacolas e me expulsou de casa.
Foi complicado… Minha mãe, que sempre cuidou de mim sozinha, custou a voltar falar comigo, meu namorado, que agora eu chamava de marido parecia se importar mais com seu video game do que comigo.
Eu não gostava desses “frufrus” que cercavam bebês, queria que fosse menino, pelo menos não teria essa palhaçada de lacinhos rosas. É, eu queria, meu “marido” queria, mas não era, era uma menininha.
A última fase da minha gravidez foi complicada, moradora de uma cidade pequena, onde a corrupção na prefeitura rola solta e só existe um obstetra para fazer os partos pelo SUS não consegui correr de uma cesariana desnecessária. Fui privada de dar a luz e sentia vergonha disso, minto até hoje que tive descolamento de placenta para justificar.
Minha recuperação foi sofrida, e no meio dela eis que além da minha filha cai sobre mim uma bomba: traição. Ele me traiu com uma grande amiga, que eu não tinha muito contato, mas que para mim significava muito.
Eu saí de lá, passei uma semana na casa da minha avó na roça para me isolar do mundo.
Me sentia um lixo, ele havia me trocado, ela com certeza era mais bonita que eu. Me olhava no espelho, via um ser esquelético com uma barriga estranha por conta do pós parto e uma coluna torta, resultado de uma forte escoliose. Foi aí que minha menina se tornou um peso, que eu me tornei um peso.
Cuidar dela? Não, simplesmente eu não queria. “Me deixe um minuto, quero viver o luto…”
Mas não foi um minuto, passaram-se meses e não melhorei, deixava ela nas costas da minha mãe, queria sumir. Foi pior depois do meu aniversario de 17 anos que por coincidência foi o dia que acabou minha licença maternidade e tive que voltar estudar, para mim ela havia destruído minha vida. Faculdade? Essa palavra não existia mais no meu vocabulário.
Eram muitas humilhações, até dentro da minha casa, lembro bem de um dia que iam todos sair e eu ficaria sozinha e uma mulher perguntou para minha mãe se eu não traria “homem” para dentro de casa, e a advertiu para ter cuidado, pois quando uma menina começa arrumar um filho arrumaria vários.
Eu planejava ir embora de casa, largar minha filha com minha mãe e viver sozinha. Seria livre, como sempre quis e sem o cargo que para mim a minha bebê representava.
Foi aí que minha mãe resolveu procurar tratamento. Não tem sido fácil! Muitos dizem que depressão pós-parto não existe, muitos culpam a precocidade da minha gravidez pela depressão, dizem que é “falta de maturidade”, tem dias que não quero ver minha filha, tem dias que a amo mais que tudo. Tem dias que morro por ela, tem dias que só quero morrer. Mas o mais importante é que aprendi que ser mãe não é como em comerciais de fraldas, e às vezes nem vale a pena como dizem.
Entendi que se permitir sofrer me faz sofrer menos, muitos não me entendem, até mesmo minhas amigas, talvez um dia entenderão, mas até lá já estarei bem e se possível as ajudarei.

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