Cecília Reis Aquino

A Cecília é a nova revisora e voluntária do Temos que falar sobre isso. Conheça um pouco sobre a sua história a seguir:

Meu nome é Cecília, mulher, mãe, feminista, uma sonhadora! Desde pequena eu falava que queria ser uma mulher de negócios, que abriria mão da minha família para ser uma mulher atarefada, falava que não queria ter tempo para nada, nem para ter filhos; mal imaginava eu o que estava desejando… Na adolescência me vi extremamente envolvida com política e isso foi o suficiente para sonhar em entrar para a vida política do país e me doar para um ideal, abrindo mão de família e quaisquer outros sonhos. Entrei na faculdade e me formei em Ciências do Estado, não me embromei profissionalmente para a vida política como idealizava anteriormente, mas a ideia de não ser mãe permanecia em meus pensamentos. Ser mãe para mim antes, era sinônimo de perda de liberdade, de ausência de autonomia, mas o que me dava mais medo era o amor que a maternidade geraria. Em 2014, minha irmã foi vítima de um erro médico e teve uma lesão cerebral, foram dias difíceis para mim, ela ficou internada durante 41 dias, e eu fiquei ao seu lado todos os dias, eu via a dor da minha mãe, suas olheiras, seu cansaço, seu desleixo consigo mesma em prol da melhora da minha irmã, e isso me deu medo; eu sofria pela minha irmã e imaginava, “e se fosse um filho meu?” Era na verdade, o medo de ter um amor absurdo dentro de mim e eu jurava para mim que nunca estaria preparada para essa missão. Até que meses depois deparei-me grávida e surtei! Quando descobri minha gravidez vive momentos bipolares internos, não sabia se aquilo era bom ou ruim, ora achava que era um presente, ora achava que seria um fardo. Esta minha luta interna durou cerca de 1 mês, responsável por terríveis enjoos, por uma perda de 5 quilos e por início de uma depressão. Consegui me reestruturar psicologicamente e aceitar a gravidez, e já adianto que foi a melhor coisa que fiz em minha vida, meu filho realmente foi e é um grande presente em minha vida. Segui uma gravidez tranquila, mas a vivenciei sempre ponderando a existência do lado bom e ruim, eu sempre quis mostrar a todos à minha volta que gravidez não é algo romântico, que as mulheres sofrem e muito. Após o nascimento do meu filho, fui vítima do baby blues, e chorei durante uns 20 dias, me emocionava com tudo! Além do pós parto dolorido que tive, mesmo entrando em trabalho de parto não consegui o parto normal que queria, não houve dilatação e o meu filho estava sem líquido e minha placenta calcificada, sendo necessária a intervenção cirúrgica (cesárea). O desafio da melancolia e com os desafios da maternidade. É através destas experiências e por saber que o lado perinatal não é nada romântico e cor de rosa como pregam, e sim cheio de dúvidas, anseios, que me junto à equipe do TQFSI, pois acredito que todas as mulheres merecem serem ouvidas e apoiadas neste momento buscando sempre a melhor resolução e aceitação de seus conflitos internos.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Alessandra Arrais disse:

    Ótimo relato Cecília! Muito bom! Seja bem vinda ao time da TQFSI!

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