Ela teve a vida ceifada aos 43….

Moni, 24

Desabafo Anônimo: Eu não sou mãe, sou uma filha que perdeu uma mãe muito querida.
Minha mãe nasceu em uma pequena cidade num Estado nordestino. Quando minha mãe soube que estava grávida de mim, ela foi abandonada pelo meu pai e pela família. Por um tempo ela dormiu na casa de amigos e até passou fome.
Algum tempo depois ela se mudou para o Estado de São Paulo para trabalhar e me deixou morando com minha avó, quando completei 5 anos ela foi me buscar.
Quando cheguei em São Paulo descobri que ela estava grávida do Sr P, esposo dela. Meses depois nasceu minha irmã.
Minha mãe sempre trabalhou muito para nos sustentar, muitas vezes ela não saía com a gente porque dizia “eu preciso trabalhar”. Me recordo dela ter saído conosco poucas vezes.
Eu sempre fui introvertida, nunca fui de conversar e sempre quis atenção da minha mãe, já que ela era meu único referencial de família. Para isso sempre tirei notas boas na escola e sempre a honrei, nunca a respondi. Eu sempre a amei, às vezes parecia que eu era a mãe dela, sempre a aconselhava.
Minha irmã, ao contrário de mim, sempre foi mimada por todos, porém sempre foi rebelde. Minha mãe fazia tudo por ela, gastava muito para satisfazer as vontades dela.
Passou o tempo e nós crescemos, me casei há dois anos com um homem maravilhoso. E minha irmã morava com minha mãe, que já estava separada do Sr.P há uns sete anos.
Ano passado minha mãe descobriu que minha irmã estava usando drogas e estava roubando o pouco dinheiro que minha mãe tinha guardado.
Elas brigavam muito, e as brigas eram feias. Nossa família queria que minha mãe fosse embora e deixasse a minha irmã com o pai dela, mas minha mãe se negava a ir.
Minha irmã, com 17 anos, não ajudava nas tarefas de casa e não trabalhava para ajudar nas contas. Ora, minha mãe trabalhava em dois empregos, estava no terceiro ano da faculdade e morava de aluguel. Ela não aceitava que depois de lutar tanto por nós minha irmã se entregasse às drogas e acabar com sua vida, ninguém aceita isso né.
Até que em outubro do ano passado, em um sábado elas tiveram outra briga, essa foi muito feia e minha mãe se viu obrigada a bater na minha irmã, que no primeiro momento não revidou.
Na quarta seguinte, eu estava na faculdade e recebi uma ligação do meu esposo, às 18h00, pedindo pra eu voltar para casa porque alguma coisa tinha acontecido com minha mãe mas ele não sabia o que era.
Saí da faculdade com o coração na mão, eu pedia a Deus que minha mãe estivesse no hospital, que ela ficasse bem… Mas, não era isso… No caminho, em meio ao trânsito caótico da grande metrópole recebi uma mensagem dizendo que minha mãe estava morta. Eu perdi o chão. Não sei como consegui chegar na casa que ela morava.
Cheguei lá por volta de 20h30, me apresentei e o policial disse que ia chamar a divisão de homicídios, naquele momento tive a certeza no meu coração que minha irmã estava envolvida.
Na segunda seguinte, minha irmã foi presa. Um mês depois julgada e condenada pela morte da minha mãe.
Eu sempre fui discreta, mal conheço meus vizinhos. E de repente o episódio mais triste da minha vida foi divulgado em todo o país, em todos os jornais.
As pessoas me olham com um olhar de pena na rua, tentam me perguntar sobre o assunto. Eu sinto vergonha.
Minha mãe tinha um caráter e uma vontade de viver que nem eu tinha, sendo 20 anos mais nova. E teve a vida ceifada aos 43 anos. Uma pessoa maravilhosa, ajudava o próximo e sorria mesmo passando pelas adversidades da vida.
Hoje, oito meses depois, moro no mesmo lugar, quase não saio na rua, trabalho e estudo… Mas confesso que é difícil encontrar força para viver..
Tenho medo do futuro, hoje minha irmã esta presa mas quando ela sair eu não sei como será. Não sei o que dizer pra ela e nem a minha reação… Tento não pensar nisso, mas tem horas que é inevitável.
Hoje, minha família é meu esposo, eu ainda não tenho filhos, acho que é bom esperar meu coração ficar bem, para criar bem meus filhos.
Eu tenho saudades da minha mãe, mas sei que agora ela já não sente a dor nem o sofrimento que passou aqui. Isso me conforta.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Hanah disse:

    Minha querida , me vi no seu relato, tão parecido…Acredite que VC é forte e vai sair disso,, VC sobreviveu ate aqui e não vai ser um babaca desses quem vai derruba lá. Não desista, consiga um emprego e vá ser feliz longe de td isso. VC e seus filhos merecem!

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