Eu tenho medo do meu GO

Anastácia, segundo casamento, 36 anos, advogada, gestante 17 semanas


Desabafo Anônimo: Olá! Boa tarde!! Aos 36 anos, estou na minha primeira gestação!
Casei pela primeira vez aos 29 anos, com pouco tempo de namoro. Casei porque ele disse que queria se casar e ter filhos, e logo. E se eu não quisesse, era melhor terminarmos.
Mas eu queria! Muito! Sou filha de pais separados, em constante guerra, e tudo que eu mais queria era estabilidade emocional.
Nos casamos. No segundo dia da lua de mel, eu apanhei pela primeira vez… E nunca parou. Os motivos eram os mais fúteis possíveis, ele dizia que eu estava pedindo, e que eu despertava o pior nele. Dizia que eu não era gente… Mas ele estava sempre comigo. Eu era dependente daquilo que, mais tarde, e com muita terapia, descobri que era amor condicional.
O filho não vinha. Consultamos vários especialistas. Ele tinha baixa espremia, e eu, problemas nas trompas.
O tempo passou. Fui perdendo o equilíbrio emocional, e ele me entupindo de remédio. Uma surra na véspera do meu aniversário fez com que eu tomasse vergonha na cara e o deixasse. Do meu jeito: enfiei tudo que coube dentro do carro e fugi 1800km pra casa da minha mãe.
As marcas emocionais eram grande demais. Passei por um período dificílimo de 4 anos dependente de medicação e terapia, nos quais tentei suicídio por 3 vezes.
Até que um dia eu simplesmente resolvi me livrar daquilo. E consegui. Deixei os remédios e entrei em um novo relacionamento.
Como eu sabia que não poderia engravidar, eu dizia a todos que não queria filhos. Meu marido já tinha 3 filhos, mas mesmo assim, queria um filho comigo.
Mais uma vez, procuramos especialistas em fertilidade, que só reforçaram o que eu já sabia: não poderia engravidar.
Com ódio do mundo, resolvi não só desistir como também abominar a idéia de ser mãe.
Conversei com meu marido, e marcamos uma vasectomia.
Mas alguma coisa estava errada: eu tinha virado um monstro! Brigava com todos, por tudo, o tempo todo. Resolvi, então, me separar.
Mas alguma coisa estava errada… Estava sem menstruar há quase 4 meses, mesmo já tendo tomado remédio para descer a menstruação.
Então, resolvi fazer o BHCG. Fiquei as 4 horas sentada na sala do laboratório esperando o resultado, e pensando coisas como: vou pros EUA fazer um curso, e aborto, ou dou pra adoção!
Resultado nas mãos: reagente 116.920. Mas que número é esse??? Já busquei mais de 20 BHCG, sempre igual: 2,39. Achei que tivessem mudado o índice de medição. Então, procurei a bioquímica responsável pelo exame. Ela confirmou: vc está grávida! De mais de dois meses! Soltei um grito histérico é incontrolável, e chorei muito! Mas eu estava feliz!! Tudo seria diferente agora!! Meu marido ficou muito feliz, e toda minha família!!
Fui procurar um obstetra. Já estava na 12a. semana quando fiz meu primeiro ultrassom. Foi incrível, lindo demais! Meu bebezinho já estava todo formadinho, cabecinha, corpinho, bracinhos, mãozinhas, perninhas e pezinhos!! Meu Deus, quanta felicidade!!!
Eu não sabia nada de nada, pois nunca fez parte do meu mundo a gestação.
Como estava tudo bem, voltei os GO sozinha.
Foi quando meu mundo desabou, e eu fui direto para o inferno…
No exame, meu bebê apresentou a Ttranslucência nucal em 4,8, com risco 1:3. Osso nasal presente. O médico explicou que havia uma possibilidade em 3 de o meu bebezinho ter alguma síndrome ou cardiopatia, e que poderia ser incompatível com a vida. Disse que eu precisava fazer um exame para saber se prosseguia com a gestação ou não. E ainda disse:”pára de chorar e presta atenção no que eu estou falando, vc vai ter muito pra chorar depois”. Assim, sem humanidade nenhuma! Isso foi uma sexta feira, e na segunda feira eu já havia me deslocado 900km para fazer a biópsia de vilo corial, para podermos fazer um estudo de cariótipo. Durante o exame, soubemos que é um menino, meu Júnior! Apesar de muito rápido, o exame dói muuuuito! Introduz uma agulha, pela barriga, sem anestesia, e colhe-se pedacinhos da placenta para estudo.
Bom, lá fiquei sabendo que ninguém é obrigado a fazer este exame, pois ele não muda em nada a condição do bebê. A não ser que os pais OPTEM pelo aborto. Mas meu GO não nos disse isso!
Viajaremos esta noite para pegarmos o resultado amanhã. Mas não estou preparada…
Tirei o chip do meu celular, tirei o fio do telefone e tirei o interfone do gancho. Não quero ver nem falar com ninguém.
Sei que as pessoas estão preocupadas, mas tudo o que fazem e falam me irrita! Estou em tratamento psicológico, pois acho que não vou dar conta de mim mesma.
Minha cabeça dói absurdamente desde o dia do ultrassom, estou muito irritada, choro e brigo com meu marido o tempo todo.
Quase não durmo, só tenho pesadelos. A única pessoa que tenho contato é meu marido, que me ajuda muito, mas só grito com ele. Cheguei a fugir de casa por 4 dias, me hospedei em um hotel e desliguei o celular. Até que a raiva passou, e eu voltei.
Sei que estou fazendo todos a minha volta sofrerem, mas eu estou sofrendo muito e não consigo me controlar!
Deletei todas as minhas redes sociais e bloqueei quase todo mundo no celular. Vivo indo pro hospital com a pressão alta… E tenho medo do meu GO, mas acho que agora não é hora de mudar, ainda.
Não sei o que esperar do resultado do exame, não sei o que pensar, não sei o que ajuda. Só sei passar o dia na internet lendo coisas sobre gravidez. Parei de trabalhar no dia seguinte ao resultado do exame, então, passo o dia sozinha.
Quem sabe, conforme o resultado de amanhã, eu não faça um novo desabafo, não é mesmo?
Obrigada pelo espaço!

