Engolia as palavras das pessoas e levantava da cama

Franciellen Roncada. 2 filhos. Atendente de loja. 25 anos

Desabafo Anônimo: Boa noite, sou de Sorocaba e estou na minha terceira gestação . Tenho um menino de 2 anos, uma menina de 10 meses e estou com dois meses de gravidez.

Tudo começou na primeira gestação, descobri que teria um bebê, então depois de vários vômitos e idas a hospitais. Me atestaram com hiperemese gravídica, eram dias sem ver o sol, deitada, pressão baixa, internações, anemia.

Era como se todas as outras pessoas pudessem ver a barriga crescer e se sentir feliz ! Compravam roupinhas e artigos de bebê, enquanto eu implorava, orava para que pudesse acabar aquela sensação horrível. Minha família se esforçava para ajudar e mesmo assim, alguns, já não entendiam. Meu esposo fazia comida contrariado. Mal ia me visitar no hospital.

Com sete meses e meio veio as complicações da hiperemese e o bebê teve que nascer. Após o parto tudo mudou. Me senti ótima, acreditem a dor da cesária não era nada comparado aos sintomas da hiperemese. Meu esposo voltou a se aproximar, amamentei ele até 3 meses , quando os médicos confundiram pedra na vesícula, com hepatite e pediram que parasse de amamentar.

Passado esse desentendimento, voltei a cuidar do meu bebê bem de pertinho . Mas logo veio a notícia, teríamos mais um bebê, uma menina. Veio os enjôos, os hospitais, a fraqueza, perca de peso. No meu trabalho ? Foi difícil aceitarem a situação. Largava cliente sozinho pra ir ao banheiro vomitar ! Foi um caos. As pessoas riam, diziam pelas costas : ” Alá, ta grávida e agora fica de frescura, deviam mandar embora por justa causa”.

As brigas em casa aumentando e eu tentando fingir que conseguia lavar o banheiro, lavar roupa, ir ao mercado . Engolia as palavras das pessoas e levantava da cama . Pedi saída do hospital , me recusava a tomar medicamentos e dizia está tudo bem !

Ia ao banheiro escondida, chorava sozinha e assim os dias foram passando. Com 8 meses, acordava ia ao banheiro me trancava pra que ninguém visse eu vomitar, respirava e a noite até ajudava meu esposo num trailer de lanche . Aos noves meses a bolsa estourou, o enjoo teve fim e eu havia mais uma vez vencido essa doença . Foi com muita respiração, e força porque perdi cerca de 12 quilos nessa gestação .

Hoje minha bebê tem 10 meses, eu estava planejando o aniversário de um ano dela e descubro que, mais uma vez, ao invés de ensinar minha bebê a falar, vou passar dias entre a cama e o hospital , porque estou com dois meses de gestação. Tento não pensar, não sentir, mas essa doença é incontrolável, vem forte e consome o físico e o meu psicológico de uma forma inexplicável!. Não adianta pedir ajuda, não adianta tentar explicar , as pessoas me olham com desprezo e eu continuo sendo obrigada a cumprir as tarefas diárias. Só quem passou sabe como é !

Nesse momento a pessoa que está do meu lado não se importa com isso, pra ele estou sendo só “frescurenta” e tonta: “esquece isso”, “pare de pensar nisso”, “não se finja de doente” , “levanta, você não ta ruim assim”. Como, me diz como, passar por isso mais uma vez , tendo que ser simplesmente normal perante todos. Pra não perder o marido a família e o trabalho e ainda dar amor e carinho as filhos ?

Por isso estou aqui, me colocando a disposição para ajudar outras pessoas que sofrem com isso também. Pois eu já desisti de tentar falar sobre o assunto com as pessoas próximas que mal estão se importando. Buscando forças através de pedir a vocês que coloquem em pauta várias vezes e que repassem para o mundo o quanto é importante esse assunto. Poderia escrever muitos mais detalhes, mas espero que o meu relato possa fazer algumas pessoas repensarem seu modo de agir perante a hiperemese gravídica.

1 comentário Adicione o seu

  1. LUDMILA RAQUEL disse:

    Um abraço forte pra você, viu? Bem forte! Tive hiperemese também, passei a gestação inteira sem conseguir trabalhar, louca pra que tudo terminasse logo. Você é muito forte, muito mesmo. Não sei como você conseguiu se controlar dessa forma. E ainda teve amor suficiente pra se dispor a ser mãe novamente, eu traumatizei de um jeito que uso três métodos contraceptivos ao mesmo tempo. Você é uma fortaleza e vai vencer novamente! Pesquise artigos científicos na internet e dê para o seu marido e seus familiares lerem, quem sabe os médicos falando eles não acreditem. Muita força pra você, viu, vai passar! Um abraço!

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