O inimigo está mais perto que você imagina

Desabafo Anônimo: Como é que se começa falando ou escrevendo sobre isso? Esse tipo de assunto não deveria existir, definitivamente! Mas, enquanto ele existe, não deve haver o silêncio, essa é uma barreira que deve ser enfrentada para que seja quebrada.
Agora, é hora da quebra do meu silêncio, ainda que anonimamente. O mais importante está em não deixá-lo mais prevalecer.
Quatro acontecimentos que, quando eu permito pensar sobre, ainda são claros em minha mente. No primeiro deles eu era apenas uma criança, bem pequena. Minha casa estava cheia de parentes nesse dia e eu estava na sala, lugar designado por meus pais para eu dormir. Ao amanhecer, ainda deitada, ouvia os movimentos dos que já haviam se levantado. Uma dessas pessoas era um primo (adulto), que veio até onde eu estava e falava comigo como se fala com um bebê. Em seguida, ao mesmo tempo que falava comigo desse modo infantil, começou a tocar minhas partes íntimas, tomando cuidado para que ninguém visse; quando alguém aparecia, ele parava. E eu ali, com medo, vergonha, não sabia como agir.
Um outra vez, no início da minha adolescência, eu estava com a minha mãe na casa de uma tia, eu estava muito cansada e pedia a minha mãe para irmos embora. Então, ela pede para eu me deitar na cama da minha tia para descansar. Aceitei o convite e me deitei para descansar. Ao estar deitada, com os olhos fechados, senti que tinha alguém ao meu lado, ao abrir os olhos vi o meu primo (adolescente) com a mão estendida para me tocar, assim que vi o que ele estava prestes a fazer, me levantei e fui correndo para onde a minha mãe estava. Mais uma vez, nada foi relatado a ninguém.
Em outra ocasião, também no início da minha adolescência, estávamos em uma festa de aniversário na casa de parentes. Ao irmos embora, um dos meus primos que estava presente na ocasião (e que não é nenhum dos citados acima, mas o terceiro desse relato) se ofereceu para deixar a minha mãe e eu de carro em nossa casa. A minha mãe aceitou prontamente, ela gosta de todo mundo e confia em todo mundo quase sempre. O incômodo foi logo de início ao ver que íamos em uma Fiorino, fomos os três na frente, sentados em apenas dois bancos. De imediato, falei que iria sentada do lado da janela, mas minha mãe falou que não e fui sentada ao lado do motorista. Durante um pouco mais do início da viagem até chegarmos em nossa casa, ele ia apertando a minha perna por baixo cada vez que precisava passar a marcha. Eu coloquei a minha mão, disfarçadamente, como se fosse ajeitar a minha roupa, para ele não fazer mais, mas, mesmo assim, ele foi segurando a minha mão com força até chegar em minha casa. Ao chegar lá, eu entrei em casa rapidamente, ele entrou também e ainda tentou para que eu lhe desse atenção, eu fui, imediatamente, para a casa da vizinha até que ele fosse embora. E mais uma vez, nada foi relatado a ninguém.
E por fim neste relato, um tio que parecia muito carinhoso e nunca ter demonstrado tal comportamento até então, ao me chamar para sentar ao seu lado no sofá de minha casa, e estando bêbado, colocou a sua língua dentro da minha orelha, ao tentar fazer a segunda vez, eu me levantei e saí.
Nenhum dos relatos contei a meus pais. A meu pai não contei porque ele já era falecido (salvo no primeiro relato), e a minha mãe porque ela iria pedir para ficar calada para não causar confusão.
Não gosto de roupas curtas, blusas de alça ou coisa parecida. Não gosto muito de sair, sempre gostei de ficar em casa. Em todas essas ocasiões eu estava entre parentes e na casa de familiares ou em minha própria casa. Em todas as ocasiões tive que me defender sozinha.
Hoje, tenho filhas e busco seguir fortemente os meus sentimentos para protegê-las, seja de estranhos ou mesmo dos “de casa”.
Não devemos temer os que se chatearem por nossa posição, devemos ter a coragem de seguir o que sentimos e nos defender e defender também os nossos. Que estejamos sempre atentos e alertas!

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1 comentário Adicione o seu

  1. manuela disse:

    Um bando de primos tarados na sua família, heim. Poxa vida, puxa vida que azar o seu.

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