Inoã Viana

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Meu nome é Inoã Viana, sou médica, trabalho em uma maternidade pública do Rio de Janeiro realizando salas de parto e em um hospital particular também no Rio de Janeiro, na UTI neonatal. E sou mãe. E foi isso que me trouxe até o Temos que falar sobre isso.

Durante uma madrugada de plantão na UTI neonatal, pesquisando pela internet sobre iniciativas de apoio a mulher eu me deparei com o site. Me deparei com desabafos angustiados, mulheres que precisavam serem ouvidas e apoiadas. E o melhor, neste espaço elas eram ouvidas sem julgamento, apenas recebendo afeto e compreensão.

Estava grávida do meu pequeno, o Gael. Infelizmente, pela vida corrida, tanto pessoal como profissional, perdi o contato com o site.

Depois do nascimento do meu filho, e de uma relativa volta aos eixos da minha vida, acessei novamente o site. E como a minha visão sobre o mesmo mudou. Como me tornar mãe me trouxe uma nova ótica sobre as questões aqui levantadas. Anteriormente existia a compreensão e o afeto. Agora além disso existe o reconhecimento.

Sempre tentei na minha vida, profissional e pessoal, me colocar no lugar do outro, me esforçar para entender a sua realidade. E por mais que exista força de vontade, como é difícil! Vou tentar explicar isso sobre a minha ética profissional.

Trabalho em uma unidade neonatal de um hospital particular do Rio de Janeiro. Nesta unidade temos recém-nascidos que necessitam de assistência médica de forma mais intensiva ao nascer. Alguns com necessidades menos complexas, como ganhar peso, enquanto outros com necessidades maiores, como assistência respiratória, cirurgias corretivas entre outras situações.

Alguns destes bebes não chegaram a sair do hospital. Os que chegaram a sair necessitaram voltar ainda no seu primeiro mês de vida. Como entender o que se passava na cabeça destas mães, que não saíram da maternidade com o filho em seus braços?

Certa vez, ao conversar com uma mãe que iria internar seu filho recém-nascido devido a uma infecção pulmonar, após explicar o quadro do mesmo e orienta-la a ir para casa descansar e ficar tranquila, ouvi a seguinte frase:

-Você tem filho doutora? Respondi que não.

-Então você não entende que o que você está me pedindo é impossível.

Tive que engolir seco. Eu não entendia mesmo.

E então, o Gael nasceu. Felizmente, meu filho nasceu saudável, veio para casa após 2 dias de nascido e até hoje, com 2 meses, não teve nenhum problema de saúde. Mas, e a dor de imaginar ele doente? Dele passar uma noite sequer internado? Agora eu consigo entender. E entender não quer dizer que eu sei o que se passa na cabeça de uma mãe com o filho hospitalizado. Quer dizer que eu respeito ainda mais a sua dor, a sua insegurança.

A chegada dele me trouxe mais humanidade. Mais humanidade que qualquer experiência profissional pode me proporcionar.

Ao longo da minha, ainda curta, carreira médica, tive a oportunidade de me desconstruir. Fiz a minha graduação em Medicina em uma faculdade federal carioca, com ensino de qualidade. Pude ver nas mais variadas áreas da medicina diversas doenças, as suas causas, como diagnostica-las e como cura-las. Aprendi a ouvir a doença, seus sintomas, manifestações. Mas não aprendi a ouvir o paciente. Sim, porque aquela pessoa sentada no outro lado da mesa, vai além daquela patologia.

Felizmente tive a oportunidade de aprender na prática médica, já formada, a como humanizar a relação médico paciente. A entender que uma mãe do meu posto de saúde não pode levar seu filho ao hospital que eu encaminhei, não por preguiça, mas porque não tinha o dinheiro da passagem. E que está mesma mãe não se sentiu à vontade comigo para falar a sua realidade. Seria eu tão distante assim?

Então, aqui estou eu, uma mãe de primeira viagem, uma jovem médica, repensando as minhas escolhas e atitudes. E queria muito compartilhar com vocês conhecimentos, desabafos e experiências.

Estou aqui para somar. E principalmente para aprender.

Vamos juntas?

Beijos

Inoã

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