No fundo estou realmente sozinha

Desabafo Anônimo: Quando eu era criança, com 11 anos de idade, meus pais se divorciaram. No inicio eu não senti o quanto aquilo seria prejudicial para minha vida, até perceber que ele nunca mais seria o pai presente, amoroso. Ele passou a ignorar a mim e a minha irmã, a não nos visitar mais, a ter outra família, outros filhos. Ele havia nos abandonado. E eu sempre me perguntei o motivo dele ter feito isso conosco. Por que nos deixou? Por que construiu outra família e não quis mais saber que existíamos? O que tínhamos para deixar de nos amar?

Ver minha mãe que se dedicou anos a fio por uma família, ver um de seus membros mais importantes irem embora machucando todos os membros restantes. Minha mãe sofreu e muito. Sem trabalho e cuidando de duas filhas com o emocional abaladíssimo. Ela ficou duplamente ferida, a dor da traição, da separação, das filhas que “perderam” o pai, ela o marido e ainda sem emprego.

A vida foi passando, as dores são cicatrizadas, a mágoa passou mas não esse abismo enorme e essas perguntas sem respostas. E isso traz muitas consequências negativas na vida de alguém. A auto-estima é baixa, problemas emocionais surgem, ansiedade, remédios, relacionamentos afetivos ruins e essas dores vão se acumulando. No fundo, no fundo você acredita que não merece ser amada e suporta qualquer migalha achando que é muita coisa, por ser um ser tão indigno de amor, qualquer coisa basta. Mas não basta qualquer migalha não, fere mais ainda. É uma bola de neve.

E agora me vejo como aquela menina de 11 anos de novo procurando motivos e respostas para certas atitudes. É obvio a culpa era minha por não ter escolhido bem. Será mesmo culpa minha? Gravida de uma menininha, mas vejo muita negligência por parte do pai. Não vejo amor e cuidado “ah vai vestir qualquer coisa. Ela não é melhor do que ninguém”. Não se importa com o parto, não vai a consultas, se afasta cada dia porque trabalha demais.

É muito dolorido ver que estou passando por tudo novamente, desta vez não mais como filha, mas como mãe. Tem horas que eu acho que rejeito minha bebê, as vezes não quero falar sobre o assunto, choro, tenho medo de ser uma mãe ruim consumida pela tristeza. Medo de estar cada vez mais só, mas no fundo estou realmente sozinha e tentando me conformar com as injustiças desse mundo.

Dói muito me ver nessa realidade, sem trabalho, com um bebê, com medo, sem ter terminado a faculdade ainda, sem perspectiva de trabalho para alguém que tanto estudou, teve uma boa educação. Vejo minha vida indo por água a baixo. Vejo minha filha sem a presença do pai e isso me angustia, fere.

Pessoas tem que pensar melhor antes de ter filho, porque não são um simples brinquedo. São seres que precisam de amor, cuidado, compreensão. Principalmente amor! Muito amor!

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