Faço tudo que estiver ao meu alcance

Tenho 31 anos, fui mãe pela primeira vez em 2011, uma gestação tida como normal. Sem exames de rotina além de ultrassonografias, por inexperiência acreditei que tudo ia muito bem até começar a sofrer com dores de cabeça horríveis e dores na região do fígado. Relatei ao meu médico, mas ele não deu importância e nem informação alguma sobre o que eu sentia. Com 38 semanas passei a noite em claro sentindo muita dor e logo pela manhã fomos ao hospital (meu marido e eu) com intenção de medir a pressão, pois alguém havia me sugerido. Resumindo, lá minha pressão estava nas alturas, meu médico não se encontrava na cidade (graças a Deus) e fui operada as pressas para retirar meu filho que (também com a graça de Deus) nasceu saudável e perfeito. O quê aconteceu comigo? Não sei, nunca me foi dita uma palavra sobre o assunto, passei quatro dias no hospital recebendo medicação, nada de exames e eu só queria ir para casa com minha família.
Dois anos mais tarde, já em outra cidade, decidimos engravidar novamente, muita pesquisa, muita leitura, chegamos a conclusão de que provavelmente sofri uma pré-eclâmpsia e não queria que isso se repetisse. Procuramos um bom médico antes mesmo de engravidar, vários exames, um positivo. Bebê se desenvolvendo bem, uma menina dessa vez. Seguiam-se os exames de rotina, preparamos tudo, tudo mesmo para recebê-la. Paralelo a isso tudo, eu me sentia indisposta, comecei a ter dores de cabeça e um torcicolo horrível por volta de  28 semanas. Meu médico notou uma diminuição no tamanho da minha barriga. Começamos uma luta contra o tempo, exames e mais exames, injeções para amadurecer o pulmão do bebê (para ajudar um “farmacêutico” me aplicou uma das injeções errada). Me sentia nervosa, com medo. A pressão subiu, o médico entrou com medicação e ela abaixou drasticamente nesse meio tempo. Com 31 semanas eu senti meu leite descer, senti como se todas as dores que eu estava sentindo tivessem desaparecido, não consegui pregar o olho a noite toda esperando para ver meu médico na manhã seguinte. Sentia muita angústia. No consultório o médico não conseguiu ouvir o coração da minha filha, fomos para a ultrassonografia e veio a noticia que nos destruiu por dentro e por fora. Nossa filha havia partido. Depois disso só dor e sofrimento, eu muito sedada, mais uma cesariana, meu marido com um coração partido, um filho pequeno e a difícil tarefa de sepultar nossa filhinha sozinho. Eu não a vi, não conseguiria, hoje me arrependo, mas foi o que conseguimos fazer naquele momento.
Já vai fazer dois anos em abril que ela partiu, ainda não passou, nunca vai passar. Estou grávida novamente, 22 semanas, 4 médicos me acompanhando, incontáveis exames antes e depois de descobrir a gravidez. A causa morte da minha filha foi hipertensão gestacional precoce, sem mais sintomas.
Nessa nova chance que recebi de Deus estou esperando outra menina, faço exames semanalmente, me sinto muito bem disposta e ate agora tem corrido tudo bem. Mas sinto tanto medo que mal consigo esconder. Peço a Deus e faço tudo que estiver ao meu alcance para que eu possa ter minha filha em meus braços.
Agradeço a oportunidade de desabafar.

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