Soraia Fiaccadori Braz

A Soraia é a nova revisora e voluntária do Temos que falar sobre isso. Veio trazendo muita energia boa! Educadora, vivenciou duas gestações de alto risco, nas duas vezes suas filhas nasceram extremamente prematuras, e as duas gozam de plena saúde física e mental. Conheça a história de superação da Soraia:
Viver a maternidade nunca esteve em prioridade na minha vida.
Eu já tinha passado dos 30  e, no auge de uma crise de uma doença auto-imune que possuo, me vi mais uma madrugada no PS, sozinha. O médico constata a gravidez e eu, tão machucada, não percebi a dimensão daquela revelação.
Eu já estava casada há anos e, embora ele também não pensasse em filhos, ficou radiante.

E tão logo consultei o obstetra, identificou-se a gravidez de alto risco , tendo como fator principal a hipertensão.

Foram alguns meses de repouso absoluto e minha primogênita nasceu de 26 semanas, com 864 gramas.
Foram quase 3 meses de UTI Neonatal.
Mãe de primeira viagem, eu já não tinha mais minha mãe viva há alguns anos, passei por emoções nunca antes imaginadas.
Seis anos depois, no primeiro dia útil do ano, comprovei minha segunda gravidez.Meu esposo entrou em pânico, pautado na dolorosa experiência da prematuridade extrema que vivemos anteriormente.
Nesta segunda gestação, a hipertensão também foi a protagonista, com requintes de crueldade, me obrigando ao repouso absoluto por mais de dois meses no hospital.
Minha primeira filha tinha seis anos apenas e amadureceu à força nesse período, visitando a mãe no hospital apenas aos domingos.
Meu marido me telefonava todas as noites, colocava o telefone no viva voz para fazermos uma oração. Era o único momento no dia que estávamos “juntos”.
Nessa gestação, a luta foi grande e, quando a bebê no meu ventre chegou, a duras penas, aos 500 gramas, todos, a equipe médica, enfermagem e eu nos aliviamos.O feto com peso menor a esse, sob a lei brasileira, quando nasce, é descartado, como um membro que é amputado.
E quando meu fígado não aguentou mais os 32 comprimidos diários, numa madrugada de sábado, qual só Deus sabia o paradeiro do obstetra que me acompanhava, a médica plantonista, anjo enviado, teve que fazer meu parto.
Eu estava de 28 semanas, mas a bebê pouco crescia.
Eu fiquei em pânico. A minha companheira de quarto só repetia: Deus no comando!
Na sala de parto, a anestesia não pegava. Depois de varias tentativas, a enfermeira me abraçou e, naquele gesto, a anestesia pegou.
Eu consegui parar de chorar quando essa mesma enfermeira se abaixou, me olhou nos olhos e disse bem baixinho:
– É uma menina. Ela pesa 4 6 0 gramas e vai ficar tudo bem!
Não a descartaram. Na hora H ela fez um chorinho pedindo socorro. A entubaram e levaram para a UTI Neonatal.
Novamente não peguei minha filha no colo ao nascer. Não senti seu cheiro. Não aconteceu nada como toda mãe sonha passar.
Dessa vez foram mais de cinco meses de UTI Neonatal. Cirurgia com 20 dias. Foram 111 dias entubada. Só senti seu cheiro quase 3 meses depois num canguru esplêndido.

Ela veio pra casa utilizando home care. Fez fisioterapia até os dois anos e meio, quando conseguiu andar.

Em breve ela fará 3 anos e ainda não fala mais de seis palavras compreensíveis.
Ela é encantadora e a tudo responde com um sorriso.
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