Autoconhecimento e a Medicina tradicional chinesa

Por Júlia Ritez – Projeto Pulsar – 21 Abril 2016


Autoconhecimento e a Medicina tradicional chinesa
INTRODUÇÃO
Hipócrates, considerado o “pai da medicina”, já na segunda metade do século V a.C. acreditava que o corpo e a mente se influenciam mutuamente.
No entanto, a maneira como a medicina tem se desenvolvido no ocidente, através de uma visão fragmentada do homem, com a divisão em especialidades, traz um enorme desafio ao estudo e compreensão das causas e origens das doenças.
Segundo Weil (2000, p.174) em todos os domínios, essa divisão do mundo em blocos compactos e independentes contribui para os principais fatores psicológicos geradores de estresse, responsável pela maioria das doenças psicossomáticas.
Em contrapartida, tem havido um interesse e procura cada vez maior por terapias provenientes do oriente, baseadas em um modelo de compreensão do ser humano e da natureza completamente diferente. Entre essas técnicas, destaca-se a acupuntura que é baseada nos conhecimentos da medicina tradicional chinesa e tem se mostrado bastante eficiente no combate a diversos distúrbios.
Hoje vou abordar de maneira resumida alguns Conceitos e princípios básicos da medicina chinesa para quem nunca ouviu falar sobre o assunto ampliar um pouco sua perspectiva e contribuir nessa busca do ser humano pelo autoconhecimento.Tao: A natureza, divide-se em duas forças: Yang e Yin. Os elementos de Yang são a atividade, a luz, o homem, o calor, o verão, o sistema simpático, as partes superficiais, superior (cabeça), o lado direito do corpo, etc. Já Yin se relaciona a passividade, ao escuro, à mulher, ao frio, ao inverno, ao sistema parassimpático, às partes internas, inferiores e do lado esquerdo do corpo, etc. Essas forças coexistem em todas as coisas e quando uma sobressai a outra, ocorre o desequilibro e as enfermidades (CARBALLO, 1973).
De acordo com Cooper (1989), não seriam forças antagonistas, mas de uma tensão de equilíbrio e a preocupação central do homem consistiria em entender essas forças e mantê-las em equilíbrio.Associada ao Yin e Yang, tem-se a teoria dos cinco elementos constituindo a base da medicina tradicional chinesa. Esses elementos se relacionam ao clima, estações do ano, alimentos e os seres vivos têm aspectos que se identificam com cada um deles (VECTORE, 2005). Além disso, relacionam-se a órgãos e vísceras, atitudes, sentimentos, cores, etc e a interação entre eles é dinâmica (VECTORE, 2005).

Esse dinamismo entre os cinco elementos, o fluxo entre os organismos e ambiente, Yin e Yang, o impulso motor, tudo o que existe no universo e se movimenta é composto e definido pelo seu Qi (energia). E o homem seria o transformador dessa energia através da atividade combinada de seus órgãos e vísceras. Dessa maneira, a psique e o corpo são um reflexo da atividade funcional global do organismo (SANTOS, 2009).
Evidencia-se, portanto, que a maneira do oriental compreender o funcionamento dos sistemas corporais é bastante distinta da ocidente.
Considerando que o fluxo do Qi influencia a psique, as emoções também determinariam o equilíbrio ou desequilíbrio através de insuficiências ou sobrecarga energética nos órgãos aos quais se associam.
Na medida em que sintomas emocionais evidenciam a existência de um desequilíbrio energético em determinados elemento, tal conhecimento pode auxiliar no diagnóstico e tratamento de doenças.
Segundo Santos (2009), a infinidade de emoções e sentimentos do ser humano são diferentes combinações, com intensidades e nuances distintas das emoções básicas relacionadas aos cinco elementos. E haveria características básicas associadas a cada elemento:

