Apanhei por 19 anos

Shirley, 2 filhos, 33 anos.

Desabafo Anônimo: Boa tarde, meu nome é Shirley sou mãe de dois filhos e casada há treze anos. Só de pegar o celular pra digitar sobre o tema já tenho as mãos molhadas, reação do sistema nervoso e ansiedade. Fui diagnosticada com TAG, transtorno de ansiedade e tento conviver com isso. Fui buscar no meu íntimo as possíveis causas desse transtorno de ansiedade que quando está no seu ápice sinto uma bola na garganta, dor forte no peito e uma angústia horrível.
Casei com 20 anos, encontrei uma pessoa maravilhosa que eu amo, e também passei a ser feliz, saí do inferno astral que era minha vida na casa dos meus pais. Apanhei até os 19 anos, levei muitas surras, apanhava de meu pai todos os finais de semana e quase todos os dias. Muitas vezes eu escutava o barulho do carro chegando e corria pra cama, fingia que estava dormindo (muitas vezes com fome). Apanhava pelos mais diversos motivos, se discutia com minhas irmãs (eu tenho 2 irmãs), se respondia e se não respondia a meus pais, se meu pai simplesmente não estivesse no dias dele, e tantos outros motivos que às vezes eu não sabia nem o por quê. Mas lembro com clareza das vezes que fui espancada, lembro dos detalhes, da cena, da dor, do medo, de tudo. Cresci vendo meu pai, beijar, brincar e se orgulhar das minhas irmãs, o que mais me doía era vê-lo entrar no nosso quarto, dar um beijo de boa noite nas duas e passar direto pela minha cama, sem nem me olhar. Isso me dói até hoje, (sim ele ainda faz preferências de forma sutil, pelas minhas irmãs). Não sei explicar o que doía e ainda dói mais, se é a rejeição ou se foram as surras. Lembro de um certo dia, em que ele chegou em casa e minha irmã havia ido na casa da vizinha em um aniversário, e ele foi chamá-la, como ela demorou em chegar, me tranquei no banheiro fiz de conta que estava tomando banho, ele entrou no banheiro esmurrando a porta e me deu um soco, na altura da cabeça, bem na fonte, vi tudo preto e pontinhos como se fossem estrelinhas. Assim que minha irmã chegou em casa foi a vez dela. Minha mãe algumas vezes tentava fazer ele parar de bater em nós, mas na maioria das vezes foi uma pessoa omissa. Já apanhei com pedaço de pau nas costas de não conseguir caminhar. O motivo? Eu havia ganho as jogadas de taco no meio da rua com minhas amigas e quem ganha segue, então minha irmã foi reclamar que ela não estava jogando, ele me chamou em casa, eu inocente fui com o taco na mão. Foram muitas vezes que sofri violência física e psicológica. Faz treze anos que saí de casa, mas essa dor na alma, não passa nunca. É uma dor e uma angústia difícil de cicatrizar. Meu pai mudou muito, hoje até diz “eu te amo” as vezes dentro de um comentário irônico, como quando ligo e ele atende e peço pra falar com a mãe, ele dispara ” oi tudo bem contigo também? Eu te amo” tudo porque pedi pra falar com a minha mãe sem perguntar como ele estava. Hoje ele é avô, até tenta ser carinhoso com meus filhos, mas vejo que ele faz questão de demonstrar a diferença e preferência pelo filho da minha irmã. Eu amo meu pai, e ainda sofro com a diferença que ele faz, gostaria de não me importar tanto com isso, de não dar bola. Mas na verdade sofro muito.
Decidi que a criação dos meus filhos seria diferente, e é, criados com apego, com amor , com carinho, proteção. Amo demais meus filhos, vejo que quando meu pai faz com eles o que fez comigo de demonstrar preferência pelo outro neto, eu não sei lidar muito bem com a situação, tento ignorar e finjo que não vejo, mas sofro em silêncio. Gratidão pelo espaço pra desabafar!!! Ficaria aqui horas escrevendo tudo que passei na minha infância, mas me faz um mal danado. Gratidão por poder desabafar!!!

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1 comentário Adicione o seu

  1. Gabriela disse:

    Amiga, vc não disse neste desabafo se fez ou não, mas vc ja tentou fazer terapia?
    Eu tb tenho alguns traumas por violência tanto fisica como psicológica e estou fazendo tratamento psicológico, e posso dizer, tem ajudado.
    Com certeza não muda o q aconteceu, mas nos ajuda a lidar com estes sentimentos ruins que nos deixaram.
    Aqui na minha cidade faço gratuito em universidade que oferece o curso de psicologia, é uma alternativa pra quem não pode pagar. Procure na sua cidade.
    Vc não merece reviver essa dor pra sempre, busque ajuda.
    Boa sorte, te desejo paz no coração!

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