Existe uma saudade, existem corações vazios…

Tati Oliveira


Desabafo Anônimo: Bom dia! Sou mamãe de UTI e durante meus 50 dias convivi com muitas coisas… Mas desde meu primeiro dia na maternidade conheci uma família adorável. Eles tiveram a Lara dia 2 de fevereiro de 2015 e no dia 21 de fevereiro ela partiu… Tudo que era dela foi doado de coração para minha pequena Valentina, que no sexto mês de gestação ainda não tinha nada…

Mas a saudade dói, às vezes me esqueço das datas fúnebres.

 Datas que marcaram nossa história.

 Datas que só a gente se lembra…

 Hoje fiz um desabafo para tentar me desafogar e senti vontade compartilhar com outras mamães:

Hoje me sentei no sofá com meu bebê no colo… Me veio uma tristeza enorme… Uma saudade… Não pude conter as lágrimas. A única coisa que pude fazer foi digitar para registrar meus sentimentos e tentar analisar a fundo de onde vinha essa tristeza… A minha saudade se mistura com meu egoísmo. Hoje não é dia 2, hoje não é dia 20 muito menos dia 21. Hoje é um dia qualquer do mês e me deu saudade de um anjo que mora no céu. Anjo Lara a vida da tia seguiu, hoje além da amiguinha Valentina aqui você sabe que tenho o José Lucas. Eu não mais me lembro da data no dia certo… Eu não me dedico mais por horas intermináveis ao telefone com as suas avós e com a sua mamãe. Será que seria egoísmo de minha parte não dedicar pelo menos 10 minutos do meu dia para saber como estão as pessoas que acolheram e amam a minha filha? Será que nós fazemos de certa forma alguma mal à eles? Será que somos aquela lembrança de tempos difíceis ou uma faceta de fé e esperança? E voltando ao nosso anjo da guarda, como será que ela está? Como podemos apagar as lembranças? Como não imaginar como ela estaria hoje? Como seriam mais felizes nossos dias com as comparações do crescimento das duas… Como teria sido o primeiro aninho das duas?.. Existem milhares de perguntas e pensamentos que não poderão ser respondidos… Existe um buraco, existe uma saudade, existem vários braços e corações vazios… Existe uma dor que insiste em castigar mesmo depois que a vida seguiu. Existe a lágrima que insiste em rolar… E existe um grito preso na garganta! Esse grito que insiste em não sair, mas sempre aparece para me castigar! Esse grito que cala minha voz quando do nada me lembro do seu rostinho pálido dia 21 de fevereiro… Como eu queria ser poeta e transformar todo esse sentimento em uma bela poesia para você… Mesmo assim meu amor, a nossa poesia ficou gravada na alma, nos nobres gestos da sua família e no amor incondicional que eles sentem pela minha menina.

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1 comentário Adicione o seu

  1. monica correia disse:

    Tati Oliveira, eu gostaria de responder a sua pergunta: – Não, você não fará nenhum mal em entrar em contato, causa-nos mais dor pensar que nossos anjos foram esquecidos por quem um dia os amou. Lembrar do nossos filhos que partiram, só nos causa alegria, mesmo que choremos neste momento, não será pela lembrança, será pela saudade, nossa fiel companheira.

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