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3 comentários Adicione o seu

  1. Lorena disse:

    Boa noite. Espero que esteja bem. Passei por tudo q VC esta passando na gestação… Se precisar de uma palavra amiga estou aqui. Não se sinta sozinha
    Ah meu bebê contrariou a medicina e nasceu sem nenhuma síndrome ou condição genética. Está com um ano d oito meses.
    Tenha calma
    Tenha fé
    Um abraço

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  2. Adriana disse:

    Muita força pra você! Continue sua terapia, tenho certeza que ela vai te ajudar a enfrentar esses momentos difíceis! Você é uma pessoa incrível, uma sobrevivente! Lutou pela sua libertação e tenho certeza que lutará pela vida e saúde do seu júnior! Evite ficar sozinha…. vá para um shopping , ou para uma cafeteira. Não precisa necessariamente estar com alguém conhecido. Tente ocupar sua mente mais com o enxoval e menos com os problemas que talvez virão. Com certeza, com a mente mais leve, você tera mais paciência com seu marido. E, com certeza mude de obstetra. A sua vida e a vida de seu bebê estarão sob responsabilidade dele. Você precisa confiar nele. Conheço mulheres que mudaram de obstetra com 39 semanas de gestação.
    Toda força do mundo pra você e seu bb. Que Deus abençoe vocês!

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  3. Gabi disse:

    Já passei por isso. Deixa eu tentar te ajudar? Vamos trocar e-mails? Sinta-se abraçada!

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