Nós, mães, temos que parar de florear a realidade

Quando a maternidade real é jogada na cara da sociedade…É, não é fácil. Não, não é o paraíso. Todo o depoimento dela É REAL e nós mães temos que parar de florear a realidade e admitir as dificuldades. A gravidez é dolorosa, você sente enjoos ou sua pressão sobe ou sente um calor que nenhum outro ser humano sente. Quando você avisa ao seu chefe que está grávida surge aquele parabéns disfarçando a vontade que ele tem de te chamar de desgraçada. É quase um “parabéns! Você deixou de ser a funcionária do mês pra ser a infeliz que ousou engravidar”. A barriga pesa, desconhecidos passam a mão nela sem sua permissão. Você está imensa e cansada e não te dão lugar no transporte nem nas filas. No restaurante desconhecidos te orientam sobre o que você PODE e NÃO PODE comer. Sim, eu disse desconhecidos. Sabe aquele dia que você grávida está com um calor infernal e resolve abrir uma exceção no cardápio e tomar um refrigerante? Não pode! Com certeza um desconhecido vai sair do bueiro pra te julgar. Seu chefe não entende porque você tem que ir todo mês ao médico durante a gravidez e acha que é frescura, começa a implicar com você. Mentira! Ele começou a implicar no momento que você anunciou a gravidez. Fato! Você dirige até o nono mês sem quase nem conseguir mais alcançar os pedais ou você encara a viagem em pé no transporte público. Seus pés incham. Você faz horas extras achando que assim conseguirá manter seu emprego. Você consegue, no meio do seu desespero, ser mais competente que nunca. Mas não, não vai adiantar. Você escuta seu chefe solicitar ao RH um homem para o seu lugar. Chega o dia do parto, a cesárea dói (não tive PN pra saber) e no mesmo dia da cirurgia já mandam você levantar (mesmo com a dor absurda do corte) pra cuidar do bebê. O bebê nasceu, ninguém mais se importa se você está bem ou não. Amamentar é difícil e extremamente cansativo, dormir e escovar os cabelos ou os dentes é um luxo. Você tem que escolher diariamente entre comer, tomar banho ou cochilar. Na primeira semana você tenta fazer as três coisas, na segunda só cochila. Preste bem atenção: você cochila, você não dorme! O bebê acorda a noite inteira e não adianta o pai levantar porque o bebê quer é mamar. Você fica de mau humor e ninguém entende. No quinto dia os pontos da cesárea quase te matam de dor, mas seu marido volta ao trabalho porque a legislação entende que ele já ficou tempo demais em casa ajudando. As pessoas querem te visitar, tomar um café na sua casa que está de pernas pro ar (porque se você não escova os dentes não é a casa que você vai varrer) e deixar a louça pra você, que nem dorme e nem come mas, lavar, claro! Querem pegar o bebê que ainda nem tomou vacinas e que, se adoecer, é você quem vai deixar de tirar os míseros cochilos que ainda consegue pra cuidar. O bebê demora a aprender a mamar, em alguns casos o leite seca, em outros o peito racha, sangra, dói. Todos falam coisas do tipo “seu leite é fraco”, “tem certeza que ele está mamando bem?”. Te condenam porque você não amamenta, te condenam porque você amamenta em público. Seus amigos se afastam porque, afinal, você agora não faz mais nada de legal. Você é demitida na volta da licença porque engravidou ou você é demitida porque chegou mais tarde para levar o bebê ao pediatra e o chefe não gostou. Seu ex-chefe diz que se não fosse a gravidez você ainda teria seu emprego. Você tem que cuidar do bebê, arrumar um novo emprego. Te chamam pra entrevista: “seu filho tem quantos anos? Meses! Ok, até a próxima então.”, é o que te diz a entrevistadora. A mesma entrevistadora chama seu marido para a mesma vaga: “seu filho tem quantos anos? Meses! Tudo bem, compareça na empresa amanhã para a próxima etapa do processo seletivo. Parabéns!”. Você resolve colocar seu filho na creche, dizem que ele vai sofrer com sua falta. Você resolve colocar seu filho com uma babá, dizem que ele vai ser maltratado. Você decide não trabalhar pra cuidar do seu filho, dizem que você quer vida mole. Ninguém te ajuda, todos te julgam, alguns te condenam. A maternidade real não é um conto de fadas. TODA mãe sofre de alguma forma. Meus respeitos a todas essas guerreiras. #maternidadereal #tamujuntajuliana

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4 comentários Adicione o seu

  1. elisamorales08 disse:

    A Juliana, que você está apoiando, só escolheu o lugar errado pra falar a verdade. A coitada, quis desabafar e acabou malhada como Judas. Hipocrisia pura desse povo…como me irrita!
    Pois me desculpem as “mãezinhas perfeitas”, mas eu DUVIDO que alguma mãe passe pelo dia a dia da criação de um filho sem nunca se desesperar, odiar, querer sumir!
    A diferença é que antigamente você desabafava com uma amiga muito íntima ou uma irmã (ou como bem lembrou a Rejane, não desabafava) e hoje temos essa mania de expor nossas vidas, ideias e sentimentos, correndo risco de nos sentirmos ainda piores depois que passamos pelo crivo dos juízes virtuais! Isso faz com que eu me pergunte: a rede é realmente um lugar onde podemos trocar experiência e nos sentirmos melhores? É muita exposição da nossa intimidade!
    Isso aumenta a importância de espaços cono o TQFSI. Ou você escolhe um local onde pode desabafar anonimamente e encontrar pessoas que possam te aconselhar ou mostrar ângulos diferentes de sua situação ou é melhor sofrer calada! Porque o que fizeram com essa moça naquela #@%$ de Facebook….gente, é de revoltar!

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  2. Rejane disse:

    Ola querida Karla,
    Nunca li um artigo tão ousado e realista.
    Parabéns !
    Espero que você consiga superar e olhar de um outro ponto-de-vista.
    Bravo pela sua ousadia!
    Abraço fraterno
    Rejane uma mae , avo, que um dia passou por isto, mas na época não (1983/1985) podia falar sobre isto.

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  3. Alessandra Arrais disse:

    Parabéns pelo depoimento. As pessoas precisam entender que falar da realidade não vai impedir ou atrabalhar que ela seja boa, amorosa e prazerosa! Isso é um mito! Vai apenas nos preparar um pouco mais para o que pode acontecer…O mais incrível é que justamente porque falamos da realidade, dos seus tons mais suaves aos mais obscuros, é que as chances de termos dificuldades é bem menor. Isso mesmo! Pois já não vamos nos decepcionar, já vamos saber que o “lado ruim” também faz “parte” da maternidade assim como o “lado bom”, não vamos nos sentir “culpadas”, “indadequadas”, “defeituosas”, e vamos até ter muito mais paciência e cuidado com nossos bebês e com nós mesmas….Muito bem.. não tenha medo de falar das suas dificuldades enquanto mãe, na verdade é um alívio…Mas cuidado, não é com qualquer um, e nem em qualquer lugar que podemos nos abrir…poucos compreendem e aceitam a realidade como ela é… Escolha algumas pessoas de confiança e se for o caso procure um profissional especializado em saúde mental e obstetrícia.

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  4. Alcineide Mendes disse:

    Falou tudo que eu penso e que eu vivo. A maternidade real é devastadora,cansativa,extremamente difícil.
    #maternidadereal #tamojuntajuliana #tamojuntakarla

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