Quero apoio, mas não quero que me controlem…

Ingres. 36 semanas de gestação. Professora. 25 anos

Desabafo Anônimo: Escrevo, pois preciso falar, colocar para fora de algum jeito o que me aflige tanto.
Estou grávida, já com 36 semanas. Engravidei do meu namorado que na época conhecia há poucos meses. E sim, acidentes acontecem… Problemas ginecológicos com uma pitada de descuido e pronto!
Eu sempre soube que não seria fácil, mas ao passar do tempo ao invés de as coisas melhorarem, parece que elas só pioram.
Eu queria engravidar em um futuro não muito distante, quando encontrasse uma pessoa legal que estivesse na mesma vibe que eu, que me passasse segurança e confiança. Queria estar estável financeiramente, ter a minha casa, as minhas coisas, uma vida independente. Queria estar preparada também psicologicamente, pois sempre fui frágil nesse quesito.
Mas ao invés disso estou vendo meus planos que eram tão possíveis e de curto prazo se tornarem tão difíceis e distantes. Mas isso ainda não é nada comparada à preocupação e frustração que sinto quando penso no tão pouco que posso proporcionar a essa criança que está no meu ventre.
Já a amo, a quero muito, já sinto que ela é a parte mais importante de mim e da minha vida. Mas me sinto pequena.
Não posso lhe dar uma casa, um canto só nosso, com espaço e privacidade. Não posso lhe dar um pai presente, pois não moro com meu namorado e, sinceramente, não sei até que ponto ele vai se doar na criação dessa criança. Também tenho dúvidas sobre esse tal amor que ele diz sentir por mim, pois mesmo podendo, ele não faz muita questão que nos vejamos, ficamos juntos somente aos finais de semana. Não o vejo sonhando comigo, querendo formar uma família, fazendo planos, procurando melhorar a condição financeira, saindo do comodismo. Sinto que se não fosse minha gravidez, faria menos questão ainda de estar comigo.
Também tem a questão da minha família. Todos estão felizes e animados, tanto que às vezes me fazem sentir como se eu não tivesse o controle da minha própria vida, parece todos querem me desapropriar desse papel de mãe, acham que não estou preparada, me vêem como imatura… E isso me mata, me desanima, me entristece, me deprime. Não tenho privacidade, não tenho respeito, não tenho voz, não tenho opções de escolha.
Eu sei que isso vai passar, as coisas se ajeitam com o tempo. Mas não sei o tanto de tempo que vai demorar e me entristece saber que até lá terei que me indispor com muita gente… Também me vejo travando uma batalha interna, comigo mesma, uma luta solitária.
Só queria privacidade para mim e para minha filha, queria me sentir amada, queria ter apoio (sem me sentir controlada).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s