Yumi e a minha transformação

Grazy, 1 Filha no céu,19 anos

Desabafo Anônimo: Quem nunca sonha em ser mãe? Eu tinha esse sonho,para o futuro, quando eu formasse numa faculdade e tivesse um marido, casa, carro. Eu desde pequena, me dediquei aos estudos, e consegui me formar no ensino médio. O que faltava era eu começar a fazer uma faculdade, mas por ironia do destino e por eu querer me divertir um pouco, e curtir um pouco em antes de fazer uma faculdade; numa dessas minha diversões fiquei com um cara. Depois disso minha menstruação começou a atrasar, no 1 º mês eu achava que era normal atrasar só um mês. Aí minha menstruação não veio nem no segundo nem no terceiro mês e eu comecei a ficar com medo, não senti enjoo, não senti vontade de comer nada, nenhum sintoma de gravidez eu senti. Eu fiquei com medo e resolvi falar com a minha mãe. Ela sempre dizia que eu estava grávida e eu dizia que não, meu pai começou a desconfiar porque minha barriga começou a apontar e eu morria de medo disso acontecer e ele me expulsar de casa. Eu não fiz exames porque não queria saber o resultado, já pressentia…

Com 4 meses, tive certeza que certeza que estava grávida, pois algo começou a chutar a minha barriga, e mexia a noite toda; e eu alisava a mão sobre ela, mas escondido de todos. Dois amigos meus que já tinham certeza que eu estava grávida falaram sobre minha gravidez para o pai da minha filha, mas ele não se importou. Eu não estava na hora que eles falaram com ele e não sei bem o que ele disse pra eles, mas o que eles me contaram me deixou com muito ódio dele.

No outro dia fui no Facebook e pedi pra ele esquecer tudo que meus amigos tinham dito a ele, e que eu não tinha certeza e que mesmo que eu tivesse não falaria pra ele, pois eu era capaz de criar um filho sem a ajuda dele. E parei de ir no bairro dele, nunca mais apareci lá. Com 5 meses de atraso fui fazer o teste no laboratório e deu positivo, mas eu já sabia que daria. Meus pais me apoiaram muito, uma enorme surpresa para mim, e eu já amava a minha pequena desde a primeira mexidinha… Com 7 meses de gestação eu fui atrás do pai dela, pois minha família achava super errado ele não assumir a filha. Descobri que ele tinha voltado pra igreja, que era o “cara certinho” pregava e tudo, e ele no começo parecia ter aceitado o fato de ser pai e falou que a gente ia resolver tudo na amizade, que ele me achava legal e que gostou da minha amizade e disse que os meus amigos tinha aumentado a conversa e que nunca falou nada de mim. Ele conversou com minha mãe pelo telefone, parecia tudo certo,”só parecia”… Falou pra manter contato, mas sempre que ligava para ele, não atendia, minha irmã mandava mensagem e ele só visualizava. Mas eu não ligava, pois eu já amava minha filha, minha família e meus amigos também a amavam, e isso já era o suficiente, não precisava dele.

Com 8 meses recebi a notícia que iria ter minha filha prematura, mas no hospital que eu estava não tinha recursos para esse tipo de parto,e eu já estava com quase 7 centímetros de dilatação e eles me mandaram numa ambulância para outro hospital. Em alto risco, falaram que eu tinha que ser atendida na hora, que teria que ser cesárea, mas quando cheguei lá eles me deram remédio de segurar e não fizeram o que era pra ter sido feito e falaram que meu parto ia ser normal. E me deixaram lá jogada numa cama, tacaram remédio e a dor aumentava, tacavam soro e meu olho virava, tudo ficava embaçado, toda hora a médica ia ver os batimentos da minha Yumi. E estava bem o coração dela, batia forte 122 e sempre isso e nunca caía; e eles me deixaram lá com dor e de 2 em 2 horas a ginecologista ia fazer toque em mim e aquilo doía tanto, eu passei a noite toda sentindo dor e nem consegui dormir. No outro dia começou a sair coágulos de dentro de mim, primeiro eram brancos e depois foi de sangue; pensei que fosse minha bolsa estourando , mas a médica falou que era normal e que era por causa do toque. E a dor vinha mais forte, nem no banheiro eles me deixaram ir, porque era perigoso ela nascer lá (eu preferia que isso acontecesse). Olharam de novo os batimentos estavam perfeitos, minutos depois com muita dor me mandaram para sala de ultrassom e lá tive a pior notícia do mundo: que o coração da minha Yumi já não batia, que tinha líquido dentro dela e que ela não resistiu. Eu não queria acreditar, pois ela estava bem minutos atrás, eu chorei muito,meu mundo acabou ali naquele momento.

