Alienação Parental

A alienação parental é um assunto muito sério.

E o que é? Vamos entender.

No meio acadêmico é chamada”síndrome da alienação parental” (SAP), termo cunhado por Richard A. Gardner em 1983 para se referir às crianças que são estimuladas continuamente a criar um sentimento de repúdio em relação a um dos pais.

Apesar de a alienação parental envolver, na verdade, uma série de fatores – muitas vezes a vontade da própria criança de deformar a imagem de um dos pais para se proteger (da distância, das reações do outro pai, do medo do abandono, etc.), o elemento preponderante costuma ser a doutrinação dentro de casa pelo outro pai em relação ao pai ausente.

Quase 100% das vezes, a alienação parental ocorre em ambientes de separação/divórcio que envolvem disputas pela guarda dos filhos e por pensão. 

O pai ou mãe que contribuem para a alienação parental (alienador) costumam instituir campanhas de ódio contra o outro pai (alienado) para instigar que a criança “escolha o seu lado da briga”. O comum é que o filho acredite que os sentimentos de rejeição e a decisão de se afastar são dele, e não fruto da manipulação por um dos pais para afetar o outro. Normalmente, tudo o que o pai “alienado” diz é distorcido pelo pai “alienador” para prejudicar ao primeiro e a raiva costuma se estender aos avós, familiares e amigos do pai afastado.

As formas de alienação variam, mas costumam incluir a desqualificação da conduta e da figura materna/paterna alienada, o alijamento da autoridade parental do outro, dificultação do convívio e do contato, omissão de informações sobre o filho para o outro pai e sobre o pai para o filho, apresentação de falsas denúncias contra os familiares e amigos do pai alienado, chantagem emocional, manipulação, etc.

No Brasil, desde 2010 existe a  Lei da Alienação Parental (Lei 12.318) que prevê medidas que vão desde o acompanhamento psicológico para a criança até a aplicação de multa a ser paga pelo pai/mãe que está causando a alienação, ou mesmo a perda da guarda da em casos mais extremos.

Se o juiz constatar indícios de alienação parental, ele dará prioridade ao processo para que o Ministério Público (MP) seja ouvido o quanto antes (de todo modo, o MP irá participar da ação porque há menor envolvido) e poderá determinar medidas provisórias necessárias para preservação da integridade psicológica da criança, inclusive assegurar a convivência com o pai prejudicado, viabilizar a efetiva reaproximação entre os dois ou alterar a guarda e  a visitação.

O Tribunal de Justiça do Mato Grosso elaborou uma cartilha sobre o assunto, onde explica o que é a alienação parental e dá dicas.

Caso você e seu filhos estejam sendo vítimas de alienação parental, procure a Vara da Família na sua Comarca, o Ÿ Conselho Tutelar ou a Ÿ Central de Conciliação e Mediação de 1º grau. Se precisar de advogado e não puder arcar com a despesa, há meios de obter assistência de advocacia gratuita – já escrevi sobre isso em outro post.

Agora, se você tem afastado seus filhos do outro pai – se a figura alienadora é você – está na hora de repensar isso.

Muitas vezes, a alienação parental não começa “de propósito”… é resultado de mágoa, de conflitos e da necessidade de desabafar sobre os problemas do relacionamento falido com o filho. Pode até ser que não seja consciente (no começo). Como filha de pais separados eu sei em primeira mão que, na solidão e no sofrimento, ou na raiva, muitos pais acabam transferindo para os filhos os problemas que estão enfrentando em decorrência da separação, sentimentos negativos, disputas e diferenças que deveriam ser APENAS do CASAL.

Outras vezes, a criança acaba virando objeto de barganha para a obtenção de dinheiro ou vantagens na partilha. Não tratemos nossas crianças deste modo porque as ameaças e também o cumprimento das ameaças costumam afetar muito mais os filhos do que o pai ameaçado.

Ou, talvez, algumas pessoas acreditem quando o relacionamento vai à falência, a perda do filho é um dano colateral para o “culpado” e se ele não soube manter o casamento tem que sofrer o castigo de ficar longe das crianças.

O importante é que, em algum ponto, o pai alienador se dá conta do que está fazendo e, mesmo assim, continua.

Vejam bem: embora existam tantos ex-maridos e ex-mulheres no mundo, não existe ex-filho.

Todos sabem que, infelizmente, muitos pais/mães não se interessam por seus filhos ou só querem saber dos filhos do segundo casamento, ou querem aproveitar a solteirice para sair, namorar, enfim, tentar se sentir jovem ou desejado novamente. Tenham certeza de que esta realidade é fonte de grande sofrimento para muitas crianças que são deixadas para trás pelo pai que saiu de casa. (Se eles irão um dia se arrepender ou não do abandono voluntário de suas crianças, aí é com eles.)

Não há nada que possamos fazer. Muitos pais tentam obrigar o outro a conviver com os filhos até por meio de ações judiciais para denunciar o “abandono afetivo”.

Por isso, se seu ex-marido ou sua ex-mulher não são egoístas, se se importam, se se interessam, se têm vontade e iniciativa de participar da vida dos filhos, por favor, não tire das suas crianças o privilégio e o direito de ter PAI E MÃE.

O vazio deixado numa criança pela ausência de um dos pais é como ser órfão de pai vivo. O filho cresce com a certeza (verdadeira ou falsa) de que o pai ausente não quis ou não lutou por ele. Desisitiu ou simplesmente não se importou. A dor da rejeição é o tipo de dor que se aprende a conviver porque não se pode sarar

Se são a mãe ou pai alienadores que estão forçando esta situação de sofrimento sobre seus filhos, por mais que a criança disfarce o que está sentindo, garanto que, cedo ou tarde ela vai confessar a dor que a distância causou. Imagine um dia, no acerto de contas com a sua própria consciência, ou quando seu filho crescer para se tornar um estranho (que acabou sendo mais afetado do que o previsto, que acabou tendo dificuldade em se relacionar com as pessoas); imagine que enorme arrepedimento você sentirá por ter trazido para a vida de vocês a alienação parental.

O abandono afetivo fica na conta do pai que se afastou. A alienação parental fica na conta do pai que forçou o filho a se afastar.

Ser um bom pai, uma boa mãe, não é fazer o melhor pelo filho, com desapego e em detrimento de si próprio? Meu conselho, portanto, é que se o seu filho tiver de conviver com esta dor (causada pelas brigas e pela distância), você não seja o responsável pela ferida.  

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1 comentário Adicione o seu

  1. Susana Vaz disse:

    Resumindo: se o papai só aparece quando ELE ta a fim, mesmo assim os filhos têm obrigação de conviver, caso contrário ele ferra com a vida da mamãe. Direito da criança é o escambau, ne?
    Ah, a autora não deve ter lido o Richard Gardner, caso contrário saberia que era um pedófilo e matou-se em 2003, enquanto investigado. E assim segue a lei brasileira, no retrocesso comum, favorecendo abusadores e agressores.

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