#Foram30ContraTodas

Desabafo Anônimo: Vou contar um segredo pra vocês, aliás, algo que todo macho finge que é segredo, mas não é. TODAS as mulheres já sofreram algum tipo de assédio. Acontece todos os dias, de todas as formas e com mulheres de todas as idades. Falo isso com toda a certeza do mundo. Não é raro e nem acontece só com o vizinho. Sabe aquele primo criado como se irmão fosse? Pois é! Ele me olhava através da maçaneta da porta do banheiro desde a minha infância e todos sempre souberam e nunca, nunca fizeram nada. Quando me tornei adolescente e entendi que isso acontecia resolvi conversar. Expus os fatos a minha mãe, toda a família sabe e até hoje ninguém, ninguém nunca fez ou disse nada. Aliás, minha mãe disse que eu estava louca porque ele é um homem de Deus. Até hoje quando falo desse assunto com qualquer um da parte crente da família, eles mudam de assunto e fingem que nada aconteceu. Às vezes me tratam como louca também, são essas as variáveis. Para fugir disso, resolvi morar junto com um cara. Estava namorando, ele parecia ser apaixonado por mim. Ligava toda hora. Tinha ciúmes. Pensei: legal, ciúmes parece amor. Eu tinha vinte anos, ele trinta e quatro já. Eu só queria fugir da realidade que eu vivia. Assim que casei, os ciúmes aumentaram, eu não podia ter amigo algum, nem homem, nem mulher. Começaram as brigas. Ele nunca me bateu, mas todos os dias eu ouvia frases do tipo: “o cara estava te olhando, você é uma puta”. Ele nunca me bateu, mas me sacudia todos os dias até eu ficar roxa. Eu chorava sozinha encolhida no chão da cozinha até dormir de tanta dor de cabeça que me dava por tanto chorar. Pensei inúmeras vezes em terminar, só o fiz quando coloquei na minha cabeça que seria melhor que ele me matasse mesmo. Tive que tentar terminar diversas vezes, pois nas primeiras ele me seguiu, fez campana no meu trabalho, aparecia em todos os lugares que eu estava. Morrer era realmente uma opção. Numa dessas brigas, e isso foi de madrugada, saí pela rua tão desorientada, sem rumo, sem ninguém. Parei perto de um ponto de ônibus na minha rua e um carro parou, era alguém pedindo informação. Lembro que dei tantos passos para trás quanto eu podia, fiquei o mais distante possível, mas achei que era paranóia e, mesmo de longe, eu quis ajudar. O cara abaixou bem o vidro, estava armado. Falou que era ou entrar no carro ou morrer. Corri o mais rápido que eu pude e me joguei na frente de um ônibus que estava passando. Tive sorte. O cara não atirou. Essas são somente algumas das muitas vezes que sofri assédio. Não falei de quando eu tinha uns nove anos e estava na porta da igreja e um homem parou de carro e me mostrou o pinto. Não falei de quando o filho de uma vizinha, quando eu devia ter uns onze anos e ele vinte, me agarrou a força e eu só escapei porque gritei. Não falei do cara no ônibus que passou a mão em mim e eu não tive reação porque eu era só uma criança e nem entendia o que estava acontecendo. Não falei que quando fui à delegacia relatar as violências do meu ex o inspetor/delegado falou para eu não fazer isso porque homem que bate ama. Mas, no fim, a culpa deve ser minha, não é? Deve. Porque eu mesma não consigo falar sobre isso sem sentir vergonha. A culpa sempre é da mulher. A culpa é minha. Agora tenho uma filha. Se um entregador de pizza toca a campainha, eu escondo ela. Não quero que seja culpa dela também. #Foram30ContraTodas

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1 comentário Adicione o seu

  1. Van disse:

    Nossaaaa! Que relato maravilhoso! Me vi em vc. Passei por fatos parecidíssimos com os seus em minha infância. Estou emocionada aqui…

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