É. Eu sou uma mãe perfeita.

Por Luzinete Rocha Cruz Carvalho – 06 Julho 2016 – Autorizada a reprodução de sua página pessoal aqui no Temos que falar sobre isso


É.

Eu sou uma mãe perfeita.

É isso mesmo.

E sou uma mãe perfeita mesmo quando estou nervosa, irritada, sem paciência para pedir mil vezes por colaboração, mesmo quando fico brava.

Sou uma mãe perfeita mesmo quando, envergonhada por causa dos olhares cheios de crítica, eu não soube muito bem o que fazer durante uma crise do meu filho no shopping, no supermercado, na casa de um parente.

Sou uma mãe perfeita mesmo quando o cansaço me tira o bom humor e me deixa chata.

Esquece a palavra “perfeita” e foca na palavra “mãe”.

M Ã E

Sou mãe, sabe?

E mães são pessoas, sabe?

E pessoas ficam nervosas, irritadas, sem paciência para explicar mil vezes a mesma coisa, ficam mal humoradas e chatas.

Pessoas tem desejos, vontades e necessidades.

Preciso dizer que ser mãe já é, por si só, uma barra.

E é muito cansativo.

É cansativo para as mães que “só” cuidam dos filhos, para as mães que trabalham fora, para as mães com ou sem companheiros que fazem sua parte.

É cansativo para as mães que acumulam tarefas e funções, é cansativo para as mães que tem ou não tem rede de apoio.

O bom seria que toda mãe pudesse, ao menos, contar com uma rede de apoio que ajudasse a aliviar e tornar menos solitário o exercício da maternidade.

Acredito que toda mãe tem direito de se sentir cansada, sem precisar comparar os “cansaços”.

Toda mãe tem direito de comentar, e lamentar, suas dificuldades e dúvidas, sem sentir medo de ser julgada por quem “sofre mais”, ou por quem acha que ser mãe deve ser sempre lindo, leve e alegre.

Aliás, imperfeito é este conceito de que ser mãe deve ser sempre lindo, leve e alegre.

Ser mãe também pode ser bem feio, bem pesado e muito triste.

Toda mãe tem o direito de se considerar perfeita.

E se uma mãe não se considera perfeita, é porque a sociedade já a maltratou, cobrou e julgou demais.

Se uma mãe não consegue se sentir perfeita, mesmo quando comete erros, é porque ela já foi julgada demais.

Se uma mãe não consegue se sentir perfeita por, simplesmente, se esforçar em fazer seu melhor, é porque a sociedade já ditou muitas regras.

E as regras são ditadas a uma distância segura, de quem sabe exatamente como a mãe deve fazer, mas não sabe oferecer acolhimento, compreensão, escuta verdadeira.

Toda mãe é perfeita, especialmente quando tem a liberdade de não precisar ser perfeita.

A perfeição é um conceito individual, que falha sempre que é dirigido para fora.

O desejo de ser perfeito falha quando se almeja a “perfeição” de outra pessoa, quando existe comparação com outra pessoa.

Até mesmo a perfeição individual e idealizada depende do contexto, da realidade, do momento, do imprevisível e do inesperado.

Por isso, perfeito é poder se sentir em paz com as escolhas que lhe foram possíveis naquela fase ou naquele momento.

Perfeito é sentir-se sendo a melhor mãe que se pode ser, respeitando a própria individualidade.

Perfeito é viver sem cobranças, internas ou externas, para ser ou fazer diferente, a não ser que se queira, e aí, mesmo com a mudança, continuará sendo perfeito.

Se uma mãe não consegue se sentir perfeita mesmo quando tem dúvidas, mesmo almejando melhorar alguma coisa, é porque a sociedade é tão imperfeita que só sabe cobrar, mas não sabe acolher.

Se uma mãe não consegue se sentir perfeita para o filho que ela tem, é porque alguém, ou a sociedade como um todo, já a feriu muito.

E a sociedade é capaz de coisas bem ruins.

Dá para acreditar que a sociedade é capaz de “esquecer” que as crianças e as mães são pessoas?

Toda relação entre pessoas tem suas dificuldades, suas crises, seus altos e baixos, e é assim na relação entre mãe e filho também.

Mães e filhos são pessoas.

A relação entre mães e filhos até pode ser perfeita, mas somente se houver liberdade e tranquilidade para se lidar com as “imperfeições” sem cobranças, sem culpas, sem expectativas, sem imposições.

A sociedade enxerga os defeitos nas mães.

Os filhos enxergam a perfeição em suas mães.

Está na hora de toda mãe conseguir se sentir perfeita, se ela quiser.

E será perfeito, se ela nem quiser se sentir perfeita, e conseguir ser simplesmente quem ela quiser ser.

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