Eu não quero ser mãe solo

2 filhos, Bióloga, 25 anos


Desabafo Anônimo: Eu não sou uma guerreira, não sou uma fortaleza inabalável, extremamente forte, não … eu não sou!!

Eu estou cansada de ouvir as pessoas sempre me dizerem o quanto sou forte, me chamarem de guerreira. Eu não tenho escolhas.

Sou mãe de 2 crianças, de 4 e 2 anos. Temos 2 pais por aqui, sim, aquela mãe de um filho de cada pai.

Eu não tenho escolhas, quando eu tenho que trabalhar aos finais de semanas para complementar a renda e pagar o colégio atrasado. Eu não tenho outra escolha quando tenho que deixar de pagar boleto do meu curso, para pagar o plano de saúde. Eu não tive outra escolha, quando tive que trancar minha 2° graduação, para poder respirar.

Temos 2 pais, pensões pagas após atrasos e sob avisos de que iria recorrer a justiça. Eu não quero ser guerreira, eu não quero ser mãe solo.

Eu também quero ir a praia, eu também quero viajar com meu noivo, eu também quero ir para uma festa e gastar com combos de bebidas importadas, eu também quero andar bem vestida, usar as marcas que eu gosto, ir ao salão. Ah! Como eu queria ostentar um carro…

Se eu fizer tudo isso, quem vai pagar o colégio? Quem vai pagar a comida que sustenta? E o plano de saúde? E a farmácia?

Eu fui casada por 7 anos, 7 anos dividindo em um relacionamento completamente abusivo. Esse relacionamento terminou com um homem, me agredindo na frente dos meus filhos. A minha dependência emocional acabou na delegacia, onde uma jovem, de classe média, com hematomas no rosto, braços e abdômen, denunciou o marido por agressão e onde riram de mim e fizeram piadinhas por detrás.

Naquele dia eu me senti um lixo. Eu me senti culpada, uma péssima mãe, uma porcaria de mulher. Mas acabou. Acabou o relacionamento, acabaram os abusos psicológicos, acabou a agressão, acabou o pai.

Naquele dia, meu filho não teve mais um pai presente. Vieram as ameaças, ameaça de que iria sumir com meu filho, de que iria sumir comigo, e quem sumiu foi ele.

A caçula, não veio de relação nenhuma. Construimos uma relação com a chegada dela, uma relação difícil, sem muita intimidade, a relação dos pais da Dora.

Relação por emails. Toda semana, um email com fotos e vídeos, contando como foi a semana da nossa filha. Ele me ajuda muito financeiramente, mas a filha, ele não ajuda muito.

Eles se veem a cada 3 meses, as vezes 6. A pequenina de 2 anos, quando retorna a ver o pai se assusta.

Me culpam por isso ás vezes. Por ter escolhido mal.

Eu tenho consciência, a culpa da ausência não é minha. Sempre estive com as portas da minha casa aberta para ambos os pais, mesmo um deles sendo o meu agressor e meu maior medo.

Deixei de enviar email para o pai do meu filho (o agressor), deixei de usar redes sociais, deixei de usar telefone, por um tempo eu não saia de casa, não mandava meus filhos para o colégio, eu tive muito medo dele.

Ele me ameaçava de todas as formas, hoje não tenho mais segurança para usar sequer um Facebook com nome fictício. Eu sinto falta de ter essa segurança.

Eu sinto pelos meus filhos. Pai é um ser que faz falta, por mais que eu me desdobre em mil, por mais que eu tente ser o mais presente possível, por mais que eu tente suprir todas as necessidades deles financeiramente e emocionalmente, eu nunca poderei ser um pai. O máximo que chegarei a ser é uma super mãe. Eu sou a mãe.

E quanto a isso, eu não posso fazer nada. Só me desabar algumas vezes ao ano, me lamentar, sofrer com eles, oferecer meu colo.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Alline disse:

    Você não precisa ser forte o tempo inteiro.
    A tempestade passa. Tem altos e baixos durante toda a vida, mas o olho do furacão é temporário.

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  2. Raquel Gomes disse:

    Sei bem o que é passar por uma situação como essa…vi muito de mim nessas palavras! Ser mãe solo não é nada fácil, realmente as pessoas apontam o dedo, dizendo o quanto você é forte, como você é guerreira, mas essas pessoas não imaginam é que ser forte é a única opção que temos!!

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