Personalidade Metal: relaciona-se a firmeza de caráter, frieza, moralidade, inflexibilidade, determinação e paciência. O indivíduo com essa personalidade, de maneira geral, gosta de realizar atividades sem a ajuda de outras pessoas, são persistentes e quando não desenvolvem sua espontaneidade, a emoção manifestada predominante é a Tristeza.
Personalidade Água: o indivíduo sociável, que respeita as opiniões alheias, procura mostrar suas opiniões de forma indireta e evitar conflitos frontais. Dessa maneira, são flexíveis, espontâneos, adaptáveis e intuitivos. Podem se tornar manipuladores e desconfiados em relação a si próprios, desenvolvendo uma baixa autoestima, sendo a emoção predominante deste tipo de personalidade, quando há o desequilíbrio, o Medo.
Personalidade Madeira: são dinâmicos, criativos e respeitados por sua capacidade ética, gostam de trabalhar pelos outros e em companhia, ocupam cargos de liderança em benefício do coletivo. Podem se tornar ambiciosas e ansiosas para atingir os objetivos que se impõem e fazer muitas coisas ao mesmo tempo, frustrando-se por não dar conta de tudo. A emoção predominante, em caso de desequilíbrio, é a Raiva.
Personalidade Fogo: são líderes natos, lutadores buscando a evolução, autoconfiantes e de grande capacidade mental. Podem ser intolerantes com a opinião alheia e se tornar violentos. A emoção predominante nesses casos é a agitação.
Personalidade Terra: são metódicos, sistemáticos, bons administradores, realistas, precavidos, e apreciam a rotina, podendo se tornar obsessivos. Além disso, não gostam de mudanças e a emoção predominante é o Pensamento Obsessivo (idéia fixa).
Entretanto, não há tipos “puros” e deve-se utilizar esses conhecimentos como ferramentas e não para “rotular” pessoas.
Dessa maneira, é importante determinar a causa do desequilibro, se for interna, sendo provocado por uma desarmonia emocional, é necessário identificar qual emoção está por trás dos sintomas e a partir dai, compreende-se excessos e insuficiência energética dos cinco elementos (SILVA, 2007).
Uma disfunção na bexiga e do rim por exemplo, nessa visão, pode provocar sensação de peso e sobrecarga na lombar, sentimento premonitório exacerbado, impotência, frigidez, desanimo, cefaleia, etc. No caso de desarmonia no estômago e baço-pâncreas, pode haver preocupação excessiva, problemas gástricos, alergias alimentares e fraqueza dos membros. Repressão das emoções, magoa, hipersensibilidade e distúrbios menstruais podem ser resultado de problemas na vesícula biliar e fígado. Já disfunções no coração, concentração, raciocínio lógico e fala, bem como dores nas regiões posteriores e anteriores dos ombros podem se relacionar a alterações no intestino delgado e coração. Quando se trata de desequilíbrio no intestino grosso e pulmão, os sintomas são depressão, introversão, alergia, falta de energia e dores na lateral do pescoço.Assim, a observação e conhecer seus aspectos emocionais permite prever sua vulnerabilidade e é possível realizar um tratamento também preventivo.Em suma, em meio há uma visão de mundo fragmentada, a filosofia e forma de ver o ser humano própria da medicina chinesa possibilitaria ao ocidente uma revisão de paradigmas, contribuindo com novos conhecimentos. Isso porque a perspectiva oriental, conforme foi brevemente apresentada, encara a doença, o homem e a natureza muito distintamente, relacionando-os e os compreendendo de forma holística.
Dessa maneira, as emoções, doenças, o psiquismo, tudo está inter-relacionado.


Referências Bibliográficas
arquivos/rubs/RUBS%20II/Tratamento%20fisioterap%C3%AAutico.pdf
CARBALLO, F. (1973). Acupuntura China. Buenos Aires: Kier.
SANTOS, A. C. Elementos de Psicologia no Pensamento Oriental. Recuperado em 12 de julho de 2009, do:http://74.125.93.132/search?q=cache:OHZFySQYSq0J:www.centrobrasileiro.com.br/biblioteca/acupuntura/portugues/050.pdf+%22.+Elementos+de+Psicologia+no+Pensamento+Oriental%22&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br
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WEIL, P. (2000). A mudança de sentido e o sentido da mudança. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Lilian disse:

    Ótimo texto…Gratidão.

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