Minha mãe: meu pior pesadelo

Desabafo Anônimo: Mãe. Sinônimo de amor, carinho, companheirismo, proteção, aconchego, porto seguro, confiança; pelo menos é assim que a grande maioria das pessoas define. Não para mim, não para milhares de pessoas. Posso até dizer que fui órfã; sim, com toda certeza. Fui órfã desse amor que tantos descrevem e eu desconheço, fui criada por meus pais como quem cria um cachorro, apenas dando comida e água e nada mais, nunca recebi uma palavra de carinho, nunca tive um porto seguro, nunca tive em quem confiar, tive sim muita humilhação, pragas rogadas contra mim, surras e mais surras. Não sei dizer quando tudo começou, pois desde que me entendo por gente a minha vida foi um inferno, lembro de minha mãe dizendo que deveria ter me abortado, que todo dia quando eu saía ela ficava em casa torcendo para que um caminhão passasse por cima de mim.

Aos 11 anos de idade me colocou para trabalhar como babá, ganhava na época 25 reais por mês, ela me acordava às 04:00 da manhã, batendo na porta e me chamando de vagabunda, e eu nem sabia o motivo, me fazia limpar toda a casa antes de sair para o trabalho e quando eu não conseguia terminar tudo ou não fazia de seu gosto o castigo era me deixar sem café da manhã. O “salário” que eu ganhava tinha que entregar todo à ela. Meu pai sempre assistiu tudo conivente, e quando no meio de uma surra que ela me dava eu clamava à ele para me ajudar e enxergar o inferno que ela fazia, ele me puxava pelos cabelos, me jogava na parede e me batia de socos até me deixar mole, lembro de uma vez que tentou me sufocar, pensei que ia morrer. Eu só pensava “porque?? Eu era apenas uma criança, o que eu fiz? Porque me odeiam tanto?” Tinha uma irmã mais nova e com ela era tão diferente, ela acordava a hora que queria, não fazia nada em casa, por que comigo era assim? Então a única coisa que eu sabia fazer para buscar respostas era rezar. Me trancava no quarto com uma bíblia e pedia clemência a Deus, para aquilo acabar, mas as respostas nunca vinham e quanto mais eu rezava mais as coisas pioravam. Um dia minha mãe me viu no quarto lendo a Bíblia e disse: “Por que você está lendo a bíblia? Bicho não lê a bíblia”. Tudo isso contribuiu muito para mim passar a não acreditar mais em Deus. Vi que estava realmente sozinha, fugi de casa várias vezes, o Conselho Tutelar me levava de volta. Tentei suicídio 2 vezes. O inferno continuou por muitos e muitos anos.

Tenho muitas lembranças horríveis, que não caberiam aqui, como minha mãe rogando que quando eu casasse que eu passasse fome, pedindo pra mim tomar veneno de rato, me batendo tanto até sangrar pelo nariz, me deixando sem comer enquanto eu olhava todos na mesa comendo, e muitas outras coisas. Enfim, fiz esse desabafo, pois acaba de passar o dia das mães e todos me crucificam, pois não vejo minha mãe nesse dia, não dou parabéns a ela, e eu me pergunto, parabéns pelo que? Todos os dias da minha vida eu lembro de tudo isso que passei, não conto isso a ninguém, convivo com isso todo dia, não consigo esquecer, não consigo perdoar. Já tentei conviver com minha mãe, hoje em dia sou casada, tenho minha filha e tento ser completamente o oposto do que minha mãe foi pra mim, dou amor até demais, protejo demais, dou meu melhor. A convivência com minha mãe é impossível, olho pra ela e só consigo sentir ódio e ressentimento. Ela separou do meu pai e hoje tem outro marido, ele é uma pessoa maravilhosa e minha mãe melhorou muito em comparação ao que era antes, mas ainda assim é uma pessoa amarga, negativa, que eu odeio ter por perto, fala mal de todos, só vê o lado ruim das coisas, ela é definitivamente a pior pessoa que conheci e tive o azar de ser minha mãe. Só queria que as pessoas estendessem que não existe esse esteriótipo que eles fazem de todas as mães, maravilhosas, que devemos amar acima de tudo, afinal, mãe é mãe. A minha não, a minha foi a pior coisa da minha vida, minhas piores lembranças, meu trauma, meu pior pesadelo. Se o demônio existisse ele seria minha mãe.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Debora disse:

    Ual, realmente sua historia eh muito forte! Ainda bem q vc teve forças de se tornar uma ótima mae! Nao eh pra qualquer um passar por tudo isso, vc foi e eh mto forte!
    Vc tentou terapia? Seria muito bom pra vc, nao esquecer, mas sim superar pra que sua vida seja mais leve!
    Um abraço e te admiro!
    Estarás nas minhas orações.

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