Depois mesmo dela estar morta dentro de mim me jogaram naquele quarto de novo, a dor vinha mil vezes pior e eu só chorava, nem estava importando com a dor que estava sentindo no corpo, mas o que mais doía era a dor que estava sentindo na alma. Mas as dores estavam ficando insuportáveis, eu pedia socorro e pedia minha mãe para me ajudar, minha mãe chamava os médicos, mas eles não vinham e eu abracei minha mãe forte e pedia pra ela me ajudar que eu já não estava suportando. A ginecologista veio e fez toque e me mandou às pressas para a sala de parto, me ligaram em um aparelho de batimento cardíaco e os meus batimentos só caíam, me deram anestesia e toda vez que eu fazia força mais fraco meus batimentos ficavam. Os estagiários que estavam lá dentro olhavam para a minha mãe com uma cara e minha mãe me segurando, e tudo que eu pedia pra Deus era pra me dar força que eu já não aguentava mais e eu senti a morte caminhar do meu lado…

Finalmente depois de muito tempo a Yumi nasceu, quando ela nasceu eu chorei e meu choro fazia meus batimentos caírem mais e mais, uma dor horrível estava no meu coração,  a dor de não ter ouvido o chorinho dela e de saber que eu ia sair daquele hospital sem minha filha nos braços. Me doparam para eu ficar calma, meus batimentos caíram para baixo de 80, achei que iria morrer. E só de ver as outras mulheres com seus filhos nos braços meus olhos enchiam de lágrimas por saber que a minha Yumi não estava comigo.

Ela nasceu dia 16/5/16 quando foi dia 18 ela foi enterrada e meu coração partiu no meio quando eu a vi naquele caixãozinho branco, minha filhinha linda. Ela era tão linda, pardinha, cabeludinha, cabelos lisos e pretinhos, ela era tão pequena, mas tão gordinha… Chorei tanto, pois a pessoa que mais amava estava dentro de um caixão. E o pai dela? Nem foi no enterro, nem procurou notícias da filha e nem se importou. Hoje fazem exatamente 14 dias que ela se foi, a dor no meu peito continua, meus seios estão cheios de leite, mas ela não esta aqui para alimentar. Cada dia que passa as minhas lágrimas caem cada vez mais. Sabe que ela me mudou completamente? Hoje vejo o mundo com outro olhar e ela que me fez ser assim. Hoje eu não sinto um pingo de vontade de sair e curtir como antes, prefiro ficar em casa, evito tantas coisas ruins, tipo conhecer caras idiotas que de um jeito ou de outro podem me fazer sofrer. Como me divirto e gasto o tempo grande que eu tenho? Assim, escrevendo, gosto de escrever e gosto de falar da minha filha a pessoa que mais amei e que me ensinou o amor puro e verdadeiro; o amor maior do mundo, que me ensinou a ser mãe e filha. Se fico triste ao falar dela? Não, jamais! Falo dela porque é o que me faz bem, se eu não escrever, não botar tudo para fora eu vou me amargurar e posso entrar em depressão. Se eu choro por pensar e falar tanto nela? Sim, choro bastante, um choro que ninguém pode conter, às vezes é um pranto sem lágrimas, uma dor que sufoca. Não é tristeza por ela ter ido tão cedo e não estar comigo, não estou triste por não ter minha Yumi perto de mim; não é saudade, a saudade bate, traz agonia e faz estremecer. O que sinto quando falo dela, quando penso nela é a falta que ela me faz. A falta ela congela, faz chorar, traz uma dor e faz saber que a saudade é uma certeza de que a pessoa vai voltar, mas a falta é querer de volta, mas saber que não vai ter. Eu sinto muita falta da minha princesa, por isso passo o meu dia escrevendo e vou escrever até me faltar forças.

Me pergunto sempre como pode uma criança mudar do dia para o outro o coração de uma pessoa? Como pode um simples ser trazer tanta alegria e um sentimento tão forte? Se pudesse voltar atrás eu escolheria ter ela novamente,porque eu tive uma escolha, eu poderia simplesmente ter desistido dela, poderia ter tirado ela na primeira duvida de gravidez, poderia odiá-la por causa do pai dela. Mas não, eu escolhi amar, eu escolhi ser amada, eu escolhi ser mãe. Mãe solteira? Sim, não mãe solteira, mãe guerreira, que foi mãe e pai ao mesmo tempo, eu não me arrependo um segundo se quer, se eu pudesse voltar no tempo escolheria ser a mãe da Yumi de novo. Abriria mão de tudo novamente, porque a cada crescimento que ela dava eu crescia junto. Um sentimento que palavras jamais poderão explicar. Se eu quero ter mais filhos? Sim! É óbvio, mas nenhum vai substituir a minha Yumi, o médico disse que eu tenho que esperar um ano, espero o tempo que for,o meu tempo não é o mesmo que o de Deus e quando ele quiser vou ter outro bebê, enquanto esse tempo não chega, vou continuar fazendo a coisa que mais gosto, escrever!

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