Seríamos nós cinco…

Ju, 3 filhos, 27 anos


Desabafo Anônimo: Uma gravidez melhor do que sonhada. Fora o acompanhamento no pré natal de alto risco por conta do pré diabetes gestacional, tudo estava tranquilo. Diabetes controlado somente com medicação, e tudo seguia super bem. Acompanhamento bem feito, consultas seguidas e tudo em ordem, apesar de estar acima do peso não tinha engordado nada e o meu bebê crescia super bem. Cruzou as pernas no primeiro ultrassom pra ver o sexo e no segundo o médico disse ser uma menina, aí vinha a Ester, mundo rosa de novo, uma amiguinha pra minha Mel e mais uma princesa pro meu Ale cuidar. Um sonho. Com 26 semanas resolvo fazer um outro ultrassom e o médico me diz ser um “machinho”que susto, e agora? Tudo que era rosa seria azul. Demorei a me acostumar mas logo já amava o Samuel como amei a Ester. Tudo azul, não importa, viria nosso príncipe. Mudamos de casa, começamos o enxoval, chá de fraldas, um nervoso mas deu tudo certo, muitos presentes, tudo com seu nome, feito especialmente pra te esperar, pra tua chegada tão esperada. Com 36 semanas começa a complicar tudo, fico baixada no hospital depois de ir somente porque achei que tinha poucos movimentos mas lá ele volta a mexer a todo vapor,mas uma dor de cabeça acusa pré-eclâmpsia, fico lá 3 dias até resolverem que era hora da cesárea. Que medo da anestesia, seria a terceira vez mas nem assim me sentia mais tranquila, acabou a tortura e fiquei tão tranquila, meu esposo entrou e logo estaríamos com nosso príncipe com a gente. Dia 03/05 as 8h31min ele nasceu: lindo, chorando, perfeito, logo ele vem pra eu ver seu rostinho perfeito, a cara do pai e do mano mais velho, lindo demais, o pai vai embora, ele fica uns minutos comigo, cheguei a dar mama pra ele e fazem exame de glicose e ta baixa, como tive pré diabetes era normal, vai pra UTI neonatal pra cuidar disso mas logo voltaria pra mim. Fico ali presa sem poder ver ele um bom tempo, as 18h meu esposo chega no quarto e desce pra ver ele, tudo bem, glicose controlada mas apareceu uma anemia nos exames, vai ficar lá mais um pouco, de noite meu marido volta lá e ele ta muito amarelo, me desespero, ainda não tinha levantado da cama, a enfermeira fica com receio de me deixar levantar porque “vaza” um líquido da cesárea, espero mais umas 2 horas e enfim levanto e vou vê-lo, realmente está muito amarelo, mas era tão lindo. Pela manhã os médicos começam a examinar de verdade e veem que ele precisa de transfusão de sangue, iniciam os procedimentos, meu marido vai embora mas ligo meio desesperada pra ele e ele volta. Ainda bem,porque não aguentaria passar pelo que passei sozinha. Iniciaram o tratamento e faziam os exames,teríamos que esperar até as 3 h da manhã pra saber o resultado, meu marido vai descansar pra esperar e eu não consigo dormir, inquieta, angustiada. As 2h da manhã chamam a nós 2 na UTI neonatal, descemos desesperados,eu corri mesmo com a cesárea recente,precisava chegar o mais rápido possível, chegamos lá e eu achei que ele já tinha partido, mas não, ainda tinha esperanças, ele respirava, pelos aparelhos mas respirava, seu coração estava ali ainda. Ficamos ali na frente daquelas máquinas pedindo a Deus pela vida dele, cheguei a pedir que me devolvesse ele do jeito que fosse que eu aceitaria e cuidaria, meio egoísta mas eu só queria meu Samuel comigo. Mas pedi que Deus fizesse a vontade dEle e Ele fez, levou meu Samuel, Samuzinho como eu chamava. Levou meu príncipe e me deixou aqui com um vazio tão grande. O motivo: meu sangue de fator RH- negativo por ser a terceira gravidez já tinha produzido anticorpos pro sangue positivo de meus filhos e esses anticorpos atacaram todo o sangue do Samuel, ele não resistiu. E hoje estou aqui, despedaça sem meu bebe, tive que me recuperar da cesárea, tive que tomar remédio pra secar o leite que seria do meu filho, e enfrentar essa dor que me sufoca às vezes. As coisinhas dele estão guardadas, não tive coragem de deixar na nossa casa, meu marido sofreu por vê-las aqui e disse que pra mim seria muito pior. Tudo que preparamos pra ele, minha vida seria com ele aqui, não tinha imaginado nenhum futuro pra minha família em que ele não estivesse com a gente, seríamos nós 5 a partir de agora e era isso que importava. E agora ele não está e tenho que reaprender a viver sem ele nos meus planos. Mas ficou o amor por ele e a certeza de que aconteça o que acontecer eu não me esqueço do meu Samuel.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Daiene disse:

    Olá Ju queria saber se vc fez o exame de coombs indireto e se não tomou a vacina nos partos anteriores? Sou RH- também

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