Me sinto dividida

Gostaria de dividir minha dor com vocês. Pensei muito sobre escrever ou não porque minha história é bem pesada, mas cheguei a conclusão que dividi-la iria me ajudar.

Tive minha filha aos 15 anos, morava com pai dela porque tinha engravidado e minha mãe achou melhor assim. O pai dela nunca havia me agredido fisicamente. Ele tinha 21 anos e concordou em ficar com a nossa filha a noite para que eu voltasse a estudar. Quando ela tinha 1 mês e 20 dias minha mãe chegou na minha escola para me buscar dizendo que minha filha estava no hospital porque o pai a agrediu. E foi isso que aconteceu, ele agrediu nossa filha recém nascida de tal forma que ela ficou com sequelas neurológicas. 

Após o acontecido ele foi preso e eu voltei para casa da minha mãe sem saber como seria a saúde da minha pequena. Entrei em depressão depois do acontecido e minha mãe começou a cuidar da minha filha e de mim. Nesse período eu parei de cuidar da minha filha e “fugia” de casa quando podia. Até que, com 19 anos, eu sai de casa e a deixei com minha mãe. Fui morar sozinha em outro município e parei de manter contato com todos da minha família. Conheci meu atual esposo. Hoje tenho 22 anos e meu casamento me ajudou a curar as feridas do passado de tal forma que quero ser mãe da minha filha.

Meu esposo não tem filhos, não teve contato com minha filha e acha que não é o melhor momento para que nós três fiquemos juntos. Assim como minha mãe não aceitará que eu traga minha filha para morar em outro Estado. Nesse momento estou nesse difícil impasse: continuar com ele ou ir exercer minha maternidade a qual me sinto mais preparada psicologicamente. Minha filha tem 6 anos e precisa fazer fisioterapia por conta da hemiparesia (diminuição da força no lado esquerdo do corpo). Mas ela é perfeita para mim, eu a amo e me sinto dividida. Não queria ter que escolher entre ficar com meu esposo ou com ela.

É isso meninas, obrigada pelo espaço e pela dedicação de vocês, falar faz parte da cura e vocês tem ajudado muitas mulheres, assim como as que comentam e dão uma palavra de apoio.

A união faz a força! Abraço fraterno em todas!

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1 comentário Adicione o seu

  1. Julieta Capuletto disse:

    Muito verdadeiro seu depoimento.
    Você teve filho muito cedo. Ainda é muito nova. Sua filha será sua filha para sempre. Sempre terá amor para te dar. Amor eterno. Fará uma diferença enorme na vida dela ter você por perto.
    E ele é o homem que você ama.
    Não entendo porque ele não quer envolver sua filha. Ele nem a conhece! Se te ama, deve amar sua filha.

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