Amamentação em bebês com alergia ao leite de vaca

Por Danielle Fava – 21 Julho 2016 – Nutricionista – CRN 3 26112


As alergias alimentares podem ter um impacto negativo muito grande na vida de nossos filhos, além de ser um desafio muito grande para pais e cuidadores no sentido de fazer preparações e/ou adquirir produtos tanto pela escassez de opções quanto pelo custo. Muitas vezes é preciso encontrar um ponto de equilíbrio na família para que em meios às restrições a criança não se sinta excluída e isso não venha afetar seu desenvolvimento emocional e psicológico.

Entenda a diferença entre alergia e intolerância

Alergias Alimentares

Quadro clínico provocado pelo sistema imunológico que reage contra determinado alimento produzindo anticorpos que liberam substâncias que provocam os sintomas e reações alérgicas e que podem causar sérios danos. A alergia alimentar geralmente começa na infância, mas pode ocorrer em qualquer idade. Felizmente, muitas crianças se livrarão das alergias a leite, ovos, trigo e soja por volta dos cinco anos, isso é se fizerem o tratamento excluindo os alimentos proibidos. As alergias a amendoim, frutas secas e frutos do mar tendem a durar a vida toda.

Intolerâncias Alimentares

Situação metabólica onde não há produção de uma enzima que decompõem determinado nutriente, comprometendo a sua absorção e, portanto, seus sintomas estão mais relacionados a sintomas gastrointestinais como diarreias, gases e distensão abdominal. As intolerâncias são mais comuns em crianças maiores e nos adultos, pode permanecer a vida toda, mas o indivíduo pode, em alguns casos, consumir pequenas quantidades do alimento sem manifestar reações, diferentemente do que ocorre no caso da alergia.

A proteína do leite de vaca é a causa mais frequente de alergia alimentar em crianças. As manifestações a esse tipo de alergia são sintomas gastrintestinais, respiratórios e cutâneos e são avaliados por um alergologista ou imunologista para conclusão do diagnóstico. Geralmente aparece já no primeiro ano de vida e pode levar a consequências graves se a criança consumir mesmo pequenas quantidades de leite.

Quando o bebê é diagnosticado com alergia a proteína do leite de vaca (APLV), é preciso excluir da alimentação o leite de vaca e todos os seus derivados e qualquer alimento que tenha traços de leite por um período determinado pelo médico, até que haja reavaliação. Geralmente, essa alergia costuma melhorar após o terceiro ano de vida, mas pode perdurar até os oito anos.

Para substituir o leite de vaca, é utilizado uma formulação infantil adequada, que pode ser indicada pelo médico e/ou nutricionista que acompanha o bebê. Nenhum leite de origem animal pode ser oferecido ao bebê que possui APLV, então, nada de substituir por leite de cabra ou ovelha por exemplo, pois ele provavelmente irá ter reação alérgica também.

As fórmulas infantis para APLV, que geralmente são indicadas como primeira opção, são feitas a base de proteína de soja. Porém, não é incomum que bebês que tenham alergia ao leite de vaca também tenham alergia à soja. Fórmulas hidrolisadas são as mais indicadas neste caso. Possuem um alto custo, mas há recursos para conseguir este tipo de produto junto aos órgãos governamentais de saúde.

Em casos de bebês que mamam no peito, a amamentação deve ser continuada e a dieta de exclusão de leite de vaca deve ser realizada pela mãe. Em bebês que estão em amamentação exclusiva ao seio, suspeita-se de APLV quando há sintomas associados à APLV como baixo ganho de peso, sintomas respiratórios frequentes (como coriza, chiado, respiração difícil), placas vermelhas na pele sem relato de infecção, dermatite atópica, dificuldade para engolir, recusa alimentar, regurgitação frequente, vômitos, cólicas intensas, diarreias, sangue ou muco nas fezes e/ou constipação intestinal.

Além do uso da fórmula infantil adequada, o acompanhamento nutricional é extremamente importante, para que a dieta do bebê esteja adequada para atingir suas necessidades nutricionais, garantindo o seu crescimento e desenvolvimento adequados. A alimentação da criança com alergia alimentar deve ter um cuidado especial e os pais devem estar atentos a tudo que a criança vai comer e a leitura dos rótulos é extremamente importante para identificar se, naquele produto, não há nenhum ingrediente que irá desencadear o processo alérgico.

No caso da APLV, os pais e cuidadores devem observar se no rótulo dos produtos não há leite em qualquer forma, seja in natura, em pó, condensado, fermentado, maltado, achocolatado. Embora esses alimentos não sejam recomendados para crianças menores de 2 anos, não é incomum vê-las consumindo, dessa forma, fica o alerta. Também não deixe que ninguém de nada para o seu filho comer sem que você saiba seguramente o que é.

Também atente-se a produtos que contenham os derivados do leite como queijos, iogurtes, creme de leite, chantilly, manteiga, ghee, algumas margarinas, coalhada, creme azedo, farinha láctea, alguns produtos para engrossar mamadeiras, chocolate ao leite, produtos com aroma ou sabor de queijo e manteiga, leite e leite condensado, produtos com sabor caramelo, creme de coco, creme bavaria, leite de cabra e seus derivados e também as seguintes informações: caseína, caseínato,

lactoalbumina, lactoglobulina, lactulose, lactose, proteínas do soro do leite (whey protein) e soro de leite.

Isso também vale para medicações! Muitos remédios se utilizam desses produtos como veículos, portanto, informe ao médico que seu filho possui APLV e mesmo assim confira a bula do medicamento prescrito antes de administrá-lo ao seu filho!

Leite sem lactose, bem como outros produtos sem lactose não servem para quem tem alergia ao leite de vaca!

Lembre-se também que alguns alimentos podem não conter o alérgeno em si, mas podem ter sido contaminados por ele. Por exemplo, na cozinha alguém mexeu com leite em pó e caiu um pouco desse leite em cima de algum outro alimento e a criança comeu. Só isso já é o suficiente para que ela tenha uma reação alérgica e que pode ser grave!

Lembrando que quando a pessoa ingere um alimento ao qual ela tem alergia, as reações mais comuns são: coceira, inchaço, diarreia, vômitos, dor abdominal, tosse, rouquidão e chiado no peito. Pode acontecer uma reação anafilática que provoca alteração no ritmo cardíaco e queda da pressão arterial, levando a pessoa à morte, caso não haja socorro imediato.

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