Na prática

Por Letícia Contilde – 30 Julho 2016


Na prática, todas essas teorias me pareceram uma bosta.
As pessoas olham, apontam, julgam, indagam; dá tranquilamente para se sentir na santa inquisição sendo mãe nos dias de hoje.
Umas apontam pelo tipo de parto. Olhos enviesados.. “parto muito louco” referindo-se ao processo humanizado.
Digo, a quem interessar, foi a minha melhor escolha. Me senti digna, gloriosa, amada, acolhida e amparada.
Estava em família, entre pessoas em quem confio, num ambiente lindo para se nascer.
Pari de cócoras. Porque deu, eu quis, foi possível. Marília nasceu de colar, sim tinha uma circular de cordão. Chorou quando nasceu, veio direto para o meu colo, mamou. Recebeu apgar 10/10. corada, linda. Vai mamar enquanto quiser. Pronto. Ela escolhe, não vou dar o peito de ninguém a ela, só o meu. Não vou acordar nenhuma senhoura de seu sono de beleza. Só nós duas, só eu e ela.
Parir é ótimo, e ter um bebê assusta. Pra casa do caralho “olha pro teu bebezinho que lindo, não chora” Choro sim, meu corpo, meus hormônios e a irreversibilidade de dar a vida. Choro meu cansaço, minhas pernas doendo, meu braço ainda dormente.
Choro vendo e ouvindo tudo que é opinião enlouquecendo a minha cabeça.
Teoria de merda, na prática.
Choro porque não tenho mais mãe, e queria muito muito um abraço de alguém que ia me dizer com todas as letras: “manda todo mundo tomar no cu”. Acolhimento da minha mãe era assim, prático e certeiro.
Se eu dou o peito a teoria de não dar o peito me condena, se dou chupeta, os que querem aleitamento exclusivo me condenam, na prática, a teoria me massacra. Sem dar a chupeta, talvez eu nem conseguisse fazer cocô em paz. Não dei a chupeta de ninguém, gente, o bico é dela, vá lá, não enche.
Tu não vai colocá-la na creche? Não fia, cê tá boua? Eu trabalho só às 17h30min, pra que colocar na creche se eu posso ficar o DIA TODO com ela? Eu tive filhos para ficarem comigo quando pequenos, a minha filha mais velha só foi depois de 1 ano, porque eu tinha que voltar para a faculdade, e com a pequena vai ser mais tarde ainda. Ela fica com a irmã quando eu saio para trabalhar, e com o pai quando ele chega. A gente se reveza, não te preocupa, a gente não vai deixar a criança na tua casa.
É muito assunto, é “pouca roupa”, “muita roupa”, “mãezinha”, olhos de reprovação. É dente, é garganta, é cólica, é calor, é frio. Todo mundo sabe o que o bebê tem, mas na hora que ele chora no colo, correm o olho sobre os móveis e procuram os olhos atentos da mãe, e, como num passe de mágica, o choro se vai. Era manha mesmo, a mãe chega perto, estende os braços, ela abre um sorriso e volta para o colo. Não é que era manha mesmo?
Na prática, a teoria é outra.
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