É como se arrancasse um pedaço de mim

KR, 27 anos, 1 filho

Desabafo Anônimo: Se arrependimento matasse ou, podemos falar, se pudéssemos voltar no tempo.

Tenho 27 anos , uma filha linda, mas minha gravidez dela foi um grande susto. Eu namorava fazia pouco tempo, até que fiquei grávida. Eu queria, mas morria de medo, em nenhum momento pensei em aborto. Meu maior medo era em relação ao meus pais, mesmo eu já tendo 23 anos. Trabalhava e tomava conta das minhas coisas, meu esposo hoje me apoiou em tudo. Compramos nossa casa, casamos, com direito a festa e tudo e eu ainda não havia contado pro meu pai que eu estava grávida. Minha mãe sabia e me julgava o tempo todo, só faltou ter me chamado de puta o resto ela me xingava o tempo todo quando me via. Às vezes acho, que meio, que me obrigou a casar, porque no meu casamento foi tudo ela quem escolheu.

Bom, quando contei pro meu pai que estava grávida, ele nem me xingou nem nada, nunca me disse nada, mas eu sofri minha gravidez inteira. Até através do meu esposo, que no tempo que eu estava gravida, havia uma garota atras dele, ou sei lá, se ele atrás dela. Mas mesmo assim perdoei e continuei com ele pela nossa filha que iria nascer. Chegou o grande dia e lá fui eu para o hospital para ter a minha princesinha em meus braços. Minha mãe ficou o tempo todo do meu lado e eu via aquele serzinho frágil na minha frente. Não sabia se eu iria saber cuidar, morria de medo de dar um banho e quem deu o primeiro banho foi minha mãe. E assim foi nosso primeiro mês, ela sempre descia na minha casa pra dar banho no bebê. Até que um dia eu acabei dando banho e me acostumei com a ideia que agora eu era a mãe e teria que aprender a cuidar.

Terminou minha dieta e eu teria que voltar a trabalhar, de medo de perder meu emprego. Minha bebê precisava de mim, mas eu também precisava trabalhar por que tinha que pagar minha casa e ajudar a comprar as coisas para ela, meu esposo não ganhava muito. Quando deu uns quarenta e pouquinhos dias eu voltei com dor no coração, mas eu voltei a trabalhar e deixei minha bebê com minha mãe. Foi aí que meu pesadelo começou: ela queria mandar, até no jeito de eu pegar o meu bebê. Não podia beijar, ela que queria levar ao médico, tudo ela queria fazer e quando eu ia fazer algo pra minha filha ela me criticava que não era daquele jeito, que era do jeito que ela fazia e dai por diante só brigamos.

Até que um dia ela me disse que somente minha filha era bem vinda lá e que eu só aparecia lá para atrapalhar. Isso me doeu tanto! Deixei minha filha lá porque não tinha aonde deixar. Vim trabalhar aos prantos, não tinha mais por onde sair choro e foi aí que fui atrás de uma escola para ela ficar, porque minha mãe cuidava bem, mas mimava muito. Até que ela ensinou minha filha a chamar ela de mãe. Aquilo me doía mais ainda.

Quando coloquei ela na escola minha mãe ia arrodear e ficava sondando o tempo todo, como se eu tivesse tomado um filho dela e não o meu. Aqueles dias não foram fáceis, mas eu não deixei mais com ela, somente em ferias de escola e mesmo assim, minha filha não queira vir embora, comigo só chorava, fazia birra e parecia que minha filha não gostava de mim. E com tudo isso eu só me afastei da minha família, falei que nunca mais ia pisar lá, e ela chegou a falar pra tia do meu marido que ia atras da justiça para pegar minha filha e que ela era pra ser dela e não minha. Mas jurei que, pela guarda da minha filha, sou capaz de tudo e que jamais iria tomar ela de mim, e que se fizesse isso a guerra iria ser para sempre.

Com o nascimento do meu sobrinho/afilhado eu acabei voltando a conviver com eles, mas eu não ia direto, era um dia sim outro não. Os dias em que eu ia na casa deles, minha filha muda completamente, um minuto que fique, ela fica diferente, não quer vir embora, começa a só brigar comigo. Não sei o que eles falam, ou fazem mas ela muda não parece ser a mesma.

Até que ontem minha mãe me pediu para que eu deixasse hoje ela passar o dia e não mandasse pra escola. Eu deixei, mas me arrependi, mais um vez, porque chego lá e minha filha muda completamente. No momento em que cheguei para almoçar, ela ficou feliz em me ver, mas quando estava quase na hora de eu voltar a trabalhar minha filha começou a falar “Mãe já está na hora do você ir trabalhar, você não vai trabalhar? vai de uma vez? Já está na hora” como se estivesse me atropelando dali. Parecia que queria me ver longe dali de uma vez. Até perguntei por que ela queria que eu fosse, ela não me respondia só me dizia pra vir trabalhar. Aquilo me doeu muito, falei que vinha trabalhar e nunca mais ia voltar, já que ela estava me atropelando, que iria sair dali e nem ia aparecer mais por ali. Ela veio e me pediu desculpas, prometeu que não iria mais fazer assim. Saí e vim trabalhar.

Agora ela está lá com a vó dela e eu aqui trabalhando, pedindo pra Deus que esse dia acabe logo pra poder pegar ela e ir pra minha casa e de agora em diante aprender, que isso não vai mudar nunca.

Aí vem minha perguntas, será que minha filha ama mais minha mãe do que eu? Será que eu não sou uma mãe legal? Ou sou uma péssima mãe? Poxa faço de tudo, tudo o que ela quer eu compro. Ela mostra amor quando está comigo, mas quando está perto da minha mãe ela muda, até parece feitiço. E tudo isso é como se arrancasse um pedaço de mim.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Flavia Vianna disse:

    KR, entendo seu desespero. Quando minha filha nasceu e eu voltei ao trabalho minha mãe também ficava com ela pra mim. Sempre cuidou com todo o amor e todo o carinho, fazia as comidinhas, seguia os horários. Muitas vezes fiquei com muitos ciúmes com medo da minha filha gostar mais dela do que de mim, já que ela fazia o papel de mãe a maior parte do dia. Até mesmo tentar ensinar minha filha a chamá-la de mãe ela tentou, mas eu conversei com ela e pedi que não fizesse isso. Ela era avó, não mãe, e que isso ficasse claro. Minha filha também fazia essas birras porque meus pais deixam ela fazer o que quer enquanto eu sou a chata cheia das regras. : /

    Depois eu me casei e mudei. Coloquei meus filhos em uma escola e meus pais ficam com eles apenas quando eu realmente preciso. Confesso que deu um certo alívio, entende? Com o tempo fui firmando os papéis de cada um nessa história. Quando eu acho que eles passam dos limites, puxo o freio. Hoje em dias meus pais e as crianças encontram todos os finais de semana e as vezes um dia na semana. Eles morrem de saudades uns dos outros, eu também sinto saudades dos meus pais, mas eu acho que precisamos ter espaço para a nossa família.

    Te aconselho a seguir sua vida com seu esposo e filha durante semana, sem nenhuma intervenção e reserve um dia do final de semana para visitar sua mãe e sogra. Quando alguém for muito invasivo, seja firme. Converse com respeito, mas seja firme. Você é a mãe. Só você.

    Um beijo

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