A rotina de mãe cansa

Pâmela Benites


Desabafo anônimo: Alguém se sente assim? Cansaço… É uma palavra que vem a cabeça para descrever momentos em que passamos. O cansaço não é apenas físico, é também mental e emocional. Sim, além de você não conseguir dar conta de afazeres domésticos como uma casa limpa e arrumada, você também não dá conta de seus pensamentos, angústias e preocupações e tudo isso somado à rotina resulta em variações de humor que te deixam louca. É fácil perguntar para uma mãe porque sua casa não pára limpa, porque não dá para fazer a comida da casa e do bebê junto, porque você está sempre reclamando, porque nada está bom… A questão não é as coisas estarem boas ou não, e sim que ninguém é de ferro. Não há nada de errado querer um tempo para si, fazer as coisas que gosta, ouvir uma música que não seja a galinha pintadinha, querer algo que não seja o que o outro quer, até porque ninguém é igual. Individualidade sempre foi meu forte e ultimamente tenho abrido mão até disso para o bem viver de todos. Rotina cansa sim! Não se arrumar cansa sim! Não saber reconhecer se as pessoas que estão do seu lado estão contigo ou contra ti pelo que escrevem me deixam no mínimo confusa. Sim, escolhi ser mãe e assumo meu papel apesar de reclamar às vezes, mas sei que independente do que eu diga eu amo minha filha e sempre vou estar aqui para cuidar dela. Mas a rotina e as lembranças de decepções machucam, corroem, doem e perturbam muito… Às vezes o sentimento é de gostar do inimigo, estar sempre na defesa esperando que a pessoa te ataque e te machuque de novo, mesmo que ela demonstre o contrário. E na real é esse cansaço emocional que mais pesa. No momento a fase é robótica, acordar, amamentar, trocar a bebê, guardar as roupas da bebê e as que estão espalhadas pelo sofá, fazer a comida da bebê e da casa, lavar a louça, arrumar coisas do curso, arrumar a cama, ajeitar mais alguma bagunça desse meio tempo, fazer suquinho e frutinha da bebê, trocar de novo, tomar um café, lavar a louça de novo, dar banho (ajudar no caso), fazer janta (às vezes), dar comida para a bebê, lavar a louça de novo (ela brota, só pode), tomar banho, amamentar e deitar. Nesse tempo nossa autoestima vai lá para o chão, pois não dá vontade nem de tirar o pijama, se sentir inútil é terrível. Estou cansada… Exausta… Desanimada e ainda assim tento sorrir… Mas há uma tristeza que ronda e faz com que a gente “vire a casaca”. Ah a tristeza! Essa me ronda há anos, vem repentina e toma conta de tudo, sem motivo aparente, mas sei que ela vem por tudo que está guardado em meu peito e que não tive oportunidade e nem coragem de botar para fora. Ela vem também por eu não ter coragem de ser má com quem foi comigo mesmo eu querendo, e isso faz a gente se sentir pior ainda. Dizem que essa fase passa, então espero que passe logo… Apesar de tudo sei que posso agradecer pela filha linda que tenho e por ter saúde, uma cirurgia bem sucedida e onde morar. Que nada falte e o que tiver que acontecer, aconteça!

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