Uma perda irreparável

Flávia, 01 filho anjo , gerente , 21 anos

Desabafo Anônimo: Eu tenho um anjo, nome dele é João Miguel, que significa “Quem é cheio de graça como Deus?”. E por que não morar com Deus? Dia 05 de Junho de 2015 descobri o grande presente que Deus me concedeu. Não somente para mim, mais para meu esposo, pois ele estaria comemorando seu aniversario no dia 06 de Junho, ele definiu a minha gestação como maior presente que ele poderia ganhar. João esteve comigo ate as 34 semanas de gestação, tive uma gestação tranquila. Exceto pelo dia 13/11/2015, ao qual fui ao hospital febril, e lá aconteceu minha internação, a mesma durou 15 dias, pois tive pielonefrite, que designa uma infecção do trato urinário, que atinge a pelve do rim. No entanto, o uso de antibióticos era suficiente. Durante a internação descobriram que eu tinha colo curto de 18 mm com afunilamento do orifício interno, foi realizada a colocação do pessário, e recebi alta em boas condições clínicas. Mantive meu pré natal, e ficou decidido que com 37 semanas iriam fazer a retirada do pessário, e que eu iria ganhar meu amor.
No dia 09/12/2015 eu, Vitor e João Miguel fomos para sessão de fotos, foi lindo, o João participava daquele momento, mexia, chutava, os fotógrafos ficavam fascinados como ele se movimentava, as fotos ficaram belíssimas.
No dia 10/12/2015 por volta das 20 h, estavam eu, meu esposo, as titias, a vovó e o tio arrumando as coisas do chá de Fraldas, que seria realizado no dia 12/12/2015, escolhemos o tema “Pipa”, porque meu esposo imaginou que o João seria apaixonado pelos “telecos” , como ele se refere, arrumamos tudo e fomos para casa.
No dia 11/12/2015, fui ao hospital realizar um ultrassom do pessário. O  Doutor Ângelo foi me consultar, enquanto eu aguardava a sala do exame ser organizada, ao fazer o procedimento para ouvir os batimentos cardíacos, presenciei o desespero se aflorando no meu peito, pois o meu amor sempre se mostrava bem rapidamente, porém nesse dia, nada se ouvia, meu médico, anjo enviado pelo Senhor, me acalmava e dizia que o João estava sentado, e por isso a dificuldade de ouvir, eu sabia que não era isso, afinal o João era muito grande, e estava sem condições para mudar de posição.O doutor tentava me acalmar, mas eu via o desespero dele no olhar, ele devia estar se perguntando onde estava coração do bebê. Encaminhou-me para o ultrassom, ele começou me acalmando , informando que meu presente estava chupando dedo, havia esperança, havia sonho, mas o coração não batia mais. Outra doutora se encaminhou até a sala, e afirmava tudo com normalidade, porém o coração não batia mais, e ouvi a palavra ÓBITO, eu desconhecia essa palavra, não cabia ao meu filho este termo.
Nesse momento desejei milhões de vezes em questão de segundos, arrancar o meu coração do peito e te dar, dar vida a você novamente.
Ouvir seu coração bater novamente meu pequeno. Mas ouvi que não era possível. E gritei chamando Deus e perguntando: Porque meu Deus, leve a mim e ressuscita meu filho, meu anjo. Toda encolhida eu tive a pior dor no peito, não sentia nenhum músculo, porém sentia as batidas do meu coração num ritmo que nunca havia visto, no meu choro, nos meus gritos, tinha um único desejo: Ter você novamente. Dar-te vida meu filho, implorei a Deus, pedi com todas as minhas forças. Mas por um plano de Deus você já havia se tornado anjo. Sem nenhuma medicação, nenhuma anestesia meu corpo não respondia por nenhum segundo, estava intacta, enfermeiras me trocavam, informações vinham e nada eu sentia. No desespero do acordar daquilo que eu desejei ser o pior pesadelo, liguei para sua tia/madrinha e falei sem acreditar, sem saber o que havia dito, e aguardei seu papai… Você foi tão amado, é tão amado. Que fez médicos chorarem, me acalentar e não acreditar na sua partida. Ouvi oração da médica pedindo você de volta. Naquele momento eu já sentia a pior dor que pude imaginar um dia sentir… Como você foi especial meu amor, como você é especial, quanta luz para um bebezinho. Então no dia 12/12/2015 ganhei meu presente com 2.850 kg e 44 cm. Lindo, gordo, e com todos os meus traços, nada do seu papai. Dia 14/12/2015 me despedi fisicamente do João, ele foi morar com Deus, com a roupinha que iria sair da maternidade, e desde então meu coração sangra, chora. Mas como ouvi da minha terapeuta, nada nessa terra nos pertence. O João Miguel foi, é o meu MAIOR MILAGRE, ele é a essência da minha vida, do meu coração. Filho, a mamãe ama você para todo o sempre. Ele se eternizou na minha pele, dentro do meu peito, ele me fez viver, me ensinou a amar, a me respeitar, e acima de tudo, João me ensinou a ser grata. Entendi que somos modificados ao ter um filho anjo, não por um pequeno período, mais por uma eternidade. Ter um filho anjo, não é um teste, um castigo, ou sequer por uma falta de preparo. Ter um filho anjo é uma perda irreparável e que deixa na alma uma ferida profunda que nunca cicatriza e nem para de doer. Apenas aprendemos a sobreviver com ela!

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