Quando ele nasceu começou nosso pesadelo…

Andressa Colonetti, 19 anos, primeiro filho.


Desabafo Anônimo: A maternidade precoce assusta. Principalmente no meu caso, pois estava no meio da faculdade e iniciando a carreira profissional. Minha gravidez foi frustrante, não pelo bebê, aliás o bebê é o maior presente que uma mulher pode ter. Mas sim por tudo o que ocorreu. Eu trabalhava há quase 3 anos em uma corretora de seguros, tinha uma carreira promissora. Porém depois da gravidez comecei a ser perseguida pelo diretor e dono da empresa, pois esse não tinha condições financeiras de manter uma funcionária em licença maternidade. O constrangimento começou quando eu ia utilizar o plano de saúde e este estava suspenso por falta de pagamento, tive que recorrer ao SUS. A minha gravidez era de risco, por conta de infecções urinárias recorrentes, o bebê não pegava peso e podia nascer prematuro. Porém a primeira falha que o SUS cometeu comigo foi em uma consulta pré natal, onde a enfermeira que me atendeu me forneceu um atestado médico, que posteriormente vim a descobrir que era um atestado sem validade, pois a própria enfermeira assinou e carimbou utilizado o carimbo de uma médica de férias. Meu ex chefe que já estava até atrasando meus salários, investigava todos os atestados e nesse, quando ligou na unidade saúde e soube que a médica estava de férias, me acusou de falsificar o atestado e me mandou embora por justa causa. Nessa época estava grávida de 6 meses. Entrei na justiça, não teve acordo e o processo ainda está em andamento. Enfim, passado essa turbulência, no dia 13/2 entrei em trabalho de parto, mas não tinha contrações e dilatação, apenas cólicas regulares. O plantonista que me atendeu em um Hospital em Curitiba disse que o líquido verde e espesso que eu estava perdendo era apenas o tampão e me mandou pra casa. No dia 14/2 começaram as contrações. Eu demorei pra ir ao hospital, pois esperei elas ficarem mais próximas uma da outra. Quando estavam de 3 em 3 minutos, fui para referida maternidade. Cheguei lá às 3 da manhã, com 6cm de dilatação e já com contração de 2 em 2 minutos. Cheguei vomitando, aliás vomitei o trabalho de parto todo. A enfermeira que me avaliou disse para minha mãe e meu marido que até as 9 da manhã meu bebê nasceria. Enfim, fui mandada imediatamente para sala de pré parto. Lá fiquei até as 7 da manhã sem nenhum atendimento, mas, como as dores eram suportáveis, não reclamei. Então a médica veio e disse que eu ainda estava com 7 de dilatação e eu pedi o soro para aumentar mais rápido. Ela hesitou, mas depois colocou o soro. Eram 10 da manhã e eu ainda estava com 7cm de dilatação e, então, ela estourou a bolsa. Nesse momento, o estagiário que estava com ela perguntou o por quê do líquido da bolsa estar verde e ela disse que deveria ser ainda o tampão e saíram. As dores aumentaram, pedi analgesia mas eles me enrolaram e não deram. Já era meio dia e nada, estava agora com cerca de 8 a 9cm de dilatação e os médicos diziam que era demorado porque era o primeiro filho. Minha mãe estava desesperada na porta do centro cirúrgico obstétrico e por diversas vezes pediu pra chamar o meu marido, ela já sabia que tinha algo errado. Nós pais de primeira viagem, não imaginávamos que estávamos a ponto de perder nosso bebê. Enfim, 12:40 eu disse para o meu marido que o bebê estava saindo, e ele gritou para enfermeira vir ver e de fato ele estava coroando. Então os médicos vieram pra me levar pra sala de parto e eu deitei na maca. E pra minha surpresa me mandaram levantar e ir caminhando até a sala de parto com o bebê nascendo. Chegando lá fiz duas forças e o bebê nasceu. Ele teria nascido na primeira se a médica não tivesse me interrompido porque  eu estava gritando. Mas gente, eu estava parindo. Minha vontade foi de voar na cara dela, mas respirei fundo e fiz a força novamente e gritei sim nessa hora, mas isso me deu forças. Quando ele nasceu começou nosso pesadelo. Ele não chorou, nasceu mole, não tinha batimento e nem respiração. Eu não fiquei nervosa, Deus me deu muita força nessa hora. Tiraram ele da sala sem nem ao menos mostrá-lo para nós. Passado alguns minutos chamaram meu marido e pra ele disseram que ele nasceu sem vida, mas foi reanimado e teve e evolução mas que iria pra UTINeonatal. Meu Henrique nasceu 12:43 do dia 15/02 e eu só o vi às 8 da noite na UTI NEO, sedado… Ele teve convulsões na UTI, e ficou lá durante 7 dias. Ele teve anoxia neo natal, entrou em sofrimento fetal porque engoliu e respirou mecônio. Como ele era um bebê a termo porém pequeno, eu não tive um corte muito grande, mas mesmo assim foram 3 pontos. Imaginem ficar o dia todo dentro de uma UTI sangrando, sem conseguir sentar em local extremamente quente, sem comer e ver seu filho sedado, todo cheio de agulhas, com respiração e alimentação induzida, foi horrível. Mas eu faria tudo de novo pra te-lo em casa comigo. Quando ele teve alta da UTI, nós não contamos a ninguém da família. Apenas convidamos os mais próximos para uma oração em nossa casa e quando chegaram foram surpreendidos com a presença do nosso pequeno. Ele agora com 3 meses ainda toma remédios para evitar convulsões, mas eu creio que logo estará livre desse remédio. A equipe pediatra e da UTI foram fundamentais na recuperação do bebê, pois ele deveria ter nascido de parto cesariana por conta do mecônio não identificado na bolsa. Meu bebê é um milagre, não vivo sem ele. Trocaria tudo por ele, daria a minha vida pela dele.

4 comentários Adicione o seu

  1. Andressa, sei muito bem o que você passou, pois aconteceu muito parecido comigo e com meu filho aos 09/03/2014. Exatamente IGUAL, até me trocaram de quarto, porém em outro hospital, tirando o mecônio, não tive a presença do meu esposo, pois foi negado, meu filho ficou 09 dias na UTI. Tomou Gardenal devido as convulsões logo após o nascimento, parou aos 22/04/2015. Hoje ele é uma criança muito saudável. Vivi um dia de cada vez. E cada desenvolvimento foi uma vitória. Infelizmente, sofremos violência obstétrica, só após meu parto fui entender e hoje sou ativista em minha cidade… Quando o seu Henrique nasceu começou o seu milagre, o dom da vida, a presença de Deus. Também o considero meu milagre, meu pequeno grande guerreiro que lutou com todas as suas forças para estar alegrando meus dias. E tenha a certeza que seu Henrique também foi muito abençoado por Deus. Sinta-se fortemente abraça.

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  2. Carla Patricia dos Santos Pereira da Silva disse:

    Um verdadeiro milagre, presente de Deus !
    Um grande beijo… ❤

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  3. Camila disse:

    Graças a Deus existem finais felizes..!o meu caso foi muito parecido com o seu..fui respeitada e acolhida..meu BB ficou diiaas na UTI..mas não sobreviveu..
    Que seu BB tenha muita saúde!!

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  4. Flavia disse:

    Sinto muito pela VO, muitas mulheres passam por isso. Meconio não é indicação de cesárea. Não, esse bebê não precisava nascer com cirurgia. Essa mãe que merecia (como todas) ser tratada com amor e respeito por profissionais atualizados e humanos. Que ótimo saber que ela está com o bebê no colo. 🙏🏻

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